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Minas Gerais será motivo de atenção das campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro

28 de julho de 202610min
0:00 / 10:21
Vera Magalhães analisa a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta terça-feira (28). O levantamento reforça o cenário de indefinição eleitoral em Minas Gerais e aponta uma disputa mais consolidada em Pernambuco. No cenário presidencial, Minas registra equilíbrio entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto Pernambuco segue como um estado favorável ao presidente.

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Participantes neste episódio3
M

Milton

HostJornalista
C

Cássia Godói

ReporterRepórter CBN
V

Vera Magalhães

ComentaristaJornalista
Assuntos2
  • Situação do PT em Minas GeraisDisputa presidencial · Lula · Flávio Bolsonaro e Vorcaro · Repercussão da declaração de Romeu Zema · Convocação Hugo Souza · Cleitinho
  • Eleições em PernambucoDisputa presidencial · Lula · Flávio Bolsonaro e Vorcaro · Raquel Lira · João Campos
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Nós mais cedo já trouxemos resultados da pesquisa eleitoral nos estados de Minas e Pernambuco. Agora mesmo, repórter CBN, Cássia Godói, atualizou alguns dos números lá em Minas Gerais. E agora a gente traz análise com a Vera Magalhães, a quem agradeço pela gentileza de estar conosco nesta manhã aqui no Jornal da CBN. É sempre um prazer recebê-la, Vera. Bom dia!

VMVera Magalhães

Oi, bom dia, Milton! Bom dia, Cássia! Bom dia aos ouvintes também, para quem tá assistindo o Jornal da CBN pelos aplicativos.

?Voz C

Bom dia, Vera.

?Voz A

E vamos começar olhando pelo estado de Minas. Aparece Cleitinho liderando com folga, mas quase 2 terços dos eleitores ainda podem mudar de voto. E tem também o olhar nacional, né, com Lula e Flávio Bolsonaro empatados e mobilizando eleitorados mais consolidados. Quero que você traga para nós aquilo que você destaca desses dados que apareceram em Minas Gerais agora.

VMVera Magalhães

Impressionante a eleição em Minas Gerais, né, Milton, porque é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil. O estado que é considerado crucial para definir a eleição presidencial, porque nas últimas eleições, ao menos desde 2010, tem se dado uma coincidência absoluta entre os números de Minas e os números do Brasil. E existe uma indefinição gigante lá. Você destaca aí a questão de que muita gente ainda admite mudar de voto simplesmente porque não se sabe nem sequer quem vão ser os candidatos.

O candidato que lidera as pesquisas talvez não seja candidato. O candidato que é governador do estado, que assumiu o governo depois da renúncia do Romeu Zema, que é o Mateus Simões, ele tem uma votação inexpressiva praticamente. E quando você olha um outro dado, que é o dado da pesquisa espontânea, que não é assim tão relevante porque a gente tá indo um pouco longe da eleição, Mas quase ninguém nem chega a pontuar. Então os mineiros não sabem quem serão os candidatos ao governo do estado até agora.

Então essa indefinição também se reflete na disputa nacional. Lula teve de intervir pessoalmente para definir o candidato do PT, acabou optando por um nome histórico do PT mineiro, que é o do ex-prefeito de Belo Horizonte, deputado Patrulha Ananias. Que até não vai tão mal, porque a gente sabe que o PT, desde que governou o estado com Fernando Pimentel, passou a ter muitas dificuldades em Minas, um desgaste muito grande que veio da coincidência do governo Pimentel, marcado por várias denúncias, e o impeachment da Dilma Rousseff.

E os dois eram muito próximos, Fernando Pimentel e Dilma Rousseff. Então essa situação se reflete nesse cenário de empate para o segundo turno. E isso vai ser motivo de atenção das campanhas, tanto do Lula quanto do Flávio Bolsonaro, porque eles sabem a importância de vencer em Minas para vencer no Brasil. Então a gente vai, durante esse período que começa agora efetivo da campanha eleitoral, prestar muita atenção em Minas Gerais.

?Voz C

Agora, quando a gente olha para Pernambuco e olha para esse cenário da corrida presidencial, aí a realidade da pesquisa é outra, né, Vera? A gente observa aqui que em Pernambuco 55% indicam o voto no presidente Lula contra 21% de Flávio Bolsonaro. Isso num primeiro turno. No segundo turno, em um eventual segundo turno entre eles, Lula aparece com 58%, a 24% contra Flávio.

VMVera Magalhães

Pois é, mas isso também me chamou atenção, Cássia, porque o Lula tem em Pernambuco um dos seus estados mais fortes. Isso é o estado natal do presidente da República e ele sempre foi muito bem em Pernambuco. Em 2022, ele teve 67% dos votos válidos no segundo turno em Pernambuco. Então agora a gente tem ali uma largada um pouco menos vantajosa, com uma vantagem um pouco menos elástica para o presidente nesse estado. E tem uma disputa tão acirrada para o governo que talvez ajude a explicar um pouco essa situação.

