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PL lança candidatura de Flávio Bolsonaro sem 'propostas para o futuro'

26 de julho de 202612min
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Marco Ruedigeravalia que a convenção do PL concentrou o discurso em críticas ao governo Lula e ao PT, mas não apresentou uma narrativa capaz de projetar o futuro do país nem de ampliar o alcance da candidatura de Flávio Bolsonaro. Ouça a análise no Revista CBN.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
M

Marco Ruediger

Comentarista
Assuntos4
  • Campanha de Flávio BolsonaroCríticas ao governo Lula e PT · Falta de propostas para o futuro · Eduardo Bolsonaro e STF · Dificuldade no eleitorado feminino · Ausência de coligações amplas
  • Resposta de Flávio Bolsonaro à acusaçãoProblemas de Solvência do Banco Master · Sigilo contratual e falta de clareza · Relações com outros países e movimentos internacionais · Interferência em eleições brasileiras · Comparação com figuras políticas do passado · Ausência de propostas para o futuro
  • Fragilidades e resiliência da direitaResiliência do campo da direita · Estratégias de Flávio Bolsonaro · Erro dos outros candidatos em não fazer primárias · Cenário de segundo turno
  • Reflexões sobre o Passado e o FuturoDesejo do brasileiro por expectativa de futuro · Estratégia política de Lula · Oposição focada no passado e saudosismo · Insegurança com inteligência artificial e robotização · Vocação do Brasil para liderança regional e global
Transcrição18 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz A

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?Voz B

A Semana Política com Marco Rüdiger.

?Voz C

Marco Rüdiger, muito boa tarde.

MRMarco Ruediger

Boa tarde, boa tarde.

?Voz C

Bom, estamos aí com as convenções, né, já oficializando as candidaturas à presidência da República, né, outras também, mas vamos falar aqui das candidaturas à presidência. Ontem foi dia da candidatura do Flávio Bolsonaro ser oficializada, né, um evento do PL. Basicamente do PL, né, porque não foi fechada aliança, coligação com outros partidos. Hoje é a do Caiado, e assim vai sucessivamente. Amanhã vai ser do Zema, do presidente Lula vai ser dia 2. Bom, e aí, que que nós podemos falar? Vamos começar falando do Flávio?

MRMarco Ruediger

Vamos, vamos começar falando do Flávio. Na verdade, o Flávio, ele já Ele, enfim, ele teve más notícias, né, sucessivamente. Agora a questão do Banco Master novamente volta essa pauta, né. Então isso gera uma, obviamente, uma certa tensão na sua própria campanha. Tinha a questão da Michelle, se a Michelle ia desembarcar de novo na campanha dele ou não. E na verdade foi muito protocolar a aparição dela distante, é como se ela tivesse reservas do que pode acontecer, pode ser visto daqui para frente, né, e não quisesse ter um comprometimento tão grande como se esperava, né.

?Voz C

E tem também, foi muito pro forma, né, como você falou, protocolar, né, muito protocolar, muito protocolar.

MRMarco Ruediger

Eu acho que não foi à toa não. Assim, ela tá conseguindo o que ela quer, o que é basicamente, e é muito legítimo. Ela ajudou a organizar o PL, PL Mulher. Eu acho que é um trabalho muito grande que ela fez, e ela um lugar na mesa para fazer discussão. Não quer ser só uma figura decorativa dentro de um processo político no qual ela tem um capital político muito grande. Até porque na direita, em especial Flávio Bolsonaro, ele tem uma dificuldade muito grande no eleitorado feminino.

Então essa é uma grande, é uma questão realmente complicada. Agora assim, teve uma outra questão que foi difícil também, porque não conseguiu atrair, Flávio Bolsonaro não conseguiu atrair ainda grandes montar uma coligação que lhe desse mais tempo na mídia, mais tempo de televisão, mais tempo de rádio, né? A questão do PP, da União Brasil, foi problemática, e isso teve uma repercussão bastante grande. Então, quando a gente olha os números, por exemplo, né, esses debates todos, eles acabam tendo um impacto muito grande.

Então, ontem, a convenção dele foi uma convenção que É, ele teve uma notícia boa, isso é importante falar, né? O Datafolha mostra uma resiliência do nome dele no segundo turno. Isso é uma coisa que tem que ser considerada também. Mas eu vou dizer uma coisa aqui para os nossos ouvintes, que é o seguinte: a resiliência não é exatamente do Flávio Bolsonaro. Acho que o Flávio Bolsonaro é uma candidatura que tem muitas fragilidades, né?

