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Em conversa com Lula, Xi Jinping rejeita interferências externas no Brasil

27 de julho de 20265min
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Miriam Leitão fala sobre a conversa entre Lula e o presidente da China, Xi Jinping, em meio ao aumento das tensões diplomáticas e comerciais envolvendo o Brasil. Ela destaca o fortalecimento da relação brasileira com outros mercados diante das tarifas impostas pelos EUA, o apoio chinês ao Brasil contra interferências externas, neste caso, Donald Trump.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
M

Miriam Leitão

HostJornalista
Assuntos3
  • Relações Brasil-ChinaLula e Xi Jinping · Acordo Mercosul-China · Interferências externas · Donald Trump e a NASA
  • Tensões comerciais EUA-BrasilTarifas americanas · Donald Trump e a NASA · Processo eleitoral brasileiro
  • Crise diplomática Brasil-ArgentinaJavier Milei · Protocolos de diplomacia · Ofensas ao presidente Lula
Transcrição4 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
MLMiriam Leitão

Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão.

CACarlos Alberto Sardenberg

E aí, Miriam, boa tarde, Sardenberg, boa tarde, Cássia, boa tarde, ouvintes. Boa tarde, Miriam.

MLMiriam Leitão

Presidente Lula conversou por telefone ontem à noite com o presidente da China, Xi Jinping, e discutiram o acordo Mercosul-China, tentativa aqui do Brasil de abrir outra, enfim, de aprofundar outras relações comerciais. E também o Xi Jinping apoiou o Brasil no que ele chamou de rejeição a intervenções, interferências externas. É o Trump, né?

CACarlos Alberto Sardenberg

Pois é, e esse é um momento interessante, né, desse, da conversa dos dois, porque de um lado você tem uma escalada do governo Trump contra o Brasil. É assim, ele, essas tarifas da semana passada foram contra inúmeros países, mas o Brasil é mais uma tarifa, né, mais uma tarifa que já se soma a outras sobre taxas. Então vai ter produto brasileiro pagando 50% para entrar no mercado americano. Isso é de um lado, quer dizer, as hostilidades em relação à pauta comercial são cada vez maiores.

Mas não só, né, essa tentativa de vir 2 enviados do governo de uma forma assim meio nebulosa, que viriam não para como observadores de eleição, que é normal, normal ter observadores internacionais no processo eleitoral, mas eles vêm para questionar o processo eleitoral. Isso depois da reunião de Flávio Bolsonaro com embaixadores para de novo levantar dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro, sobre a segurança das urnas. Então isso já é um problema grande, mas isso justificaria essa conversa.

Mas além disso tem uma outra complicação, porque essa conversa E essa conversa sobre negociação entre Mercosul e China, um acordo entre Mercosul e China, acontece no momento mais alto da tensão entre Brasil e Argentina por causa da vinda do presidente Javier Milei ao Brasil. Conversei mais cedo isso com Milton e Cássia e ele quebrou todos os protocolos de diplomacia, né, o Milei, ao vir sem informar o governo que tava vindo. Não era, era uma viagem que não era viagem oficial, ele pode vir, mas como ele é um chefe de Estado deveria comunicar o Itamaraty, não comunica, vem e é recebido por São Paulo, pelo governador de São Paulo, como se São Paulo fosse um estado à parte e não um estado federado do Brasil.

E aí no palanque ele ofende o presidente, Lula ofende o ministro e faz todo de novo, levanta dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro. Então a tensão chegou no máximo, chamaram o embaixador Júlio Bittelli de volta ao Brasil. Então nesse momento não tem diálogo entre os dois países, eles estão com relações normais e tal, mas não exatamente normais. Quando você chama o embaixador é um sinal muito forte de desagrado, né? E nesse momento ele vai, ele conversa com Xi Jinping.

Aí você pode falar, mas então a conversa foi perdida? Não, não foi perdida. Primeiro porque tem muita coisa para conversar entre Brasil e China, a relação entre Brasil e China é intensa, tem muitas questões. E esse episódio da crise com a Argentina pode ser superado pela diplomacia. Mas tá certo retomar, ficar sempre em contato com todos os países e procurar alternativas ao mercado americano cada vez mais fechado para todo mundo, né, e muito fechado para o Brasil, porque no Brasil tem um componente político-eleitoral da tentativa do governo Trump de interferir no processo eleitoral brasileiro.

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