‘Protesto das baratas’: as manifestações da Geração Z na Índia
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Cristina Pecequilo
Nadedeja
Tati
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Lima. How do you say, where's the restroom, in Spanish? ¿Dónde está el baño? Hey Meta, is a hot dog a sandwich? Technically, no. Spiritually, yes. Hey Meta, what should I do with my life? That's one of life's biggest questions. What do you think? Ask anything with the new Meta Glasses.
CBN Pelo Mundo com Cristina Pesquilo.
Oi, Cris, boa tarde!
Oi, Tati! Oi, Nadedja! Oi para todos os ouvintes também!
Hoje a Cris vai falar sobre os protestos que acontecem na Índia contra o governo do primeiro-ministro Narendra Modi. Enfim, primeiro-ministro enfrentando muitos protestos de jovens. Por que na Índia esses protestos ficaram conhecidos como protestos das baratas? E quais são os motivos desses protestos que a gente tem visto, Cris?
Esses protestos da Índia, eles estão inseridos, Tati, Nader, Jovins, num processo chamado de protestos da geração Z. Ele tem, lógico, particularidades da Índia, né, que a gente vai falar daqui a pouco, mas são protestos que começaram a estar muito presentes no mundo a partir de 2025. Por que que eles são chamados protestos da geração Z? Porque eles pegam uma faixa etária que é a da geração Z, de 15 a 30 anos, ou seja, jovens. São protestos inspirados também em um mangá, anime chamado One Piece, que tem como símbolo uma caveirinha, né?
E também a ideia de que eles são piratas, que eles não têm liderança, que eles não estão ligados ao estado comum das coisas, né? Ou seja, eles vêm contestar a ordem estabelecida. E para a gente ter uma ideia, em Nepal e Bangladesh eles chegaram a derrubar governos, né? Teve também na Indonésia, em Marrocos, até aqui no Peru teve também. No caso da Índia, eles são protestos também nessa mesma faixa etária. O líder é uma pessoa chamada Abhijeet Dibgi, que vem tratando essa manifestação como uma manifestação não só contra o governo Modi, mas também uma manifestação que ela nasce de uma insatisfação da juventude detonada por acusações de corrupção contra o ministro da Educação do governo Modi.
Então o que que acontece? Foram encontradas evidências de corrupção em processos de seleção estudantil em algumas universidades, principalmente no campo da medicina, e os jovens acabaram iniciando esses protestos. E lógico que, como todos os protestos da geração Z, eles foram ganhando mais corpo. Por quê? Porque eles têm uma visão de que a juventude na Índia, assim como nos outros países, ela vem sendo pouco atendida em suas demandas.
Então, além é um movimento contra o sistema, é um movimento para emprego, contra corrupção, o movimento que visa maiores oportunidades e melhores condições de vida. E aí, gente, vem o termo baratas, né? Porque o termo baratas, o próprio movimento, ele se auto-intitulou baratas como uma piada, porque um juiz da Suprema Corte Indiana, de maneira muito mal educada, disse que esses protestos de jovens eram comparados a baratas e que, como toda barata, eles teriam ser eliminados, né?
Então a gente até tem visto reações violentas a esses protestos. E aí o protesto, né, até por ser uma coisa de jovens, muito ligado a redes sociais, TikTok, né, eles acabaram adotando e se chamando de Partido das Baratas, Protesto das Baratas. Lógico, não é um movimento oficial de baratas ou um partido, mas aí eles aproveitaram a ofensa para se tornarem mais visíveis, levando isso como uma crítica bem-humorada ao sistema Eu tô muito impressionada, Cris.
Há cerca de 10, 15 anos foi lançada aqui no Brasil na Netflix uma série inglesa chamada Black Mirror, de futuros distópicos. Eu não sei se você acompanhou. Eu na época assisti, eu em algum momento larguei porque foram muitas temporadas, mas talvez as 3 primeiras eu tenha visto. E quando eu ouvi baratas, eu me lembrei de um episódio da terceira temporada, eu acho, é um episódio chamado Engenharia Reversa, é do ano de 2016, quinto episódio da terceira temporada da série, que talvez antecipasse esse cenário e essa visão estereotipada a respeito de manifestantes, chamando-os de baratas.
