O que mostram os resultados da Quaest em São Paulo e Bahia?
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Viva a Voz com Vera Magalhães.
Vera Magalhães aqui com a gente no estúdio. Tudo bem, Vera?
Boa tarde, Sardenberg. Boa tarde, Cássia, ouvinte, também quem tá nos assistindo. Boa tarde, Vera.
Bom, Vera, assunto obrigatório, a pesquisa hoje que saiu, pesquisa da Quest sobre as eleições em São Paulo e na Bahia. Aqui em São Paulo, Tarcísio de Freitas com larga vantagem, e já na eleição presidencial, mais ou menos equilibrado entre o Flávio Bolsonaro e o Lula.
Que que você destaca para a gente? Vai se configurando um quadro de muita tranquilidade para o governador Tarcísio de Freitas. E eu acho que não é desprezível a possibilidade de que a disputa em São Paulo termine já no primeiro turno, pelo fato de que existem dois candidatos principais, que são ele e o ex-ministro Fernando Haddad, e quase mais ninguém para mobilizar esse eleitorado. Então a gente tem uma divisão já que é praticamente a emulação e antecipação de um segundo turno entre Tarcísio e Fernando Haddad.
O governador abriu um pouquinho a diferença no primeiro turno para o petista e também no segundo turno tem uma vantagem muito considerável. Isso impacta um pouco aqueles planos que a gente já discutiu aqui algumas vezes do PT de tentar ser o mais competitivo possível em São Paulo diminuindo a distância entre o bolsonarismo e o PT para que o Lula tenha um colchão de votos no maior estado do país para somar ao final e isso resultar numa vitória, mesmo que por pequena margem, como foi em 2022.
O Lula perdeu no estado de São Paulo, ganhou na capital, mas perdeu no estado, e isso foi considerado importante para por fazer aquele resultado final de 51 e pouco a 49.
Agora, em São Paulo, o Lula tem um desempenho melhor do que o Haddad?
Tem um desempenho melhor do que o Haddad. O Haddad, por enquanto, não é esse puxador de votos para o presidente como se imagina que ele possa vir a ser. E foi por isso que o Lula insistiu muito para que ele fosse candidato. Ele não gostaria de ser candidato de novo Ele vem de uma sequência de derrotas, né? Perdeu na sua própria reeleição para prefeitura, depois perdeu para presidência em 2018, perdeu de novo ao governo do estado em 2022.
Pode-se dizer, ah, o Lula perdeu muitas eleições antes de ganhar, mas nem todo mundo é o Lula, com o carisma de um líder popular como o Lula e tendo fundado um partido com uma história de vida muito singular. Então Haddad no começo se incomodava um pouco com essa perspectiva de ser sempre aquele que é jogado nas missões impossíveis e o candidato para perder. Mas essa ideia de que ele seria um candidato para competir de igual para igual e, se possível, perder de pouco e ajudar o Lula na campanha presidencial acabou por convencê-lo.
Vamos ver se com o começo da campanha, com os debates e as sabatinas, ele aproxima um pouco do Tarcísio. Mas o que que é o temor, né, que eu colhi isso? No QG do Haddad é que o Tarcísio, dada a vantagem que ele tem, essa dianteira muito tranquila, ele decida não ir a debates e não ir a sabatinas. E o PT nem vai poder criticar tanto, porque parece que a estratégia do Lula é exatamente não ir a debates e não ir a sabatinas. Então, se não houver um confronto direto entre os dois, ou pelo menos não na quantidade que os petistas esperavam, vai ficar difícil para o Haddad fazer aquilo que é o plano dele, que é confrontar o Tarcísio tanto com o legado bolsonarista quanto com aquilo que eles entendem que são pontos fracos do governo dele: segurança pública, privatização da Sabesp, principalmente esses dois pontos.
Bom, e aí quando a gente olha para a Genial Quest lá da Bahia, a gente tem uma situação diferente para o presidente Lula, né? Ele aparece com bastante vantagem em relação aos candidatos para o governo do estado Aí é empate técnico, empate quase rigoroso, né, Cássia?
É uma situação aí sim que parece que a gente fechou os olhos no segundo turno de 2022, abriu de novo e é exatamente o mesmo cenário. Porque ali o ACM Neto naquela ocasião largou muito na frente e o Jerônimo Rodrigues, que até então era desconhecido, veio construindo uma vantagem aos poucos e acabou por vencer a eleição. Mas veio embalado por uma sequência de governos do PT. Agora o que a gente tem aqui, essa sequência de governos que ganhou mais 4 anos com o governo dele, mostra um certo desgaste de material.
Os últimos 4 anos foram marcados por algumas divisões internas no PT da Bahia entre o próprio governador, o Rui Costa, o Wagner, o Jacques Wagner, até a ponto de não se saber quem seria o candidato, mesmo o Jerônimo tendo possibilidade de disputar o segundo turno. E agora testar se esse ciclo tem fôlego para mais 4 anos. Ciclos longos assim acabam em algum momento esbarrando na fadiga de material. Foi o que aconteceu com o PSDB aqui em São Paulo.
Foram muitos anos governando o estado de São Paulo e na última eleição esse ciclo foi interrompido pela vitória do Tarcísio, uma vitória à direita. A gente não sabe se isso vai acontecer na Bahia, até porque é um estado em que o PT é muito forte, conseguiu construir essa força também no interior do estado. Então pode ser, e a pesquisa mostra isso, que haja fôlego para mais 4 anos de PT. Mas vai ser uma disputa bem encarniçada, como já foi em 2022.
E não, é só dizer que na eleição nacional o Lula tende a ganhar lá, como vem ganhando em eleições há muito tempo. Tanto que o ACM Neto que já foi um opositor muito ferrenho e muito incisivo ao PT, tá preparando uma campanha light, sem muitos ataques ao PT, nenhum ataque ao Lula, e tem como seu marqueteiro, isso é curioso, o João Santana, que foi marqueteiro do Lula e da Dilma por muitos ciclos eleitorais.
Agora, voltando a uma questão sobre debate, os debates, as emissoras já estão preparando os debates, já tem datas marcadas e tal, e essa informação que você deu aqui, que o Lula Talvez não vá aos debates? Como é que é isso?
Pois é, ele tem uma impressão ali, uma constatação de que vai ser o alvo de 5 candidatos ao mesmo tempo, né? Ou 4, são 4: o Flávio Bolsonaro, Caiado, o Zema e o Renan Santos, principalmente, né? Que tende a ser o mais eloquente, o mais sem limites para forçar um ataque. Então ele não quer essa situação de 4 contra 1. Tem dito aí aliados que não vai se submeter a esse tipo de coisa. O Lauro informou hoje que se o Lula não for, é bem provável que o Flávio Bolsonaro também não vá, porque aí os outros vão ter que ficar contra ele.
O ataque do Lula para ele, que é quem tá no segundo turno até agora. Além do fato de que ele tá dizendo que debater com quem tem 4, 5% não tem nenhuma vantagem para ele no ponto de vista de estratégia. Então a gente tá numa situação em que um tá olhando para o outro e pode ser que os dois acabem deixando para se enfrentar lá no segundo turno. Sardenberg, tá certo.
Vem lá, Magalhães.
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