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O que mostram os resultados da Quaest em Minas Gerais e Pernambuco?

28 de julho de 20269min
0:00 / 9:20
O pré-candidato ao governo pelo Republicanos, Cleitinho Azevedo, lidera a disputa estadual tanto no primeiro, quanto num segundo turno em Minas Gerais, segundo a pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (28). Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) tem 43% das intenções de voto contra 37% de João Campos (PSB). Ouça a análise de Vera Magalhães.

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Participantes neste episódio2
V

Vera Magalhães

HostJornalista
C

Carlos Alberto Sardenberg

Co-hostJornalista
Assuntos2
  • Pesquisa eleitoralRaquel Lira · João Campos · Lula · Eleição acirrada · Máquina pública
  • Cenário eleitoral em Minas GeraisCleitinho Azevedo · Repercussão da declaração de Romeu Zema · Michelle Bolsonaro e Alexandre de Moraes · Eleição presidencial · Candidatura indefinida
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
VMVera Magalhães

Viva a Voz com Vera Magalhães.

VMVera Magalhães

Vera, oi, Sardenberg! Boa tarde para você, para Cássia, para os ouvintes também, para quem nos assiste.

?Voz C

Boa tarde, Vera!

VMVera Magalhães

Saíram hoje pesquisas da manhã, saíram hoje as pesquisas da Quest referentes a Minas Gerais e Pernambuco. Então, começando por Minas Gerais, que aliás é o tema principal da sua coluna no Globo, Vera.

VMVera Magalhães

Pois é, Sardenberg, é uma situação que eu chamei de paradoxal essa de Minas, porque é um estado, o segundo com mais número de eleitores no Brasil, é importantíssimo para eleição presidencial e vem sendo assim pelo menos desde 2010. Acontece uma coincidência absoluta de votos para presidente da República em Minas e no Brasil. É o estado de um dos pré-candidatos, que é o Romeu Zema, e ainda assim a situação para sucessão mineira muito indefinida, a ponto de a Quest ter precisado fazer 5 cenários e provavelmente nenhum deles corresponder ao grid de candidatos oficial.

Por quê? Porque o principal candidato que lidera todas as pesquisas, que é o senador Cleitinho, provavelmente não será candidato. Tá sendo muito instado a desistir da candidatura em nome de uma composição mais ampla. E aí o candidato que tem tudo para entrar no lugar dele pelas últimas tratativas, que é o Marcelo Hário do PP, não foi testado como candidato ao governo. Falei mais cedo com o Felipe Nunes sobre isso, ele falou que essa é uma articulação de ultimíssima hora e quando eles registraram os cenários da Quest ainda não existia e ele só foi colocado como pré-candidato ao Senado.

Então isso é para a gente ver o grau de indefinição do quadro em Minas e isso se reflete fortemente na disputa presidencial, porque tanto Flávio Bolsonaro quanto Lula têm a consciência de que precisam vencer em Minas para ser bastante competitivos nacionalmente. E os dois enfrentam obstáculos lá. Do lado do Flávio, essa indefinição quanto à candidatura ou não do Cleitinho, o fato de que o principal cabo eleitoral da direita em Minas, que é o deputado Nicolas Ferreira, não querer apoiar o governador, que é do PSD, Mateus Simões, e isso tá aí gerando uma instabilidade.

E do lado do Lula, ele precisou intervir pessoalmente depois de ter duas recusas para serem candidatos, do senador Rodrigo Pacheco, da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, que é do PT, mas que preferiu ser candidata ao Senado e não arriscar numa eleição ao governo que pudesse deixá-la sem mandato. E a situação do Zema, que é candidato a presidente, tá em terceiro lugar, bem atrás dos outros dois, e não consegue fazer o seu candidato, que é atual governador, Matheus Simões, decolar na sucessão de lá, apesar do seu governo ter tido uma melhora de avaliação agora em relação a abril.

Em abril, a maioria das pessoas tinha uma avaliação ruim do governo Zema, agora isso se reverteu. E mesmo o governo do próprio Mateus Simões, que foi avaliado pela primeira vez, tem índices razoáveis, mas ele ainda é muito desconhecido e larga de um patamar ali bem medíocre, para dizer o mínimo, tímido, em situação de empate técnico com o Patrulha Ananias do PT.

?Voz C

Agora, quando a gente fala da situação lá em Pernambuco, Vero, o que a gente observa é uma situação de empate técnico, mas com a Raquel Lira do PSD à frente do João Campos do PSB. E isso surpreendeu muita gente, essa, acho que a gente pode chamar, né, de virada da Raquel Lira.

