Novas canetas de semaglutida: entenda o que muda com a aprovação da Anvisa
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Luiz Fernando Corrêa
- Canetas emagrecedorasAprovação pela Anvisa · Patente Semaglutida · Medicamentos para diabetes · Medicamentos para obesidade
- Mecanismo de ação da semaglutidaNão são genéricos · Molécula de síntese química vs. biológica · Brasil como pioneiro na aprovação
- Impacto nos mercadosQueda de preço por concorrência · Acesso ao medicamento · Dependência de insumos da China
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Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Doutor.
Doutor Luiz Fernando, agora há pouco trouxemos a informação da decisão da Anvisa aprovando o registro de 5 novos medicamentos à base de semaglutida, que são as canetas emagrecedoras. E aí eu falei para os ouvintes o seguinte: calma que o Doutor Luiz Fernando tá chegando, que ele tem alguns, algumas recomendações a fazer. Vamos lá.
Olha, a primeira recomendação a Caixa já fez, né? Ou seja, os medicamentos foram aprovados para tratar o diabetes. A gente sabe que eles vão acabar sendo usados para tratar obesidade, mas a indicação de bula oficial é para tratar o diabetes. Outra coisa importante, Milton, é a gente espera que obviamente com esse movimento da chegada de novos medicamentos ao mercado, o preço caia, porque uma das barreiras para utilização é o acesso a esse medicamento, é o preço.
A gente sabe disso também, só que tem alguns detalhes. Primeiro, Eles não são genéricos, porque se fossem classificados como genéricos, eles têm que obrigatoriamente praticar um desconto legal previsto no Brasil. O que deve acontecer é uma queda do preço por concorrência. A gente não sabe quando eles vão chegar no mercado, isso inclusive faz parte da nota da Anvisa, né, não tá definido nem preço nem data, mas a gente sabe que vai ter uma competição entre as empresas.
E curiosamente É um detalhe, duas dessas marcas aprovadas são de uma mesma empresa, né? A Brain Pharma e a Cosmed pertencem ao mesmo grupo, ou seja, uma empresa entra com duas marcas no mercado ao mesmo tempo para inclusive aumentar essa competição. A gente não sabe aonde isso vai dar, mas é interessante porque eles não são genéricos. E aí, quando não for, não ser genérico, vem o outro ponto. Essas moléculas, esse medicamento que tá sendo aprovado, é uma molécula feita por síntese química.
O que que é isso? Ela é obtida no laboratório se juntando algumas substâncias e se faz uma molécula semelhante à semaglutida, que não é uma molécula de síntese química, ela é biológica, ela é produzida através de recombinação genética, enfim, é um produto biológico. Então elas são semelhantes, por isso elas não podem ser classificadas como genéricos. Elas são obtidas de forma diferente. Isso traz um ponto também interessante, que o Brasil é o primeiro país do mundo a aprovar esse tipo de molécula, né?
Então vamos ver o que que isso quer dizer. Por que que eu tô falando isso? Porque por não ser genérico e não ser um similar tradicional, A gente vai fazer na prática no Brasil a avaliação do resultado dessas moléculas químicas pós-venda. Daí a importância da fiscalização pós-venda, daí a importância do registro de qualquer efeito adverso pós-venda, porque não são, não é a mesma molécula que participou dos estudos clínicos. Então provavelmente funciona, não tô discutindo isso, mas eu tô discutindo que não é a mesma molécula.
Então a gente vai fazer na verdade Uma avaliação prática a posteriori da utilização pelas pessoas. E o Brasil passa a ser o primeiro país no mundo com um organismo regulatório forte como a Anvisa a aprovar esse tipo de coisa. Na Europa, no Japão, nos Estados Unidos, havia até— nenhuma dessas agências registrou os análogos sintéticos da semaglutida. Então é o que está acontecendo. O Brasil usa modelos de diretrizes de outras agências para entender como é que isso funciona, mas nós estamos fazendo parte de um protagonismo regulatório importante no mundo, que nós estamos mudando a realidade do acesso a esses medicamentos que indiscutivelmente mudaram a história do tratamento da obesidade.
E a gente sempre fala que obesidade é uma doença crônica, vai precisar tratar por muito tempo. Então é o seguinte, gente, aprovado para diabetes, não é genérico, não vai ter que cumprir regra de desconto por não ser genérico, é uma molécula de síntese química diferente da molécula biológica original, né? No Brasil a gente tem, na verdade tem que fazer um reparo, desculpe, tem duas apresentações de molécula biológica também, que é a da AMS, por exemplo, é da mesma, é a mesma, mesmo jeito de fabricação da NovoNord.
O resto é sintético, químico. E com outro detalhe, a maioria dos insumos vem da China. Então isso pode levar em algum momento a um risco na cadeia de suprimentos, porque você tá dependendo do mesmo país que a gente já viu o que que deu, lamentavelmente, há 6 anos atrás, né, na época da pandemia. Não quer dizer que vai acontecer de novo, mas a gente vai ficar na mão dos fabricantes chineses. Então tudo isso é o contexto dessa aprovação da Anvisa.
É mais complexo que simplesmente, olha, chegou mais remédio. E o detalhe, os detalhes importantes que você já falou: não é simplesmente, não foi aprovado para obesidade tecnicamente. E segundo, é um medicamento que exige prescrição médica, exige retenção de receita desde junho do ano passado segundo normas da Anvisa. Portanto, as pessoas têm que tomar cuidado e usarem a partir de orientação médica, a partir de prescrição correta, e continuar falando: gente, não compra coisa contrabandeada, não inventa.
Agora você não tem desculpa, gente. Você tem 8 marcas no mercado, então você não pode dizer: poxa, não tem. Tem até 8. Então vamos, vamos, né, ter bom senso nessa história. Mas tem muita, são muitas camadas nessa decisão, não é tão simples assim, né.
Perfeito. Muito obrigado, Doutor Luiz Fernando. Muito obrigado. Bom dia, até amanhã.
Bom dia, Milton, Cássia e todos os ouvintes.
Amanhã, Doutor.
Até amanhã.