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Como desenvolver competências comportamentais?

23 de julho de 202610min
0:00 / 10:18
Leny Kyrillos responde à pergunta do ouvinte, que diz que quer desenvolver competências comportamentais, mas não sabe por onde começar. Confira!

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
L

Leny Kyrillos

HostEspecialista em comunicação
Assuntos2
  • Aspectos psicológicos e comportamentaisCompetências técnicas vs. comportamentais · Forças transformadoras do Fórum Econômico Mundial · Coragem como competência-mor · Resiliência · Liderança · Empatia · Autoconhecimento · Comunicação
  • Construção da CoragemCoragem de enfrentar adversidades · Coragem de ser vulnerável · Coragem de se conectar com o sofrimento · Coragem de ser imperfeito · Coragem de admitir limites
Transcrição12 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
LKLeny Kyrillos

CBN Comunicação e Liderança com Leny Quirilhos.

CACarlos Alberto Sardenberg

Leny Quirilhos com a gente aqui no estúdio. Tudo bem, Leny?

LKLeny Kyrillos

Tudo bom, Sardenberg. Boa tarde, boa tarde, Cássia. Boa tarde para todos. Boa tarde, Leny.

CACarlos Alberto Sardenberg

Como sempre, respondendo a questões, perguntas levantadas pelos nossos ouvintes. No caso, o Severo de Ribeirão Preto, que diz o seguinte, aspas: já estou ciente que tenho que desenvolver competências comportamentais. Por onde começar? Primeira coisa, o que são competências comportamentais?

LKLeny Kyrillos

São características, Sardenberg, do comportamento, são habilidades relacionadas às atitudes, a forma como a pessoa se coloca No caso, especialmente no ambiente de trabalho, ela aparece junto com as tais das competências técnicas. Então assim, em toda área de atuação existe um conjunto de características, de habilidades que a pessoa tem que desenvolver tecnicamente para ocupar determinado cargo. E claro, nós devemos, principalmente no início da nossa vida profissional, nos dedicarmos muito ao desenvolvimento dessas habilidades técnicas.

Só que tem um momento no decorrer da carreira onde as habilidades técnicas deixam de nos diferenciar. Na realidade, todo mundo que tá lá na empresa tem aquelas habilidades. E se eu tenho intenção de crescer na profissão, de ter uma promoção, de melhorar o meu status dentro da empresa, eu tenho que me ocupar dessa outra parte. E nós sabemos que para os cargos que envolvem liderança as competências comportamentais são essenciais.

Então o Severo tá certo, ele tem que dar atenção a isso mesmo. E vamos procurar trazer aqui um caminho das pedras para ele. Primeiro, é um estudo bastante amplo do Fórum Econômico Mundial mostrou que para 2026 em diante existem 5 grandes forças transformadoras que vão nos obrigar a modificarmos o nosso foco, a nossa habilidade para essas competências comportamentais, que são mudanças tecnológicas que não param de acontecer, inteligência artificial, isso, fragmentação geracional.

Então as empresas todas com pessoas de diferentes gerações, a incerteza econômica, principalmente aqui no ano eleitoral, mudanças demográficas de uma forma geral e a tal da transição verde. Então são pontos, são forças transformadoras que mostram, por meio da pesquisa extensa que foi feita, que existem 10 comportamentos e habilidades que são esperados. E dessas 10, escutem só, 8 são competências comportamentais: resiliência, flexibilidade, liderança, empatia, motivação, autoconhecimento, comunicação, ó nós aí, né, e resolução de problemas.

Agora, o Severo nos pede um início. Como é que eu faço para começar? E quando eu pesquisei, eu me deparei com um dado bastante interessante. Gente, sabe qual é a competência-mor que vai ajudar a pessoa a desenvolver todas as outras? Bom, coragem. Boa, coragem! Então o Severo deve começar desenvolvendo essa musculatura, essa tal de coragem. Mas Coragem é você fazer o que dá medo e com medo mesmo? Com medo mesmo, com medo mesmo.

Boa, boa! É meter a cara, meter a cara, Sardenberg. Porque assim, aquilo que você não tem medo não exige coragem, você vai lá e faz, né? A coragem, ausência do medo, é fazer com medo mesmo. Exatamente, Cássia, super bem colocado. Não é ausência do medo, é meter a cara e fazer com medo mesmo. Porque, ó, escutem só, eu fui atrás de algo mais sólido para trazer e eu me deparei com um livro da Luciana Pianaro que se chama justamente Coragem, tá?