VMVera Magalhães

Virada, Cássia, porque no começo do ano a curva era diametralmente oposta. Os dois descreveram um X muito nítido na pesquisa, nos cenários de primeiro e segundo turno, na espontânea e em todos os segmentos praticamente. E aí eu fui a campo para ouvir aliados dos dois lados, porque o João Campos era considerado uma estrela em ascensão da esquerda, uma estrela em ascensão da esquerda não petista, que é algo raro. E muitos projetavam o seu nome daqui algumas eleições até como um virtual presidenciável, pela força que ele demonstrava ter nas redes sociais e pelo fato de ter sido eleito e reeleito com margens muito grandes de votos, ali acima da casa dos 70% no Recife.

Mas a Raquel Lira foi fazendo um trabalho de formiguinha para recompor a popularidade dela. Em estados como Pernambuco, o peso da máquina é muito forte e ele teve de renunciar à máquina que ele tinha que era a máquina da Prefeitura da capital, e ela não, ela pode ser candidata no cargo. Inclusive tá usando muito isso hoje mesmo, né? Logo depois saiu a pesquisa, foi alertada que ela tava ao vivo numa live no Instagram. E aí fiquei curiosa porque coincidiu e eu entrei, e ela tava numa live na verdade lançando obra, coisa que não pode mais fazer.

A lei eleitoral disse que até 3 de julho só quem é candidato à reeleição no cargo pode entregar obra. Então provavelmente vai haver lá uma disputa feroz e ferrenha na justiça eleitoral, porque Pernambuco tem essa tradição de disputas muito acirradas, de um antagonismo muito forte entre candidatos, né? Eleição passada para governo foi assim e essa não tende a ser diferente. Vai ser uma eleição muito acirrada E o que ele tá dizendo, o pessoal dele tá dizendo, que ele foi prejudicado pelo fato de que ela assumiu uma postura lulista de última hora e muita gente ainda não se deu conta de que é ele o candidato apoiado pelo Lula e não ela.

Tanto que existe uma pressão enorme do grupo dele para que o presidente Lula faça demonstrações cada vez maiores de que é ele o candidato e que não tem esse papo de dois palanques em Minas— em Minas não, em Pernambuco. Como ela gostaria que fosse, o Lula deixando solto o seu eleitorado para votar em qualquer um dos dois.

VMVera Magalhães

Mas da situação atual, o Lula, na situação atual, o PT tá apoiando o João Campos, tá apoiando João Campos.

VMVera Magalhães

E o Edinho Silva inclusive foi instado a dar uma declaração pública nesse sentido. Edinho Silva vem a ser o presidente nacional do PT. E ele teve de dar uma declaração pública dizendo: não, nosso candidato em Minas é o João Campos. Mas isso não me parece algo muito— eu falei de novo Minas, desculpa. Isso não me parece uma coisa muito inteligente numa eleição acirrada, você simplesmente pegar e deixar que a candidata que tá liderando as pesquisas eventualmente migre para o seu adversário.

Mas é isso que ele tá tendo que fazer, porque o Alckmin é do PSB. PSB é praticamente o único partido que o PT tem na sua coligação nacional e precisa fazer esse gesto para o filho do Eduardo Campos, para o João Campos, etc. Então o Edinho Silva já fez, e o Lula, o próprio Lula, agora tá sendo esperado que ele faça um gesto mais claro na direção do ex-prefeito do Recife.

VMVera Magalhães

E do ponto de vista do Lula, digamos assim, do ponto de vista exclusivo do Lula, O melhor era ter o apoio dos dois, né?

VMVera Magalhães

Exato. Isso que eu não tô entendendo, porque que eles estão topando tão fácil essa pressão. É que a pressão é muito grande, telefone fica tocando toda hora ali, porque ele não esperava estar em desvantagem em relação a ela. Quando você conversava com o grupo dele lá no início da disputa, eles estavam com um certo salto alto de que seria de lavada, e a recuperação dela já mostrava que não seria assim tão fácil. Mas ainda assim eles subestimavam muito as chances eleitorais da Raquel Lira, Sardenberg.

VMVera Magalhães

Vera Magalhães, obrigado, Vera. Até amanhã.

VMVera Magalhães

Até amanhã. Ótimo jornal para vocês. Até mais tarde no Ponto Final.

?Voz C

Até mais tarde, Vera.

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