Vicio em apostas podem funcionar como dependência química para o cérebro
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Luiz Fernando Corrêa
- Ludopatia como dependênciaLudopatia · Dependência química · Circuito de recompensa cerebral · DSM-5 · CID-11
- Consequências da ludopatiaEndividamento · Depressão · Ansiedade · Comportamento suicida
- Mercado de Apostas Esportivas no BrasilApostas esportivas · Aumento de apostadores · Comportamento problemático · SUS
- Tratamento para ludopatiaCAPS · Terapia cognitivo-comportamental · Alcoólicos Anônimos · Autoexclusão
Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.
Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia.
Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, Doutor.
Doutor Luiz Fernando, vamos falar aqui sobre ludopatia.
Isso aí, Milton. A gente vai falar sobre ludopatia. As pessoas podem não estar ligando o nome ao caso, né, mas é um transtorno psiquiátrico, um transtorno do jogo. É uma doença reconhecida. É importante que o Brasil passe a entender isso. Desde, enfim, o Manual Diagnóstico da Associação Psiquiátrica Americana, o DSM-5, tirou o jogo patológico numa gaveta que ele tava lá nessa lista de transtorno de impulso e colocou como dependência junto a álcool e drogas.
A Organização Mundial da Saúde fez a mesma coisa na nova classificação, na CID-11, existe uma categoria específica inclusive para o jogo pela internet. Por que a gente tá falando disso, Milton? Porque a Copa do Mundo escancarou esse problema que já vem acontecendo no Brasil já há alguns anos, né? As pesquisas, Milton, mostram que o cérebro de quem aposta compulsivamente funciona como o cérebro de quem tem uma dependência química.
Afinal de contas, é o mesmo circuito de recompensa, a mesma tolerância que torna a necessidade de apostar valores cada vez maiores, e a mesma irritação, o mesmo descontrole quando se tenta parar. E a gente sabe que no Brasil esse problema deixou de ser um problema menor. Depois que essas bets foram liberadas, né, e inclusive ainda com as que não foram, mas também existem. Segundo dados apresentados pelo Ministério Público Federal no final do ano, mais de 25 milhões de brasileiros apostaram em plataformas legalizadas, fora as outras, né.
Uma pesquisa da Unifesp estima que 11 milhões desses brasileiros que apostaram têm um comportamento problemático com aposta. O Ministério da Saúde entende que essa ludopatia é a quarta dependência mais comum do país, atrás apenas do álcool, tabaco e maconha. E os atendimentos no SUS cresceram 140% entre 2018 e 2025. Então é importante entender isso, porque ter esse comportamento problemático não é só isso que vai fazer o diagnóstico.
Número, afinal de contas, mede coisa diferente. O que eles mostram é o seguinte: existe uma tendência preocupante e essas consequências vão muito além do bolso, porque tem endividamento, inadimplência, família desestruturada, mas também junto com isso vem os efeitos: depressão, ansiedade, insônia e o mais importante, o aumento do risco de comportamento suicida. Quem sofre com isso, Milton, sofre muitas vezes em silêncio, que tá com vergonha do que tá acontecendo com ele dentro da família, muitas vezes ninguém sabe do que tá acontecendo, é muito comum, a gente já viu Ele é visto bastante, várias descrições disso.
E lembrar que a gente tem tratamento para isso, é importante. No SUS, a porta de entrada são os CAPs, os Centros de Atenção Psicossocial. A terapia cognitivo-comportamental é a melhor abordagem, com melhor evidência, mas grupos de apoio como Jogadores Anônimos ajudam bastante também. É o seguinte, né, existe a ferramenta das plataformas que tiveram que colocar as ferramentas de autoexclusão que permitem bloquear o próprio acesso a quem tá se sentindo com esse problema.
Então é o seguinte, se conhece alguém, sabe, alguém encaminha essa conversa, encaminhe, tenta encaminhar, converse sobre isso, tenta abrir a conversa dentro de casa, porque enfim, a gente já viu isso terminar mal, né, Milton? Infelizmente.
Muito obrigado por esse alerta, Dr. Luiz Fernando, e um bom dia.
Bom dia para você, Milton, Cássia e todos os ouvintes. Bom dia, doutor.