E ela diz o seguinte, veja, falamos de resiliência. Para você ter resiliência, você tem que ter coragem de enfrentar as adversidades, certo? Para você ser um líder, você precisa de coragem de ser vulnerável, de se colocar em situações onde nem sempre você sabe o que você deve fazer. Para você desenvolver empatia, que é outra dessas, você precisa ter a coragem de se conectar com o sofrimento do outro. Então a coragem está na base disso tudo.

E aí a grande pergunta é: coragem pode ser desenvolvida? Pode. Isso que é, essa que é a boa notícia. O Martin Seligman, que é um psicólogo positivista, ele diz que a coragem é uma das 6 virtudes cardeais do ser humano. Junto com sabedoria, humanidade, justiça, temperança. Eu falo temperança, eu lembro do Sardenberg, né? E transcendência, tá? E ele diz que a coragem, na verdade, ela se manifesta por meio da bravura, por meio do comportamento que é perseverante e honesto ao mesmo tempo.

Essa é a definição. Então é a ideia que a Cássia traz: vai com medo mesmo, é isso que é ter coragem. Coragem vem do latim, que é coraticum, e significa a bravura que vem do coração. Mais uma vez, gente, mostrando a importância da assertividade, da clareza da comunicação associada à empatia, à escutativa, e principalmente a afetividade nesse processo de comunicação. E a neurociência diz que por conta da plasticidade cerebral, neurológica, que nós todos temos, a gente pode treinar essa coragem por meio de pequenas atitudes.

Então, o que que a gente destaca aqui? Por exemplo, o não dito com firmeza. Então, opa, tô lidando com uma situação aqui na empresa, é algo que eu não posso deixar que aconteça dessa maneira, eu vou ter que falar um não apesar de me sentir incomodado por isso, e eu tenho que dizer esse não com firmeza. Uma resposta assertiva, onde a gente fala com ênfase, com capricho na articulação, justamente para mostrar essa segurança toda, né?

Então assim, é um ato de coragem que acaba reforçando as conexões neurais. É curioso porque assim, a coragem ela pode partir de um estado interno e se manifestar na atitude. Mas hoje nós sabemos claramente que o cuidado com a atitude externa, com o comportamento, além de mostrar para as pessoas essa coragem e construir uma percepção positiva, Essa atitude, ela também impacta internamente, favorecendo que a pessoa realmente se aproprie disso.

E quando a gente vê a questão da saúde mental como algo tão importante, que infelizmente tem aumentado tanto, né, uma grande ocorrência, na verdade saúde mental também tem a ver com coragem, com a coragem de você reconhecer os seus limites, com a coragem de você admitir que precisa de ajuda, de você assumir eventualmente que você não sabe algo que está sendo cobrado de você. E aí eu me lembrei imediatamente da Brené Brown, que tem um livro bárbaro chamado A Coragem de Ser Imperfeito.

E veja, Sardenberg, que definição interessante que ela traz. Ela diz que a coragem é contar a história de quem você é de coração aberto. Nós todos somos imperfeitos. Nós todos, claro, temos características, condições que nós precisamos desenvolver para nos tornarmos pessoas melhores e consequentemente profissionais melhores. E a abertura para isso é o que vai favorecer. E aí não posso deixar de falar, antes de encerrar, Sardenberg, a frase do Guimarães Rosa, do grande Guimarães Rosa, no Grande Sertão: Veredas.

Olha que lindo: o correr da vida embrulha tudo. A vida é assim, esquenta e esfria. Aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Então vamos nessa, né? Vamos buscar desenvolver aí essa característica para a gente poder desenvolver todas as outras e nos posicionarmos bem em relação à nossa vida.

CACarlos Alberto Sardenberg

É isso aí, gostei também, também gostei. No começo eu entendi que era difícil definir coragem, mas tem várias maneiras de se chegar ao conceito, né?

LKLeny Kyrillos

Pois é. E aí sim, é o comportamento que vai contar. Então, mesmo que lá por dentro eu esteja: ai, será que eu devo? Será que eu vou? Tô com receio, tô com medo. Vai com medo mesmo, mete a cara. No fim, as coisas se acertam.

CACarlos Alberto Sardenberg

Leny Quirinos, muitíssimo obrigado, Leny. Até a semana.

LKLeny Kyrillos

Obrigada, Sardenberg, Cássia. Ótimo restinho de semana aí para vocês e coragem, Severo. Vamos que vamos. Muito obrigada, Leny.

CACarlos Alberto Sardenberg

Até mais.

LKLeny Kyrillos

Obrigada.

CACarlos Alberto Sardenberg

Agradecer, Vero, nosso ouvinte de Ribeirão Preto, que levantou essa questão que a Leny responde aqui agora.

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