Expectativa Datafolha: desgaste de Flávio pode ampliar vantagem de Lula e dificultar alianças
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Tudo é Política com Maria Cristina Fernandes.
Vocês acharam que ela não vinha, né? Claro que vem. Oi, Maria Cristina, boa tarde.
Boa tarde, Tatiana, Dédia. Boa tarde, ouvintes.
Boa tarde, Maria Cristina. É bem verdade que a gente achou que a Datafolha também viria mais cedo, não é mesmo? Tem uma promessa do Instituto Datafolha de divulgar hoje uma nova rodada de pesquisa sobre intenção de voto para a presidência da República e também a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E essa vai ser a primeira pesquisa depois do início oficial das convenções, né? Quer dizer, depois do início das convenções partidárias, né, Maria Cristina?
Sim, e a expectativa, Tati, desta— boa tarde a você, Anadeja, aos que nos ouvem— e a expectativa deste Datafolha, que é a primeira depois dessa leva de convenções e que viesse a influenciar o resto, né, aí desse período de convenções que se encerra no dia— iniciou-se no dia 20 de julho, encerra-se em 5 de agosto. E por que o Datafolha nos deixou, né, aqui no estúdio na mão, mas a gente não vai largar o Datafolha? Porque o que é que dizia a última edição do mês passado?
Lula liderava tanto cenários de primeiro quanto de segundo turno. No primeiro turno, com uma margem maior de 41% a 31% do candidato do PL. Flávio Bolsonaro, e no segundo turno, numa margem mais apertada, dentro da margem de erro, se podia falar de um empate, 47 a 43. E agora, haja visto todo esse desgaste do Flávio, a expectativa é que este Datafolha viesse a ampliar esta vantagem do presidente e aí sacramentar a rejeição de alianças com o pré-candidato do PL.
O Progressistas, em nome da federação com a União, com União Brasil, já rejeitou uma aliança, pesou pela suposta neutralidade, né? Não apenas a base da federação no Nordeste, com forte pressão para Lula, em contraposição aos parlamentares do Centro-Sul, aos palanques estaduais do Centro-Sul mais bolsonarista. Mas pesou também a reeleição ao Senado do próprio presidente do Progressistas, o senador Ciro Nogueira, que é do Piauí, estado amplamente lulista.
E a esperança do Flávio, na verdade, hoje está restrita a uma aliança com Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio Freitas, pelo desejo que ele tem de colocar a economista Janine Marques, que aí foi presidente da Caixa Econômica Federal no governo do pai, trabalhou muito próxima do ex-ministro da Economia Paulo Guedes. E só que essa intenção esbarra na dificuldade do senador, na condição de quem precisa do Republicanos, impor o nome do partido que gostaria para vice.
O nome, né, que entre aqueles do Republicano que ele gostaria de ter como companheira de chapa. Se ele precisa do partido, na verdade É o partido que se vê no direito de fazê-lo. Agora, o que de fato tá impedindo esta aliança é o governador Tarcísio Freitas. Os aliados do governador veem mais desgaste do que dividendo político advindo de um eventual apoio. E por quê isso? Porque o Flávio Bolsonaro acumula desgastes que se iniciaram desde o tarifação americano anunciado no dia seguinte à visita que ele fez à Casa Branca, acompanhado do seu irmão Eduardo Bolsonaro, que vive foragido nos Estados Unidos.
Ampliou-se com o seu envolvimento no caso Master, aprofundou-se com novo questionamento sobre as urnas eletrônicas e finalmente com a briga com a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro. Houve espaços de reaproximação com a gravação de vídeo de lado e do outro, uma reaproximação anunciada, mas ainda não se conhecem os contornos de sua participação na campanha do enteado. A Michelle não estará na convenção do PL neste sábado em São Paulo.
Espera-se que— e tampouco dá sinais de que vai gravar um vídeo ao lado do enteado para esta convenção. Isso está sendo anunciado para a convenção do PL no Distrito Federal, quando finalmente os dois apareceriam juntos. E por quê? O que é que pode acontecer entre o dia de amanhã, 25 de julho, e o dia 2 de julho? Bem, a Michele deixou público o seu desagrado com a maneira como o seu grupo— porque esta é a intenção dela, formar um grupo político dentro do PL a partir da presidência do PL Mulher, que ela deve retomar, aliás, e formar um grupo político, eleger senadoras e eleger deputadas federais, né?
Um grupo feminino que ecoe a sua liderança dentro do PL e quiçá no Congresso Nacional. Então isso, o espaço para essas candidatas dela, ela quer assegurar antes de fazer esse vídeo do qual o Flávio Bolsonaro tem tanta necessidade.
E agora parece que é ele que tá atrás dela, né? Ela fez o vídeo, ele tratou com um pouco de desdém, parece que recalculou a rota ali, viu o tamanho do apoio que ele podia perder e o que isso significa em termos de voto, e agora tá ali pedindo para que ela participe da campanha dele, né?
Exatamente. Ele tá tentando também segurar os seus apoiadores. Mas existe uma turma que não se contentou, né? Tem outro influenciador bolsonarista, o que também tá foragido, está lá no inquérito das fake news, Alan dos Santos, que continua batendo na Michelle lá dos Estados Unidos. Então o Flávio, não a despeito dele ter pedido isso no vídeo, ainda não conseguiu digamos, unir o bolsonarismo em torno dessa perspectiva dos dois juntos.
E, Tati e Nadedja, esse datafolha também é aguardado no PT, porque não pela, exatamente pelas convenções, porque as alianças deverão manter o contorno de 2022, né? PSB, PDT, cuja convenção já aconteceu, Na segunda-feira teve a presença do presidente Lula, o PCdoB e o PSOL. A maior preocupação é com a disseminação das expectativas em torno de uma eventual vitória no primeiro turno. A ver o que esses números dirão, porque o temor é do efeito rebote da eventual frustração de expectativas.
O partido já viu esse filme em 2022, alimentou-se essa expectativa de uma fatura liquidada no primeiro turno. Isso não aconteceu, acabou segundo, e aliás num resultado bastante apertado. Esse cenário de primeiro turno vinha sendo discutido internamente no partido de uma maneira muito velada, mas o próprio presidente da República se encarregou de vazar essa expectativa durante a convenção do PDT. Então trouxe preocupações para o partido, e é isso que se espera ali do que esses números podem sinalizar em relação a esse cenário.
Perfeitamente. Maria Cristina Fernandes conosco diariamente, em geral logo depois do Repórter CBN, das 14:30. Hoje excepcionalmente na nossa última meia-hora de Estúdio CBN. Sempre um prazer. Qualquer hora é hora para você, hein, Maria Cristina? Querendo é só bater na porta. Bom fim de semana, um beijo.
Muito obrigada, Tatiana, Dede, aos ouvintes. Um bom fim de semana para todos, um beijo. Até segunda.