Mas a resiliência é do campo da direita. Existe um campo de direita que é muito forte. E quando olha hoje o debate, aparece de forma muito protagônica pro bem, pro mal, sempre o nome do Flávio. Então Flávio, ele acaba canalizando, hegemonizando, digamos assim, a percepção de que ele é o nome da direita. E aí é um erro dos outros candidatos que estão fazendo suas convenções agora. O Caiado tá tentando fugir um pouco disso, né? Hernan Santos também.

Que é basicamente o seguinte: como é que você vai, dentro de uma disputa de campo, não fazer uma espécie de primária no primeiro turno e dizer, eu sou o melhor candidato para representar o nosso campo no segundo turno? Porque para o Lula é uma situação muito, muito boa, porque ele tá no segundo turno. Se tiver um segundo turno, olha só, hoje eu começo a pensar nesses termos. Eu particularmente acho que haverá segundo turno, mas não existe uma pequena possibilidade dele não haver, né?

?Voz C

Então a diferença entre os dois é pequena, né?

MRMarco Ruediger

Exato. Então assim, eu acho assim, mas no final só é metade do voto. Então isso daí, dependendo de quanto a direita se dividir, o quanto o centro resolver não apoiar Flávio Bolsonaro, isso aí passa diretamente. Qualquer notícia, qualquer coisa que, como a gente tem visto, uma segunda rodada de problemas com banco master, etc., isso já gera um caos na campanha. Até porque Flávio Bolsonaro não explica claramente o que que ele fez com o dinheiro que ele recebeu, para quem ele pagou.

Ele disse que tem um segredo aí de contratual, mas um sigilo contratual. Mas enfim, ele é senador, candidato a presidente, isso é um problema. E o segundo problema que eu vejo com muita clareza é insistência de se apoiar em outros países, em relações com outros países e com movimento, digamos assim, mais internacional, para operar dentro da política brasileira, né? Então a questão do tarifácio é uma questão permanente. Eu acho que é uma questão que obviamente será muito explorada durante a campanha.

E Flávio Bolsonaro insiste nisso. Ele recentemente, ele traz uma discussão sobre o Brasil, fala sobre a incerteza das urnas eleitorais e traz dados da CIA. Quer dizer, enfim, quem é que tá orientando ele? E aí faz um nexo com essa notícia que nós tivemos agora, as pessoas do Departamento lá de Justiça dos Estados Unidos querendo vir ao Brasil para examinar se as nossas eleições, assim, eu acho o seguinte, tem um problema Quando você olha a direita no passado, você tinha figuras assim, você tinha o Thales Ramalho, você tinha o Tancredo Neves, que era um cara de centro-direita assim, né?

Você tinha nomes que operavam a política num nível de elegância e numa capacidade de articulação, sobretudo de preservação da independência do Brasil, independente do resultado eleitoral, né? E qualitativamente era diferente. Mesmo o exemplo talvez mais radicalizado, né, digamos assim, Carlos Lacerda, que chegou a estar uma vez com o presidente dos Estados Unidos. Mas o fato que ele tinha outra envergadura intelectual, inclusive.

O debate que vem é muito pobre, são dancinhas. O que a gente viu ontem naquela conferência, ontem no PL, assim, ele vai trazer o Milei, né? Quantos votos tem o Milei, entendeu? Nenhum. Eu acho que depois da Copa então tem muito menos. Então eu acho que isso é uma ausência positiva.

?Voz C

Da direita, que ele já tem, né?

MRMarco Ruediger

Outro país vem aqui criticar o ministro do STF. Quer dizer, continua uma questão de um tensionamento institucional, continua um discurso de subordinação internacional a interesses que não são necessariamente do Brasil. E é muito espantoso porque, por exemplo, se você pega os tarifaços, o estado que mais sofreu foi São Paulo. O que que o Tarcísio falou sobre tarifaço? Nada, absolutamente nada. Então são problemas que a gente vê que essa campanha tem de dizer o seguinte para o Brasil, que eu acho que todas as pesquisas que eu tenho, que nós temos aqui, são, elas dialogam diretamente com isso.

O brasileiro hoje ele quer uma expectativa de futuro. Então isso de certa forma explica um pouco a dificuldade que Lula tem, que Lula representa muito o status quo, garante uma série de direitos, mas qual é a mensagem de futuro? Agora, no caso, quem faz oposição a Lula não traz uma mensagem de futuro, traz uma mensagem de passado, é em cima de um saudosismo, uma coisa que vai para trás ainda. Então tem uma carência do brasileiro, que hoje vive uma insegurança muito grande, inclusive com o aumento da inteligência artificial, que vai tirar emprego, robotização vai tirar emprego, o futuro é muito mais incerto.

