Inflação quase zera em julho e reforça expectativa de queda dos juros
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Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão.
E aí, Miriam, boa tarde, Sardenberg! Boa tarde, Cássia! Boa tarde, ouvintes da Rádio CBN! Boa tarde, Miriam!
Desta vez, a surpresa do IPCA 15 foi para baixo, deu quase zero de inflação e com deflação, queda de preços de alimentos, alimentação em domicílio.
Miriam, pois é exatamente isso. Sardenberg teve, na verdade, quando você vê que é 0,06% de inflação, a gente pode chamar de inflação zero, né? E quando você vê o alimento, que é sempre o que mais pega o orçamento das famílias e o que mais incomoda, deu uma queda de 0,66%, portanto deflação de alimentos e bebidas, com uma queda, por exemplo, no tomate de 20%, na batata de 10%. Enfim, é uma surpresa. A inflação, o previsto era maior.
O mercado tinha previsto alguma coisa como 0,22%. O ano passado foi 0,33% e em junho foi 0,41%. E esse IPCA 15 de julho veio com inflação praticamente em zero. O que que isso significa? Significa que certamente os juros vão continuar caindo, até porque nas últimas 4 semanas o mercado financeiro fez revisão para baixo da inflação do ano. E outro dado importante, Sardenberg, para corroborar essa tese de que os juros vão continuar caindo é que o acumulado em 12 meses, que tava em 4,80%, foi para 4,52%, só 0,02% acima do teto da meta, caindo portanto, esse acumulado de 12 meses.
Então essa é uma boa notícia. Isso é um pouco explicado pelo que houve na cena internacional. O petróleo caiu, depois ele voltou a subir um pouco, voltou a cair, mas aquele cenário de petróleo acima de $100, isso já foi afastado. A questão é aonde que ele vai, até o patamar que ele vai cair. E quando que essa guerra, que tem 5 meses, vai definitivamente acabar? Essa guerra acabando, o cenário econômico do ano para o Brasil, para o mundo, é outro, né?
Tem muito menos inflação, e aí os juros podem continuar caindo. Já tem gente no mercado prevendo taxa de juros abaixo de 14%, em 13% e alguma coisa ao longo com alguns cortes esse ano para chegar a ficar abaixo de 14%. Mas mesmo assim é um cenário muito pior do que era imaginado no começo. Antes da guerra, o que se imaginava era uma Selic que podia chegar até a 11% nesse ano, Sardenberg. Mas agora é isso, os juros vão continuar caindo.
Certamente esse IPCA 15 de hoje consolida esse cenário de queda de taxa de juros na próxima reunião do Copom. Isso já para a próxima semana, Miriam, você acredita que deve acontecer? Sim, acho que cai os juros na próxima semana e cai porque não só pelo que aconteceu agora, o IPCA 15, mas pelas, pela, porque todas as projeções de inflação para esse ano estão ficando mais benignas, como eles dizem. Ou seja, os juros podem continuar caindo, até porque já está, já estão, eles estão altos demais, né?
Então, e a inflação já ficando muito próximo do, é o teto da meta, não é a meta, mas tá se aproximando desse, desse teto. E a expectativa é que quem sabe possa continuar em queda.
É porque a taxa básica de juros tá em 14,25%, a previsão do mercado é que chegue até o final do ano em 14%, né?
E não, eu hoje mesmo no Globo News a gente tava ouvindo um economista que acha que pode ficar abaixo de 14%. Portanto, com duas quedas de taxa de juros, se houver duas quedas de taxa de juros, fica abaixo de 14%, fica alto 13,75% se for nesse mesmo ritmo, mas abaixo de 14% já está se prevendo, Sarnebrelli.
É porque o Banco Central, quando ele fixa a taxa de inflação de curto prazo, ele tá pensando na inflação lá na frente, né? Inflação 18 meses à frente, né? Essa é a lógica do regime de meta.
É isso que é a lógica do regime de meta, mas o ambiente no momento tem muito, acaba influenciando muito mais do que eles admitem ao explicar o modelo. Tá certo.
Miriam, obrigado, Miriam. Até amanhã.
Até amanhã.
Até.