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Maior bairro do Brasil, Campo Grande é um dos principais desafios de Eduardo Paes nestas eleições

24 de julho de 20269min
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Em pleitos passados, o ex-prefeito da capital já venceu e foi vencido na região. Por concentrar 6% do eleitorado, Campo Grande é considerado mais estratégico que muitos municípios. Transporte, conexão com o resto do Rio e representação política preocupam os eleitores do bairro.

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Participantes neste episódio2
L

Luciana Fernandes

EntrevistadoAgricultora
S

Samir Neme

ConvidadoPresidente da Associação Comercial do bairro
Assuntos2
  • Dificuldades e desafios geraisTransporte público precário · Representação política · Infraestrutura de saúde e segurança · Controle da milícia · Campo Maior
  • Cenário eleitoral em São PauloO Senhor dos Anéis · UBS na Rua · Lula · Investigação de Jair Renan Bolsonaro · Eleições passadas
Transcrição5 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

CBN Eleições 2026. Em dezembro de 1968, o então governador do Rio de Janeiro, Negrão de Lima, assinou um decreto transformando Campo Grande, bairro da Zona Oeste da capital, em município. Não pegou esse decreto, era só uma honraria, mas se tivesse funcionado, hoje aquele que é o maior bairro do Brasil seria, na verdade, uma cidade com mais de 350 mil habitantes. Dividido em dezenas de subbairros e com a maior base de comerciários do estado, Campo Grande tem 260 mil eleitores, que fazem dessa região da capital um dos 10 maiores colégios eleitorais do estado.

Campo Grande mistura a movimentação do centro e de polos gastronômicos com o Rio de Janeiro, que ainda é rural. A força econômica do bairro atrai milhares de trabalhadores de outras regiões. Caminhando ali pelo calçadão, eu conheci uma agricultora, a Luciana Fernandes. Ela vive em Magé, na Baixada Fluminense, e percorre muitos quilômetros todos os dias para trabalhar na Zona Oeste, onde a sua cooperativa vende produtos orgânicos. A dificuldade nesse trajeto é a sua maior preocupação.

?Voz B

Olha, deixa eu te falar uma coisa. Aonde a gente mora foi esquecido por Deus. Você acredita que o nosso trem é Maria Fumaça em Magé? O transporte é o nosso maior problema. Então o governador precisa olhar pra gente com transporte, porque o transporte é o que mais quebra quem mora longe. Você já pensou uma passagem de dois dígitos? A gente paga lá R$18 pra chegar no Rio, mas de Saracuruna pra lá o trem é Maria Fumaça. Se tiver, você vai.

Se não tiver, você fica. Por incrível que pareça, incoerência. Como é que pode estar em 2026 e você não tem um transporte digno? Quantas senhorinhas dependem daquele trem? Quanto empregada doméstica depende daquele trem? Aquilo é uma vergonha para o Estado, uma vergonha, porque aquela é a primeira estação. Dom Pedro passava por ali. Uma falta de respeito com a gente impressionante.

?Voz A

Os trens do Rio de Janeiro estão sob uma nova gestão, né? É, até essa gestão assumiu depois da minha conversa com a Luciana, mas isso mostra Como transporte é uma questão seríssima para a escolha do voto nesse ano. Com 6% do eleitorado da cidade, mais do que qualquer outro bairro do Rio de Janeiro, Campo Grande é considerado essencial na campanha de Eduardo Paes, do PSD, ao governo do estado. Já o Douglas Ruas, o seu principal adversário até aqui, conta com a força de deputados aliados para fazer frente aos muitos recursos que o Paes enviou para diversas obras na região, quando ainda estava na prefeitura.

Esse eleitorado de Campo Grande, ele oscila muito e mostra o tamanho do desafio que os candidatos ao governo do estado têm. Para se ter uma ideia, em 2012, quando foi reeleito prefeito, Eduardo Paes teve 70% dos votos no bairro. Em 2016, esse eleitorado migrou massivamente para Marcelo Crivella, eleito prefeito do Rio de Janeiro naquela ocasião. Em 2018, Eduardo Paes era candidato ao governo, mas não repetiu a vitória de 2012.

Ele perdeu no bairro e viu Wilson Witzel conquistar 65% do eleitorado. Em 2020, Eduardo Paes venceu a eleição, mas só teve 30% dos votos de Campo Grande. Há 2 anos, em 2024, aí o Eduardo Paes volta a ter maioria no bairro. 58% dos votos foram para ele. Nos bastidores, o desafio do Eduardo Paes agora é convencer o eleitor de Campo Grande a votar nele mesmo com Lula Ao seu lado, na última eleição presidencial, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve quase 60% dos votos de Campo Grande, naquela que foi a sua maior vantagem sobre o petista na capital.

