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Corredor morre após meia maratona

28 de julho de 20267min
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No domingo (26), um homem de 50 anos que participava de corrida de rua morreu. O Dr. Luis Fernando Correia fala sobre o caso.

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Participantes neste episódio1
L

Luis Fernando Correia

ComentaristaJornalista
Assuntos5
  • Risco cardiovascularEstudo JAMA · Estudo japonês · Idade e risco · Ritmo de corrida
  • Acidentes FataisMeia maratona · Vale-feira · Parada cardíaca
  • Resposta de emergência e períciaDesfibrilador · Tempo de atendimento · Reanimação de corredores
  • Saúde masculina e exames preventivosEletrocardiograma · Teste ergométrico · Abordagem em camadas · Equipamentos Inteligentes
  • Corrida e Hábitos SaudáveisProteção cardiovascular · Doença não diagnosticada · Socorro adequado
Transcrição10 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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LFLuis Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.

?Voz C

Oi, doutor, boa tarde.

LFLuis Fernando Correia

Boa tarde, Tatiana. Boa tarde, Nadedia. Boa tarde, ouvintes. Boa tarde, doutor.

?Voz C

A gente deu uma notícia aqui no domingo da morte de um homem durante a participação numa corrida de rua, um corredor de 50 anos que morreu depois de terminar a meia maratona. E é a partir disso que o doutor Luiz Fernando Corrêa vai fazer o comentário dele hoje, né, doutor?

LFLuis Fernando Correia

É, vamos falar disso, né? O caso do Júlio Barreto, 50 anos, que faleceu no domingo. Eu resolvi falar sobre isso que eu fiz um, fiz até um vídeo sobre o assunto lá no meu Instagram, e muitos comentários e muita gente perguntando principalmente o que fazer, qual é o risco que as pessoas correm, enfim. Então eu vim fazer uma revisão sobre isso, né? Vamos começar pelo risco. Tem um estudo publicado no JAMA, Jornal da Academia Americana de Medicina, em 2025, que acompanhou 29 milhões de pessoas que completaram maratonas e meia-maratonas nos Estados Unidos.

Então foram 6 casos de parada cardíaca a cada milhão de participantes. O risco é quase 6 vezes maior em homens do que mulheres, e mais do que o dobro quando se corre uma maratona inteira em relação a meia-maratona. Além disso, tem um estudo japonês publicado na revista Resuscitation com 4 milhões de corredores, mostrou o peso da idade nessa história. 0,9 caso por 100 mil na faixa dos 40 anos, 2,6 na faixa dos 50 e 5,5 acima dos 60.

E um dado interessante desse trabalho, o trabalho do mesmo grupo esse ano mostrou que o ritmo, o chamado pace, que o corredor persegue, né, o ritmo de quem teve parada cardíaca é igual ao ritmo médio do pelotão. Então não vai ser o corredor mais lento, nem o mais despreparado, e nem o que sai disparado na frente. É um coração que tem uma doença que não foi descoberta. E aí entra a história dos exames, né. Muita gente perguntou lá no Instagram que exame tinha que fazer.

Até onde a gente sabe, pelo relato de pessoas, amigas do Júlio, ele tava com os exames em dia, inclusive. Tem um trabalho italiano que exige, na Itália se exige eletrocardiograma obrigatório para prática desportiva. E esse eletrocardiograma encontrou uma doença em 2% dos atletas e risco de morte súbita em 0,3%. Isso é um custo de 80 euros por atleta. É sempre importante botar o custo porque o custo muitas vezes limita o acesso, né?

Então, fazer um teste ergométrico, que é um elétrico, um esforço, aumenta o achado em 75%, mas também aumentava os falsos positivos. Então, para um corredor amador acima de 35 anos, que são a maioria nas provas de rua, as revisões publicadas esse ano recomendam que seja feita uma abordagem em camadas: um questionário estruturado sobre sensações, dor no peito, no esforço, Desmaio, falta de ar, história familiar de morte súbita precoce, fatores de risco da própria pessoa.

Aí uma avaliação médica com eletrocardiograma e teste ergométrico para quem tiver algum desses itens positivos, onde tiver um risco cardiovascular definido. E o mais importante, gente, tem que revisar esses exames todos os anos. E uma coisa também séria: relógio desses smartwatches as pulseiras que medem frequência e pace, essas coisas, elas não substituem isso, porque esses dispositivos não têm validação diagnóstica, eles perdem a qualidade de sinal durante o exercício pelo movimento, pelo suor, e até hoje nos trabalhos feitos nunca mostraram uma efetividade em reduzir desfecho ruim.

E agora o mais importante dessa história. Nos Estados Unidos, a mortalidade de parada cardíaca numa prova de rua caiu de 71% para 34% em duas décadas. No Japão, onde as provas obrigatoriamente usam equipes móveis de socorristas em bicicletas com desfibrilador, 68 dos 69 corredores que tiveram parada cardíaca foram reanimados. E um estudo japonês também definiu um número que faz muita importância: quando o atendimento começa em até 1 minuto e o choque eventualmente dado pelo desfibrilador em até 3 minutos, 95% das vítimas saem sem sequela neurológica.

Então, gente, é isso que tem que ser perseguido: 1 minuto para chegar ao atendimento e 3 minutos para chegar ao desfibrilador. É isso que tem que ser cobrado de qualquer organizador de qualquer prova no Brasil. Isso a gente estabeleceu. Eu posso falar assim porque isso foi a régua que eu estabeleci. Aí digo eu, eu mesmo, Luiz Fernando, que eu era o coordenador médico geral da Copa do Mundo. Nós tínhamos um desfibrilador a 3 minutos de cada pessoa dentro dos estádios, que essa é a regra.

Então eu posso falar, encher a boca para falar, porque a gente estabeleceu isso. Então, em outro, em outro dado publicado em junho, na revista do Colégio Americano de Cardiologia, 4,5 milhões de corredores japoneses mostrou uma coisa: temperatura mais baixa na hora da largada está associada a mais parada cardíaca, cerca de 6% mais a cada grau na temperatura a menos. Isso que lá também o inverno é muito rigoroso muitas vezes, mas muitos corredores brasileiros viajam para fazer prova em épocas de inverno ou no outono, em países onde essas estações são muito frias.

Isso não quer dizer que uma coisa tá ligada à outra obrigatoriamente, é um estudo observacional. Mas é o seguinte, gente, correr protege o coração? Corre, protege, é muito bom, é bom para o coração, é bom para saúde, bom para cabeça. O que mata é doença não diagnosticada, ou seja, não feita uma avaliação pré-exercício adequada, e você não ter o socorro adequado na hora que precisa. É isso que muda o desfecho e infelizmente pode ter contribuído para essa história que a gente tá contando aqui hoje.

?Voz C

Muito triste, né?

LFLuis Fernando Correia

Tá bom.

?Voz C

Doutor Luiz Fernando Corrêa tá com a gente às terças e quintas no nosso Saúde em Foco. Obrigada, doutor. Até quinta-feira.

LFLuis Fernando Correia

Até quinta, Tati, Nadedja, nossos ouvintes. Até.

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