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A dor é sempre uma marca do aprendizado

23 de julho de 20263min
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Rossandro Klinjey traz uma reflexão a partir do fim do relacionamento. Ao mesmo tempo que há um sofrimento, ele também é necessário para tornar quem somos enquanto humanos, que é basicamente viver das cicatrizes, da dor.

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Participantes neste episódio2
R

Rossandro Klinjey

HostPsicólogo
Á

Álvaro Machado Dias

ConvidadoEspecialista
Assuntos2
  • A importância da adversidade e da dorApagar memórias dolorosas · Dor ligada ao amor · Cicatrizes como marca do aprendizado
  • Memória e NarrativasCinema e Memória Afetiva · Recuperação de memórias · Trauma como filme que roda sozinho · Importância do corpo
Transcrição5 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
RKRossandro Klinjey

Refletir para Viver com Rosandro Klinge. Se existisse uma empresa que apagasse memórias, o que você pagaria para esquecer?

?Voz B

Eu não sou a ideal, Joe. Eu sou uma mulher neurótica que procura um pouco de paz. Não sou perfeita.

RKRossandro Klinjey

Eu não consigo ver nada que eu não goste em você.

?Voz B

Mas vai ver, mas vai ver, né? Vai acabar achando alguma coisa. Eu vou ficar entediada e sufocada porque é assim que acontece comigo. Tudo bem, tudo bem.

RKRossandro Klinjey

O cinema já fez essa pergunta. No filme Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, estrelado por Jim Carrey, uma empresa apaga pessoas que lhe machucaram da sua cabeça. Terminou um relacionamento e ficou doendo? Você vai lá, dorme, acorda sem aquilo. O personagem contrata o serviço para apagar a mulher que amou. No meio do processo, com a memória já sendo deletada, ele se dá conta de que quer parar. Apagar a dor apagava junto tudo que valeu a pena.

A dor vinha grudada no amor. Tirar uma levava a outra. Semana passada, a inteligência artificial recriou o gol mais bonito de Pelé, aquele que ninguém filmou, o que só existia na memória de quem viu, a máquina trouxe de volta em imagem. A gente se emociona, claro. Comemora recuperar o que sumiu. Fico pensando no contrário: e o que ficou? Quanto a gente pagaria para apagar a cena feia que insiste em voltar? Trauma é isso. Um filme que roda sozinho, na hora que ele quer, sem legenda, sem controle remoto.

Bessel van der Kolk escreveu um livro cujo título já diz tudo: O Corpo Guarda as Marcas. A memória do trauma é diferente das outras. As outras você acessa quando quer. Já o trauma, ele que te acessa quando ele quer. Se a empresa do filme existisse, a fila real seria de gente querendo esquecer medo, abuso, violência, abandono. Memória que é dor do começo ao fim, sem nenhuma parte boa para preservar. E mesmo assim ficaria o nó. Junto com a dor, a gente perderia o aprendizado.

A marca que machuca é a mesma que ensina a não voltar lá. Então temos uma pergunta: uma vida sem nenhuma cicatriz seria mais leve? Talvez. Só que teria um problema: seria uma vida que não aconteceu, cujas lições dolorosas poderiam se repetir por termos resolvido apagar junto com a dor as lições que os eventos nos trouxeram. Ainda assim, é compreensível nosso esforço por querer esquecer. É compreensível e humano.

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