Esse eleitorado oscila e demonstra as muitas contradições do bairro. 8 dos 51 vereadores do Rio são da região, mas a leitura do Samir Neme, que é presidente da Associação Comercial do bairro, é que a região é subrepresentada na Câmara e na Assembleia Legislativa do Rio.

?Voz C

É um dos maiores bairros em arrecadação de ICMS, ISS, e a gente tem visto que a quantidade superlativa de moradores não reflete uma quantidade superlativa de presença da administração pública em equipamentos, né? Então a gente tem discutido isso por demais. A delegacia de Campo Grande, por exemplo, é a que mais registra ocorrências no estado do Rio de Janeiro. O batalhão do Corpo de Bombeiros é o que mais registra ocorrências no Rio de Janeiro.

O Rocha Faria é o que tem o maior número de atendimentos também no Rio de Janeiro. Então a associação tem até conduzido um trabalho que foi a constituição do Conselho Estratégico de Desenvolvimento da Zona Oeste, exatamente para poder mapear as necessidades do bairro e a partir das eleições desse ano cobrar a entrega do que Campo Grande precisa: um novo hospital, uma maternidade, uma segunda delegacia de Polícia Civil, um segundo batalhão do Corpo de Bombeiros, mais efetivo para segurança pública.

?Voz A

Campo Grande é um bairro marcado pelo controle da milícia nessa região, e isso fez com que durante muito tempo a presença de candidaturas ligadas à esquerda ali fosse impossível, basicamente impossível. A milícia avançou durante muitos anos por ali continua controlando. É um assunto velado na cidade, mas todo mundo sabe. É aquilo sobre o que ninguém diz, mas que tá presente na vida das pessoas o tempo inteiro. Taxas que são cobradas, um controle ainda muito grande de milicianos em toda a região de Campo Grande, esse bairro imenso.

E ali, para se ter uma ideia do tamanho da potência, a gente tá vendo imagens, né, que a gente tá repetindo aqui, de várias obras ali que estão acontecendo no calçadão de Campo Grande. Você tem um polo gastronômico do Rio da Prata ali que tem uma obra acontecendo justamente para dinamizar essa região. E aí, para se ter uma ideia, cara, ali só Campo Grande arrecada mais de R$1 bilhão em ICMS, uma das principais fontes de arrecadação do estado.

Mas ao mesmo tempo, Campo Grande não tem rede hoteleira. Olha o tanto de contradições! São 54 mil empresas e 6 shoppings em Campo Grande, mas você só tem um hospital, um hospital de referência. Então A gente fecha essa série com Campo Grande para dar um resumo dessas imensas contradições que o Rio de Janeiro tem. Imensas contradições. Um estado que é economicamente rico, forte, atravessa uma crise econômica e uma crise política muito severa.

Uma crise política de uma natureza que nenhum estado que teve tantos ex-governadores presos estava preparado para lidar com a alerja associada não mais a escândalos de corrupção somente, mais uma alerja associada ao crime organizado que achaca e humilha moradores em diversos bairros do Rio de Janeiro. Não é mais um problema restrito às comunidades. Se você ainda acha isso, sugiro que acorde, sugiro que se ligue. O crime organizado não tá mais só no Complexo da Penha, no Complexo do Alemão.

Crime organizado tá na praia que você frequenta, o crime organizado está na orla de Ipanema que você pedala. É aí que está o problema. Então, nesse rolê que eu dei aí, tá tudo lá no site da CBN, cbn.com.br, no seu tocador de áudio predileto. Essa reportagem sobre Campo Grande já já tá subindo lá. Você vai encontrar reflexões sobre São Gonçalo, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Campos dos Goitacazes e Campo Grande também. Não tivemos aqui nessa série, obviamente, a pretensão de esgotar o tema e explicar a história política desses lugares, não.

São instrumentos e recortes e olhares para que você, eleitor da cidade do Rio de Janeiro ou de outros cantos, conheça outros eleitores que, como você, irão às urnas. E se desse para resumir o que encontrei em lugares tão diferentes, observo que temos um eleitorado muito mais conservador do que as pesquisas alcançam. As necessidades que a população do Rio de Janeiro tem, elas vão Muito além da segurança pública, muito além da segurança pública, muito além.

Transporte é talvez a questão que mais apareceu nas dezenas de conversas que eu tive. E temos um eleitor que está desiludido e desencantado. Não é à toa, né? Não é à toa.

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