Então, como é que vai ser o meu futuro? Como é que vai ser o futuro dos meus filhos? Essa questão do futuro tem que ser melhor colocada pelas campanhas. Mas assim, certamente não é passando por aí, não é seguindo o exemplo do Milei, não é seguindo, assim, não é subordinando. O Brasil tem uma vocação, eu acho assim, o Brasil tem um destino manifesto, o resto, ser a grande potência do sul das Américas, né? E eu acho que isso só vai se consolidar hoje.

E hoje o Brasil se torna geopoliticamente muito importante justamente por causa disso, que se você não resolver a questão do Brasil, digamos assim, para o campo ultraconservador, você não resolve nada na América do Sul, porque o Brasil distorce tudo. Brasil muito maior, a economia do Brasil é 4 ou 5 vezes maior do que da Argentina. Então, quando você olha um negócio desse, essa importância do Brasil é central. Mas o Brasil é vocacionado para ser um país assim assim, líder, de liderança regional e de representação forte no global.

Então, sabe, esse discurso é um discurso que é pequeno, Brasil. Eu acho que esse discurso no final não cola. Esse é o ponto, né? E quando a gente vê a convenção de ontem, eu não vi discurso que apontasse assim: olha só, olha o futuro que eu projeto, olha o futuro que eu proponho. E aí traz a seguinte situação: os outros candidatos, tipo Caiado, começam a criticar. E eles têm que criticar porque na verdade estão disputando para ver quem pode ir para o segundo turno.

E Triad se posiciona justamente daí. Olha só, eu sou direita, eu sou conservador, sou contra o governo, mas eu não topo essa coisa de subordinar o Brasil a qualquer país, porque isso não é do nosso interesse, é inaceitável. Essas tarifas são inaceitáveis para o Brasil, são agressão ao Brasil. Então a gente tem que pensar de outra forma. Então eu acho que isso tá acontecendo, eu acho que o cenário tá muito em aberto. Eu achei ontem a convenção propositivamente ruim.

Você não tem nada, se você parar e pensar, eu desafio os eleitores, qual é a palavra de ordem? Que saiu dali que pode puxar, digamos assim, um discurso, uma narrativa para eleição. Você não tem. Você tem uma raiva da esquerda, uma raiva do PT, um discurso ultraconservador e tal, mas que hoje até no campo evangélico tá tendo dificuldade de passar, porque não confere. Assim, uma coisa é expectativa, outra coisa é realidade.

?Voz C

Então, uma coisa de redimir o Jair Bolsonaro, né? Mas é Isso também não é uma pauta nacional, entende?

MRMarco Ruediger

É uma coisa fake. Aí chama o Lula de presidiário. Assim, o Lula teve uma dignidade muito grande, se recusou a sair do cárcere quando ele tava com tornozeleira, entendeu? Assim, no caso, Bolsonaro arrebenta, corta a tornozeleira. Então tem toda uma narrativa muito complicada. Ainda assim, que eu quero dizer assim para aqueles ouvintes, nós somos tão à direita, são conservadores e tal, tem uma visão todo mundo, respeito completamente.

Eu acho só o seguinte, realmente é esse campo, é um campo significativo no Brasil. Tem uma posição, é legítimo ter uma posição que seja contrária à esquerda e se articula em torno de um nome. O problema é que esse nome não é um nome que galvaniza e representa muito bem e não consolida uma narrativa crível sobre, sobre essas expectativas. E daí se mantém esse nome quase como a única opção que nesse momento é viável. Isso pode vir a mudar, entendeu?

Então, mas eu acho que para o governo nesse momento ele tem uma plataforma muito boa, né? A economia tá sendo cuidada, inflação tá sendo cuidada, enfim, discurso da defesa nacional foi dado de bandeja para o presidente Lula. Então isso daí gera uma situação situação é bastante favorável, que eu acho, de abrir uma boca daqui a pouco em favor do governo, se não mudar um pouco a forma como tá sendo conduzida. Eu acho que o PL, ele não tá, não tá conseguindo se articular bem, e essas, essas idiossincrasias dentro do campo da direita vão refletir daqui a pouco nas pesquisas ainda mais.

?Voz C

É isso, a conferir os acontecimentos daqui para frente. Marco Rüdiger, muito obrigada, hein? Até uma próxima.

MRMarco Ruediger

Obrigado a você, obrigado aos ouvintes, beijo para todos.

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