Dá para confiar no impedimento semiautomático do Brasileirão?
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PVC
Carol
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Prancheta do PVC com Paulo Vinícius Coelho.
Oi, PVC, boa noite, tudo bem?
Oi, Débora, tudo bem e você? Tudo bem, Carol? Vamos reclamar do quê hoje? Vamos reclamar do quê hoje?
Vamos reclamar do impedimento semiautomático do juiz, claro. Sempre é lógico, a gente tem que reclamar de alguma coisa. Qual é que é essa aí de impedimento semiautomático?
Olha só, equipamento que tá sendo usado no Brasil é o mesmo que é usado na Premier League, no campeonato inglês. Mas assim, o problema tem uma questão de evolução do equipamento, de evolução do, do, da demonstração do equipamento também, né? Porque o que se reclamou no final de semana foi que se mostrou o momento em que o jogador aparece em impedimento, mas não se mostra o momento em que saiu o passe. E como a gente sabe, o impedimento se caracteriza no momento do passe.
O jogador que vai receber o passe tem que estar na mesma linha ou atrás de 2 últimos defensores, que normalmente é o goleiro e mais um, né? Vamos, a gente entende, é o goleiro e mais um, são 2. E também a gente tá vendo o momento final da jogada, não tá vendo o momento inicial da jogada, mas não significa que não se tenha um momento inicial da jogada. Outra questão, tem gente dizendo que depende do frame, ou seja, de alguém, mão humana, decidir qual é o momento que vai se escolher.
Mas não é o equipamento que tá aqui no Brasil. Ele tem uma estrelinha no meio da tela que indica o momento que a bola saiu do pé do jogador e que vai chegar no que vai receber para saber se tá impedido ou não. O equipamento é perfeito? Não. É impossível é Deus pecar. Mas durante 155 anos, entre a criação da lei do jogo que incluía o impedimento desde o início até 2018, quando se criou o VAR, a gente confiava no bandeirinha. E durante muito tempo desse período de 155 anos, a gente sabia que humanamente era impossível o bandeirinha ter certeza absoluta de que a bola saía de um pé no momento em que o cara tava em condição legal.
E a gente confiava na capacidade humana de medir esse impedimento. Esse é um ponto que eu acho fundamental. Olha só, o impedimento semiautomático, na minha opinião, tornou a vida melhor do que vinha sendo. Aí, é perfeito? Não. E a gente tem que tentar aperfeiçoar o tempo inteiro, mas a gente precisa acreditar em alguma coisa. Como a gente acreditou durante 155 anos no bandeirinha, agora tá só se imaginando que, ó, tem o equipamento que pode demonstrar de forma melhor, mas no primeiro dia foi muito mais rápido, foi muito mais preciso, foi muito mais confiável do que vinha sendo com aquela coisa de mostra a linha de cá.
Não, mas a linha tá reta. Não, mas a linha tá torta. Ou do que acreditar no bandeirinha que tem um olho capaz de— árbitro é diferente de juiz, porque árbitro é alguém que você escolhe com capacidade que você imagina que os dois lados escolhem para arbitrar conflitos. E a gente não acredita mais nisso. Então assim, a gente começou com arbitragem em 1863 e a gente começou a xingar a mãe do árbitro. Agora tá xingando a mãe do impedimento automático. Hoje se acredita em alguma coisa, a gente abre um açougue.
Impedimento automático não tem mãe, né? Pelo menos nessa aí as mães estão livres.
Xingar a mãe é machismo, evidente. Evidentemente que é, né? Só tô brincando com a situação como se criou. Se você— o esporte só virou um grande negócio, Carol, porque é esporte. É o esporte mais bem-sucedido dos últimos 200 anos, porque a gente achou que— olha, olha que legal, tá impedido, não tá impedido, deu polêmica, não deu polêmica. Se for para não acreditar em nada, vamos jogar xadrez.
O PVC, vamos falar da rodada. Palmeiras e Flamengo desperdiçaram pontos aí na mesma rodada, né?
Na mesma rodada. Eu tava fazendo a conta porque me chamou atenção. Acho que o nosso papel aqui é tentar ter curiosidade e descobrir coisas que não sejam ditas a semana inteira, o dia inteiro, de ontem para hoje. Embora tenha dito de manhã, mas assim, nos últimos, a última vez que Palmeiras e Flamengo perderam na mesma rodada foi 84 rodadas atrás, no dia 26 de junho de 2024, quando o Palmeiras perdeu para o Fortaleza 3 a 0 e o Flamengo perdeu para o Juventude 2 a 1.
De lá para cá, em 84 rodadas, essa aqui é a 11ª vez, apenas 11ª vez, o que significa 13% das rodadas em que o Palmeiras e o Flamengo, nenhum dos dois ganhou na rodada. Isso vai ao encontro do que a gente tem falado sobre a polarização do campeonato entre Palmeiras e Flamengo. Tá claro que tá polarizado pelo segundo ano seguido. Que nos últimos 8 anos polarizou, embora só uma vez nesses últimos 8 anos Palmeiras e Flamengo tenham sido campeão e vice, duas contando 2018, 2018 e 2025.
Mas é muito, muita coisa você pensar que pelo menos um dos dois ganha. Diferentemente, nesta rodada os dois não venceram pela quarta vez neste campeonato. Na primeira rodada deste campeonato, o São Paulo perdeu O São Paulo ganhou do Flamengo e o Palmeiras empatou com o Atlético. Nesta aqui, a primeira do retorno, aconteceu o oposto: Palmeiras perdeu do Atlético e o Flamengo empatou com o São Paulo. São 4 vezes neste campeonato.
Para você ter uma ideia, como a gente fala de espanholizar, eu pretendo que no futuro próximo a gente transforme o verbo espanholizar em ganhar Copa do Mundo, sinônimo de ganhar Copa do Mundo, e não de polarizar campeonatos. Mas nas últimas 84 rodadas da Espanha, só 4 vezes Real Madrid e Barcelona, os dois não ganharam juntos neste campeonato. Quarta vez Palmeiras e Flamengo não ganharam juntos, mas nas últimas 84 rodadas, Palmeiras e Flamengo não ganharam juntos 11 vezes, o que dá 13% das rodadas apenas.
Valeu, PVC, beijo, até amanhã.
Beijo, Débora, beijo, Carol, até amanhã.
Beijo, PVC.