A governadora Raquel Lira, que lidera em todo e qualquer cenário na espontânea, todos os cenários de primeiro turno, no segundo turno, em quase todos todos os segmentos da pesquisa, pouquíssimas exceções em que ela não lidera. Eu me lembro aqui agora só dos mais de 70 anos, é o único cenário em que eu vi que o João Campos lidera. Ela lidera entre homens, entre mulheres, entre católicos, entre evangélicos, quase todas as faixas de renda e de escolaridade, em que ela tem o voto de quem se identifica como independente, direita, não bolsonarista, e direita bolsonarista.

Então ela tá levando todos esses votos, praticamente na integralidade, e dividindo os votos da esquerda, dividindo praticamente por igual quem se diz de esquerda não lulista. E aí sim, com uma pequena desvantagem na direita lulista, na esquerda lulista, me desculpa. Então a eleição de Minas muito acirrada, muito mais mais acirrada do que o João Campos pressupunha quando decidiu renunciar à prefeitura para a qual ele acabou de ser reeleito, para disputar o governo ainda muito jovem.

Os índices de aprovação gigantes dele no Recife o levavam a imaginar que teria uma eleição tranquila para o governo de Pernambuco, mas a governadora Raquel Lira vem de uma recuperação de mais ou menos 2 para cá muito consistente. Ela começou mal, não tinha apoio da Assembleia, teve muita dificuldade de aprovar os primeiros projetos dela no começo do governo, mas conseguiu montar uma coalizão, conseguiu reforçar a sua presença, a presença do governo, principalmente no interior, com muita obra.

E agora chega a eleição fortalecida e com uma possibilidade real de se reeleger e impor uma derrota ao grupo do João Campos, né, que vem de uma linhagem política, domina o estado por muito tempo, dominou primeiro com o bisavô dele, Miguel Arraes, depois com o pai dele, Eduardo Campos. E essa eleição muito interessante mostra ali que é diferente, é muito diferente a situação de Minas, porque Porque o eleitorado pernambucano é tradicionalmente muito politizado, e lá você vê já na espontânea uma definição muito clara entre os dois candidatos.

Os dois pontuam bem na espontânea. Então, uma eleição que já deve ser decidida no primeiro turno, e com, por enquanto, com vantagem da Raquel Lira. João Campos vai ter que traçar uma estratégia muito consistente para virar Porque vai ter que ser uma virada. Ela descreveu uma virada. Então, em relação à pesquisa de abril, faz um X em quase todos os segmentos mostrados pela Quest, e ele vai ter que desfazer o X para vencer a eleição. Muito interessante de acompanhar esse cenário.

?Voz A

E esse crescimento dela vem acompanhando também o crescimento da avaliação do governo dela. Todas as pesquisas têm mostrado isso, quer dizer, à medida que a avaliação foi subindo, ela também foi superando o seu adversário mais direto, João Campos do PSB, Raquel Lira do PSD. Só para fechar aqui nossa conversa, nas duas pesquisas se olha a disputa nacional, você já chegou a citar. Lá em Minas Gerais, que é aquele, aquela fotografia do Brasil, se é que podemos dizer assim, é uma divisão entre Lula e Flávio.

E me chama atenção Romeu Zema, né, que mesmo estando no seu estado tem 12% das intenções de voto.

VMVera Magalhães

Exato, ele faz um percurso diferente do Ronaldo Caiado, que sai muito bem de Goiás, né? Goiás é um estado muito menor na ponderação de votos nacional, ele equivale a menos em relação ao eleitorado nacional. Mas a diferença entre um governo que terminou bem avaliado, que é o do Caiado, e aí por isso ele lidera no estado dele, e um que terminou muitos problemas de avaliação, que é o do Zema, e que isso se reflete na votação dele para presidente da República.

Ele tem só 12%, e também na situação do governador Mateus Simões, a ponto de o PL não querer apoiá-lo, de talvez, se o Cleitinho não for candidato, lançar um candidato próprio, que é, tem pouquíssima chance também, é nanico nos cenários traçados pela Quest. E o Zema com essa dificuldade em casa, e é uma dificuldade que ele tem em outros aspectos também, né? O Partido Novo não vai ter muito tempo de TV, não tem alianças. Então é uma candidatura quase para marcar posição, como o Novo já fez em outras disputas com o João Almoedo, depois com Luiz Felipe Dávila.

?Voz A

Muito obrigado, Vera Magalhães. Bom dia para você, até mais tarde.

VMVera Magalhães

Até mais tarde, um ótimo jornal para vocês, e eu volto no CBN Brasil.

?Voz C

Até mais.

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