Surto de ebola preocupa pela velocidade de avanço e já soma mais de 1,4 mil mortes
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Cássia
Luiz Fernando Corrêa
Milton
- Surto de Ebola na ÁfricaEbola · República Democrática do Congo · Variante Bundibugyo · Organização Mundial da Saúde
- Avanços e novas abordagensAnticorpo monoclonal · Remdesivir · Desenvolvimento de Novas Vacinas e Biotecnologia
Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvinte. Bom dia, Doutor. Doutor Luiz Fernando, vamos voltar a olhar para a questão do Ebola. Bom, Milton, esse assunto ficou um pouco assim escondido durante a época da Copa do Mundo, né, o assunto acontecendo na África. Esse surto vem acontecendo desde junho e nesse domingo os números oficiais chegaram a 3.200 casos confirmados e 1.450, mais de 1.405 mortes.
É, isso é uma, isso é o problema. O tamanho já é ruim, agora a velocidade que esse surto tá tomando é que preocupa, porque o último grande surto de Ebola foi 2018, na mesma região que Voo do Norte. Levou 10 meses para atingir 2.000 casos, e esse chegou a 1.000 casos em 40 dias. A gente tá lidando com um vírus diferente. Ou seja, é o vírus do Ebola, mas uma variação, uma variante, variante Bundibugyo, que é diferente da variante Zaire, que era a que mais acontecia.
Então a gente não tem vacinas. Vacinas que foram criadas contra o Ebola nos últimos anos foram feitas contra outra variante. Então não existe vacina para essa variante, não existe tratamento específico aprovado. O que tem que se conseguir é fazer o diagnóstico a tempo, o mais rápido possível, e dar medida de suporte. O problema, mas a questão é: Ebola é um vírus de alta letalidade, ou seja, a letalidade está em torno de 40%, ou seja, praticamente a metade dos pacientes infectados vai morrer.
E 90% dos casos estão nessa região do leste do país, na província de Ituri. E ali tem algumas coisas que preocupam muito, Milton. Tem, por exemplo, um campo de refugiados dessa região que tem mais de 1 milhão de pessoas em tendas agrupadas, aquelas cenas dramáticas de campos de refugiados, né? E ali você não consegue entrar para fazer o acompanhamento dos pacientes, fazer detecção. E a OMS alerta que atualmente o que tá acontecendo nesse surto é que 80% dos diagnósticos são feitos em pacientes que não estão na lista de de contatos de outro paciente.
Ou seja, são pacientes que estão seguindo linhas de transmissão que não estão sendo acompanhadas. Então isso é realmente extremamente preocupante. A gente está a caminho de uma grande tragédia humanitária, mais uma nessa região. Temos algumas boas notícias, é verdade. Começou-se a se testar um novo anticorpo monoclonal, testar também o Remdesivir, que é um anticorpo antirretroviral, aliás. E a Universidade de Oxford começou a pesquisa de fase 1 de uma vacina especificamente desenhada contra essa variante do vírus Ebola.
Mas a gente, infelizmente, Milton e Cássia, vai acompanhar nas próximas semanas a subida muito importante desses números, porque agora o Centro Europeu de Controle de Doenças está tentando fazer uma reavaliação e validação de óbitos que já estavam classificados. Então a gente provavelmente vai ver uma, entre aspas, uma explosão de casos, só que na verdade é um retrato a posteriori desses números, né? Mas é uma situação preocupante.
Não existe transmissão fora da África Central, até mesmo em Uganda, que é um país vizinho onde aconteceram casos, já tem mais de 20 dias que não se registram novos casos. Então isso é bom em princípio, né? A gente não sabe porque É um vírus, é uma variante nova, o diagnóstico é difícil. É uma situação extremamente grave que o mundo finge que não tá acontecendo, Milton. Isso é terrível. Obrigado, Dr. Luiz Fernando, pelas informações e pelo alerta mais uma vez. Até mais. Até mais, Milton, Cássia e todos os ouvintes. Até amanhã, doutor.
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