Milei rompe regras diplomáticas e agrava crise sem precedentes entre Brasil e Argentina
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Beatriz Pacheco
Carlos Eduardo Éboli
Miriam Leitão
- Crise diplomática Brasil-ArgentinaJavier Milei · interferência eleitoral · desrespeito a protocolos · Alexandre de Moraes · Lula
- Rivalidade Brasil x Argentina no futebolcarinho entre os povos · rivalidade no futebol · Milei e impopularidade
Dia a Dia da Economia com Miriam Leitão. Muito bom dia para você, Miriam Leitão! Bom tê-la de volta, os ouvintes também agradecem.
Bom dia, Milton! Bom dia, Cássia! Bom dia, ouvintes queridos! Eu também com saudade.
Todos nós, Miriam.
Que bom que você tenha voltado aí energizada, porque temos—
eu descansei bastante mesmo.
Que bom, ficamos felizes com isso. E até porque teremos tempos duros daqui para frente. Estamos aí já com a campanha eleitoral acelerando. E queria comentar com você aqui, queria ouvir a sua opinião a propósito disso que eu tenho visto como uma espécie de dissonância nas relações diplomáticas, né? Final de semana tivemos mais uma nessa relação com Argentina, com a presença de Javier Milei aqui no Brasil, e não era para uma conversa diplomática.
É exatamente o que aconteceu na visita do presidente da Argentina ao Brasil, é que tudo foi errado. Normalmente, quando um presidente visita outro país, ele tem que comunicar oficialmente, ainda que seja uma viagem de interesse privado. Então ele comunica que tá indo, às vezes tem um contato com alguém do governo e faz o seu trabalho, né, e faz o seu, a sua programação, ainda que não seja uma visita oficial. Ele não só não comunicou, ele veio diretamente para São Paulo.
Em São Paulo foi recebido pelo governador com honras de chefe de Estado, botou o tapete azul para recebê-lo. E depois disso ele fez um discurso em que foi muito violento nas críticas ao governo brasileiro, interferiu diretamente no processo eleitoral e ofendeu com palavras absolutas, absurdamente inusuais, tanto um ministro do Supremo Tribunal Federal quanto o presidente Lula, e interferindo diretamente na campanha. Então foi tudo errado, e o resultado foi que o governo brasileiro chamou o embaixador Júlio Bittelli de volta ao Brasil e chamou o embaixador argentino para pedir explicações.
Isso são gestos diplomáticos que mostram o profundo desagrado do Brasil em relação àquele comportamento, né? Chamar o embaixador de volta é uma espécie de deixar a representação do Brasil na Argentina em suspenso. Essas são as linguagens diplomáticas, né? Foi o que o Brasil fez. Eu já vi muitas vezes crises entre Brasil e Argentina Mas essa crise, ela é muito grave, ela é realmente muito grave, porque o presidente Milei, ele quebrou todas as regras e fez um desrespeito completo ao governo brasileiro e ao processo eleitoral brasileiro, né?
A gente tem que respeitar o processo de cada um, não pode interferir na vida interna dos países. E ele usando palavras completamente dizairosas ao ministro Alexandre de Moraes e ao presidente Lula. Não faz nenhum sentido esse comportamento. E ele foi, voltou para Argentina, e a entrevista que ele deu lá, ele deu uma entrevista dizendo que o Brasil faz, financiou a campanha anti-Argentina após o Mundial. Quer dizer, não faz sentido nenhum isso, né?
Ele fez uma afirmação sem qualquer prova. Não há uma campanha anti-Argentina e principalmente não há uma campanha financiada pelo governo brasileiro contra a Argentina. Isso não faz sentido nenhum, Cássia.
E incrível, né, Miriam, que ele vem aqui tentar angariar alguma popularidade no momento que ele tá passando por uma série de situações muito difíceis no próprio país, inclusive com um índice de reprovação bem alto, na casa dos 58%.
É exatamente, a situação é essa na Argentina. Eu, como parte das minhas férias, Eu fui à Argentina, exatamente à Argentina, com meus netos mais velhos. O que eu posso contar da viagem é o quanto que há de carinho e amor entre os dois países. Os meus netos estavam entusiasmadíssimos de ir à Argentina. A gente foi ao Uruguai também. E eu cheguei e falei, olha, eu não tenho programação, eu vou fazer o que vocês quiserem. E eles tinham uma lista grande de coisas.
Ah, queremos ir na Bomboneira, queremos ir no Caminito, queremos ir na Praça de Maio, ver a Casa Rosada e tirar foto, vamos à faculdade, à escola de direito, vamos andar na Recoleta. Eles tinham uma lista de coisas e eles, e a gente foi muito bem recebido, as pessoas tratando a gente bem. E se vê o carinho que sempre houve entre os dois povos, apesar da rivalidade no futebol que sempre teve, é meio tradicional e é quase folclórico.
Mas a gente inclusive acompanhou os argentinos na semifinal, acompanhou dentro de um bar vendo como eles torcem à distância ali, né, mas com o carinho por jogadores como Messi, né. E enfim, o que eu quero dizer com essa, contar a minha viagem, é mostrar que os dois povos permanecem com muita relação apesar dos problemas recentes. Dos atos de racismo que a gente viu alguns argentinos em relação ao povo brasileiro, mas que tem muito, muita relação, muito carinho entre os dois países.
E esse comportamento do presidente da Argentina é totalmente absurdo, e ele faz isso exatamente para enfrentar a impopularidade. Aliás, uma das coisas que a gente viu na Praça de Maio. Foi uma manifestação que eclodiu de repente contra o Milei, e a gente viu. E portanto, a gente viu Argentina em todos os seus lados, Cássia e Milton.
Muito obrigado, Miriam. Obrigado pelo seu retorno. Até amanhã.
Até amanhã.
Até mais.