Nesse episódio Os soldados usam implantes neurais que desumanizam eles e fazem com que eles cacem pessoas como baratas. Nunca achei que a gente fosse ver um futuro distópico chegar tão rápido da tela de uma obra de ficção para a realidade. Mas enfim, eu não pude deixar de comentar porque Black Mirror, para você que nunca viu, talvez seja legal até ver uma obra de ficção que pretendia retratar um futuro distópico vivendo esse futuro distópico como a gente tá hoje em dia.
Total.
Como é que isso tá impactando a gestão mood, Cris?
Não, total, Tati, Nadede, eu até recomendo a série também e a gente tá vendo muita coisa distópica não só dessa série, mas de outras, né, como contos de Aes se tornando realidade, né? E o que choca, e aí já entrando na pergunta da Nadede, é que E na realidade eles não estão nem precisando de implantes, de nenhuma justificativa fora da realidade para realizar uma repressão violenta contra os estudantes agora. Então quais foram os impactos, né, para o Modi?
A gente tem um impacto que é um aumento da revolta popular na DED, a Tati ouvindo, porque a repressão inicial a esses estudantes foi muito violenta, mas muito violenta mesmo. Agora eles estão suspendendo alguns policiais que diz respeitar, desrespeitaram o direito manifestação desses estudantes, desrespeitaram também as próprias leis indianas, né, que permitem essas manifestações democráticas quando elas estão pacíficas. Então o governo Modi inicialmente ele disse, eu vou punir todo mundo, tanto que a gente teve essa frase das baratas, né.
E agora ele tá voltando atrás, inclusive dando anistia para alguns estudantes que foram presos, e também tem prometido, né, que ele vai rever as ações para a juventude, ou seja, políticas mais específicas para a juventude e também para a sociedade em geral. A sociedade indiana, assim como muitas outras asiáticas, é uma das sociedades que ainda cresce demograficamente, só que a gente tem aí uma parcela de excluídos que é muito grande.
E é excluído por questões econômicas, né, você não consegue criar uma classe média na Índia, e também por questões culturais associadas às castas, né. E uma prova de que o Modi, ele teve também que ouvir os estudantes é o fato de esse ministro da Educação que foi acusado de fazer atividades de corrupção e aqueles relacionados a ele foi demitido. Para o Modi, que tá no poder desde 2014, foi um movimento de total exceção porque ele nunca havia cedido a nenhuma manifestação popular.
Só que os jovens conseguiram atingir pelo menos esse objetivo de tirar o ministro da Educação, de se proporem reformas educacionais e de acender para o Modi uma luz amarela de que a juventude juventude, que é a parcela da população que mais cresce no país, está insatisfeita com as condições de vida.
Ô Cris, mudando de assunto, nos Estados Unidos o presidente Donald Trump recebeu hoje o presidente Volodymyr Zelensky. O que que a gente já sabe desse encontro e por que esse encontro tá sendo realizado agora?
É, a gente tem o Trump hoje com uma agenda cheia, né? Ainda eu sempre digo que eu quero ter o vigor dele um dia, né, mesmo sendo muito mais jovem. Mas vamos lá, Por que que o Zelensky foi lá para Washington, né? Lembrando que ontem, que foi o dia 27, ele esteve visitando o novo primeiro-ministro inglês lá em Londres, né, pedindo também a concessão de mais armamentos, acesso a uma indústria de drones britânicas e outras questões também associadas ao apoio do Reino Unido à Ucrânia, tentando garantir que isso continue, ainda que o Biden já tenha garantido isso.
A viagem do Zelensky a Washington é basicamente com a mesma pauta, né? Ou seja, garantir maiores defesas antiaéreas para a Ucrânia, assegurar que os Estados Unidos continuem dando apoio para os ucranianos. E aí um tema que a gente acabou falando aqui algumas semanas atrás, a questão dos Patriots, né, que são aqueles mísseis de defesa antiaérea que o Trump prometeu para a Ucrânia, que não tem como fazer de uma hora para outra, nem na Ucrânia nem nos Estados Unidos.
