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EUA têm mais de 2.300 casos confirmados de sarampo em 2026

30 de julho de 20266min
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Luiz Fernando Corrêa fala sobre os novos casos de sarampo. Na última sexta-feira (24), o CDC confirmou 2.318 casos em 2026, número que supera 2025 inteiro, que já tinha sido recorde. É o pior número em 35 anos. Para dar dimensão: em 2000, os Estados Unidos foram declarados como livres da doença. Confira.

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Luiz Fernando Corrêa

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  • Sarampo: Sintomas e PrevençãoCasos confirmados · CDC · Cobertura vacinal · Madonna e John F. Kennedy Jr. · Amnésia imunológica · Vitamina A
  • Vacinação e ImunizaçãoSarampo · Vacinação e Imunização · Cobertura de entrada na escola · Brasil
Transcrição6 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LFLuiz Fernando Corrêa

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.

LFLuiz Fernando Corrêa

Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Doutor.

LFLuiz Fernando Corrêa

Voltamos a abordar o tema do sarampo aqui pela relevância do assunto.

LFLuiz Fernando Corrêa

Pois é, Milton, o sarampo continua sendo notícia aqui nos Estados Unidos e por um motivo muito ruim, né? Há uma semana, praticamente dia 24, o CDC confirmou 2.318 casos esse ano. Isso é mais do que o ano inteiro passado, 2025, foram 2.100 casos. E o pior número em 35 anos. Isso num país que no ano 2000, ou seja, há 26 anos atrás, foi declarado livre da doença. E o vírus não mudou. O que mudou foi a proteção coletiva, Milton. Sarampo, a gente tem que lembrar sempre, é a doença infecciosa mais contagiosa que a gente pode conhecer.

Uma pessoa pode transmitir para até 18 outras pessoas. Não vacinadas, claro. Por isso a gente precisa ter um nível de cobertura muito alto, 95% com duas doses. Nos Estados Unidos, a cobertura de entrada na escola caiu de 95 para 92,5%. Parece pouco, mas o resultado a gente tá vendo, não é pouco, não é uma queda pequena. 93% desses, desses 2.000 casos ocorreram em pessoas não vacinadas. E olha só, tem que entender o tamanho do problema que tá sendo criado aqui nos Estados Unidos.

Pesquisadores de Stanford publicaram na revista JAMA um modelo matemático para os próximos 25 anos. Nas coberturas atuais, o sarampo voltaria a ser endêmico, ou seja, acontecer de forma contínua com transmissão local, em cerca de 20 anos. Se a vacinação cair mais 10%, serão 11 milhões de casos. Se subir 5%, esse número desaba para 5.800. Olha a diferença! É modelo matemático, não é uma profecia, mas mostra o tamanho do risco, né?

E tem um outro trabalho publicado na revista Science que fala sobre comunicação. O CDC mudou no ano passado, já sob gestão do tão falado Robert Kennedy Jr., na equivalente Ministério da Saúde, ele mudou o texto no site do CDC que falava sobre vacinas e autismo. Dá para a gente perceber que tem uma relação causal aí de tempo, né? O texto novo é escrito numa linguagem de incerteza, ou seja, reduz a confiança na agência, reduz a confiança na vacina e aumenta aí adesão ao negacionismo científico.

E tem uma coisa muito importante: sarampo não é febre e manchinha na pele. Sarampo apaga memória imunológica. Tem um trabalho publicado na revista Science, antes da pandemia, até em 2019, e mostrou que é o seguinte: infecção por sarampo elimina de 11 a 73% dos anticorpos que uma criança já tinha construído contra outros vírus e bactérias. Cria o que a gente chama de amnésia imunológica. Ou seja, a criança, com a grande maioria delas, passa relativamente bem pelo sarampo, mas vai ficar meses até anos vulnerável a outras infecções.

E aí vem as maluquices, né? É, o Robert Kennedy Jr., por exemplo, pregava que vitamina A resolvia o sarampo. Resultado: em 2025, hospitais do Texas tiveram que tratar crianças com lesão hepática por excesso de vitamina A. E o Centro de Informação de Intoxicação tiveram uma alta de 39% nos relatos em busca de informação sobre overdose, vamos dizer assim, de vitamina A. Ou seja, gente, não pode dar mole. Esse aqui é o resultado final disso.

O Brasil mantém a certificação de eliminação desde novembro de 2024, mas a gente continua registrando caso importado. Ou gente que veio não vacinada de algum lugar para o Brasil, ou brasileiros não vacinados que viajaram para fora do país e voltaram com a doença. Em São Paulo, São Paulo já confirmou 13 casos esse ano e ampliou o que ele chamava da dose zero para bebês de 6 a 11 meses em 3 municípios. E é o seguinte, gente, confere na caderneta, são 2 doses da vacina tripsiviral.

Adultos até 59 anos sem comprovação de vacinação precisam atualizar. Quem vai viajar para fora do país, é bom checar sua caderneta antes de embarcar. E se você trabalha recebendo estrangeiros, por exemplo, talvez seja bom conversar no posto de saúde para receber atualização da vacina, né?

LFLuiz Fernando Corrêa

Muito obrigado, Doutor Luiz Fernando, e um bom dia.

LFLuiz Fernando Corrêa

Bom dia para você, Milton Cássia, e todos os ouvintes. Bom dia, doutor. Até amanhã.

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