EUA têm mais de 2.300 casos confirmados de sarampo em 2026
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Luiz Fernando Corrêa
- Sarampo: Sintomas e PrevençãoCasos confirmados · CDC · Cobertura vacinal · Madonna e John F. Kennedy Jr. · Amnésia imunológica · Vitamina A
- Vacinação e ImunizaçãoSarampo · Vacinação e Imunização · Cobertura de entrada na escola · Brasil
Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Doutor.
Voltamos a abordar o tema do sarampo aqui pela relevância do assunto.
Pois é, Milton, o sarampo continua sendo notícia aqui nos Estados Unidos e por um motivo muito ruim, né? Há uma semana, praticamente dia 24, o CDC confirmou 2.318 casos esse ano. Isso é mais do que o ano inteiro passado, 2025, foram 2.100 casos. E o pior número em 35 anos. Isso num país que no ano 2000, ou seja, há 26 anos atrás, foi declarado livre da doença. E o vírus não mudou. O que mudou foi a proteção coletiva, Milton. Sarampo, a gente tem que lembrar sempre, é a doença infecciosa mais contagiosa que a gente pode conhecer.
Uma pessoa pode transmitir para até 18 outras pessoas. Não vacinadas, claro. Por isso a gente precisa ter um nível de cobertura muito alto, 95% com duas doses. Nos Estados Unidos, a cobertura de entrada na escola caiu de 95 para 92,5%. Parece pouco, mas o resultado a gente tá vendo, não é pouco, não é uma queda pequena. 93% desses, desses 2.000 casos ocorreram em pessoas não vacinadas. E olha só, tem que entender o tamanho do problema que tá sendo criado aqui nos Estados Unidos.
Pesquisadores de Stanford publicaram na revista JAMA um modelo matemático para os próximos 25 anos. Nas coberturas atuais, o sarampo voltaria a ser endêmico, ou seja, acontecer de forma contínua com transmissão local, em cerca de 20 anos. Se a vacinação cair mais 10%, serão 11 milhões de casos. Se subir 5%, esse número desaba para 5.800. Olha a diferença! É modelo matemático, não é uma profecia, mas mostra o tamanho do risco, né?
E tem um outro trabalho publicado na revista Science que fala sobre comunicação. O CDC mudou no ano passado, já sob gestão do tão falado Robert Kennedy Jr., na equivalente Ministério da Saúde, ele mudou o texto no site do CDC que falava sobre vacinas e autismo. Dá para a gente perceber que tem uma relação causal aí de tempo, né? O texto novo é escrito numa linguagem de incerteza, ou seja, reduz a confiança na agência, reduz a confiança na vacina e aumenta aí adesão ao negacionismo científico.
E tem uma coisa muito importante: sarampo não é febre e manchinha na pele. Sarampo apaga memória imunológica. Tem um trabalho publicado na revista Science, antes da pandemia, até em 2019, e mostrou que é o seguinte: infecção por sarampo elimina de 11 a 73% dos anticorpos que uma criança já tinha construído contra outros vírus e bactérias. Cria o que a gente chama de amnésia imunológica. Ou seja, a criança, com a grande maioria delas, passa relativamente bem pelo sarampo, mas vai ficar meses até anos vulnerável a outras infecções.
E aí vem as maluquices, né? É, o Robert Kennedy Jr., por exemplo, pregava que vitamina A resolvia o sarampo. Resultado: em 2025, hospitais do Texas tiveram que tratar crianças com lesão hepática por excesso de vitamina A. E o Centro de Informação de Intoxicação tiveram uma alta de 39% nos relatos em busca de informação sobre overdose, vamos dizer assim, de vitamina A. Ou seja, gente, não pode dar mole. Esse aqui é o resultado final disso.
O Brasil mantém a certificação de eliminação desde novembro de 2024, mas a gente continua registrando caso importado. Ou gente que veio não vacinada de algum lugar para o Brasil, ou brasileiros não vacinados que viajaram para fora do país e voltaram com a doença. Em São Paulo, São Paulo já confirmou 13 casos esse ano e ampliou o que ele chamava da dose zero para bebês de 6 a 11 meses em 3 municípios. E é o seguinte, gente, confere na caderneta, são 2 doses da vacina tripsiviral.
Adultos até 59 anos sem comprovação de vacinação precisam atualizar. Quem vai viajar para fora do país, é bom checar sua caderneta antes de embarcar. E se você trabalha recebendo estrangeiros, por exemplo, talvez seja bom conversar no posto de saúde para receber atualização da vacina, né?
Muito obrigado, Doutor Luiz Fernando, e um bom dia.
Bom dia para você, Milton Cássia, e todos os ouvintes. Bom dia, doutor. Até amanhã.