Tanto que já saíram notícias que estariam exportando não só munições, mas também Patriots para os Estados Unidos na guerra do Irã e para os seus aliados. Então, o que o Zelensky foi fazer foi justamente assegurar que esse apoio, mesmo que não seja na forma de Patriots, mas que em forma de outros armamentos e também financeiro, continue chegando à Ucrânia. E aí a gente também tem um pano de fundo, né, que é o seguinte: a Rússia tem tido avanços importantes na guerra, embora a guerra de drones da Ucrânia ela esteja atacando populações civis russas cada vez com maior intensidade, atividades econômicas, mas o avanço territorial russo em território ucraniano ele tem sido significativo.
Então também é uma forma do Trump negociar com Zelensky talvez a possibilidade de novas negociações, de um novo cessar-fogo. A Rússia tá numa posição confortável, ela disse que não negocia, que Israel continua, principalmente porque Zelensky ataca civis.
E Trump também encontra o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Cris, como é que tá a situação entre Estados Unidos e Israel agora?
É, não tá muito boa, né, Débora? Já tá te ouvindo, né? Na verdade, há uma percepção de que esse encontro ele interessa muito mais ao Netanyahu do que ao próprio Trump. Netanyahu, como a gente sabe, tá numa campanha eleitoral acirrada, né, em Israel para as eleições de 26 de outubro, e ele meio que pediu essa reunião. Ele tá em Washington não só para essa reunião, mas ele veio para o funeral do Lindsey Graham, né, que era sempre um grande apoiador de Israel.
E ele meio que aproveitou para entrar na agenda do Trump. Então, o que a gente tem observado é, de certa forma, um acirramento das disputas, né, entre Estados Unidos e Israel. Obviamente não para o público, mas no campo de batalha mesmo, né. Então, ou seja, Israel querendo a continuidade da guerra contra o contra o Hamas, contra o Hezbollah, menos concessões. E o Trump tentando negociar um cessar-fogo com o Irã e novos posicionamentos tanto no Líbano quanto em Gaza.
E nesse sentido, Netanyahu meio que concedeu, né, para o Trump uma coisa que o Trump queria há muito tempo, que é a colocação de forças militares internacionais chamadas de força de estabilização em Gaza. Netanyahu cedeu a essa demanda americana, mas ao mesmo tempo manteve a postura militar lá. Então a gente tem aí algumas convergências, mas ao mesmo tempo muitas divergências, porque para o Netanyahu de novo interessa a continuidade do conflito, enquanto para o Irã e para os Estados Unidos não interessa.
Então a gente aí tem um desequilíbrio de posições. Lembrando também que o prefeito de Nova York ameaçou prender, né, o Netanyahu se e quando em solo americano, que a gente também falou sobre sobre isso e sabe que não é possível. Ele não tem autoridade para isso, mas criou um clima muito negativo.
Cris, para a gente se despedir, nos últimos dias surgiram algumas conversas, análises na verdade, sobre como os conflitos no Irã e na Ucrânia podem estar se tornando uma coisa só. Você concorda com isso? E como é que isso é possível?
Olha, Tatiana, é possível por conta dos drones, né? E por conta também da proximidade geográfica, geopolítica que a gente tem naquela região. E o que aconteceu para detonar essas nossas hipóteses, né? E eu até concordo, viu, Tatiana, Dede, ouvintes, é algo muito perigoso que a gente tá vivendo agora, que envolve, no caso europeu, a OTAN, mas envolve lá no Oriente Médio, nessa proximidade, o ataque ucraniano a navios iranianos no momento que os Estados Unidos e o Irã estão no cessafogo.
Então é possível que a gente observe a criação de um novo sistema geopolítico de guerra eurasiano. Falando de Ormuz, falando do Estreito de Al-Mandeb, falando também de todas as questões associadas ao uso de drones que excedem o território ucraniano, excedem o território russo. E a Ucrânia diz que ela fez isso porque, porque Irã ajuda a Rússia e a Rússia ajuda o Irã. Só que isso também não é uma visão positiva para os Estados Unidos, né?
Então uma divergência que talvez tenha sido negociada, falada naquela reunião que a gente mencionou. Ou seja, um sistema de guerra euroasiano muito perigoso para todo mundo e para toda a humanidade de uma forma geral, gente.
Perfeito. Cristina Pesecchillo tá conosco toda terça-feira no nosso CBN Pelo Mundo. Obrigada, Cris, um beijo para você, boa semana para gente.
Boa semana, beijão para todo mundo, gente.