Perda de PP e União Brasil impacta tempo de TV e rádio de Flávio Bolsonaro
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- Campanha de Flávio BolsonaroDiscurso radicalizado · Ataques à urna eletrônica · Bolsonarismo moderado · Encontro com embaixadores
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Conversa de Bastidor com Bernardo Melo Franco.
E aí, Bernardo?
Boa tarde, Taddeberg! Boa tarde, de casa! CBN.
Boa tarde, Bernardo.
Alô, Bernardo, tá me ouvindo bem?
Ouço bem, ouço bem vocês.
Então tá bom, então vamos continuar. O nosso tema são as dificuldades do Flávio Bolsonaro em montar o seu palanque, fazer as suas alianças. E muito evidente isso, né? Vários partidos do Centrão querendo a neutralidade, quer dizer, não apoiar nem Flávio nem Lula. E que as bases fossem liberadas. E tá, estamos nesse ponto agora, o Bernardo.
Pois é, Sardenberg, a gente no comentário de terça-feira cantou essa bola, né? Falamos das dificuldades do Flávio Bolsonaro em fechar apoios de partidos do Centrão e de reproduzir o palanque que apoiou o pai dele na eleição de 2022. Pois bem, ontem à noite o senador Ciro Nogueira, que é o E formalizou ao Flávio o desembarque não só do PP, mas também do União Brasil, já que os dois partidos estão unidos numa federação. E isso vai ter um grande impacto na campanha do Flávio, Sardenberg, não só na montagem dos palanques regionais, que é sempre importante numa campanha presidencial, mas também, e especialmente, a distribuição do tempo de propaganda eleitoral na televisão e no rádio.
Tem muita gente que fala em rede social, a gente sabe que a lógica da informação mudou, Mas o tempo de propaganda ainda é muito importante, especialmente para um candidato como Flávio, que tá precisando se apresentar ao eleitor, né? Para a maior parte da população, ele é apenas o filho do Jair Bolsonaro. Muita gente nem o conhece, ele só fez carreira política no Rio de Janeiro. Portanto, é um problema, é um desgaste a mais, um problema a mais para candidatura dele, faltando apenas nesse momento menos de 48 horas para convenção do PL, que vai formalizar a candidatura dele a presidente da República.
Quais são as razões para esse não do PP? Tem duas. A primeira é que o Ciro Nogueira, que tá sendo um dos principais alvos de investigação no caso Master, né, a Polícia Federal afirma que ele recebeu uma mesada do Daniel Porcaro, além de favores, viagens, mordomias, ele se sentiu abandonado pelo Flávio. Flávio Bolsonaro se recusou a defendê-lo publicamente, fez que não conhecia praticamente ele. E isso, claro, deixa mágoas, deixa ressentimentos na política.
E o outro ponto que tá pegando nesse caso da Federação: o Ciro Nogueira, ele é candidato ao Senado no Piauí, estado que a gente sabe é majoritariamente lulista nas eleições presidenciais, e já tá tentando se descolar de alguma forma do bolsonarismo, embora tenha sido chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro. Numa hora dessa, Sardenberg caça, os políticos estão pensando na própria sobrevivência. E quem tá sob investigação, como é o caso do Ciro, precisa muito do famoso foro privado, precisa manter um mandato em exercício.
Agora, formalizando esse desembarque do PP e do União Brasil, resta para o Flávio Bolsonaro a hipótese de buscar o apoio do Republicanos, né, o partido ligado à Igreja Universal.
Mas os bispos estão fazendo É, a gente tá com problema na comunicação com o Bernardo e agora infelizmente a gente teve essa interrupção. O que acontece, o Bernardo ele tá conversando conosco direto de Paraty e aí a gente tá com uma comunicação muito ruim, tanto que os ouvintes vão notar que hoje a gente não tá com a imagem do Bernardo Melo Franco, somente com áudio. Mas ele tava falando justamente a respeito dessa dificuldade aí dos apoios em relação a Flávio Bolsonaro, inclusive por parte do Ciro Nogueira, que era um aliado histórico.
A gente vai tentar tentar refazer o contato para ver se a gente consegue retomar essa comunicação com Bernardo Melo Franco, no momento em que ele tava falando que agora os políticos estão entrando num momento muito pragmático, cada um tentando salvar as próprias candidaturas. E Bernardo, quando a gente perdeu o contato com você, você tava dizendo justamente que o Ciro Nogueira, por ser candidato lá no Piauí, ele tá tentando desvincular a imagem dele de Flávio Bolsonaro.
Nessa hora, os políticos todos, especialmente sob investigação, estão pensando na própria sobrevivência. E para o Ciro Nogueira é muito importante ter um mandato de senador, porque isso garante a ele o famoso foro privilegiado, ou seja, ficar a salvo de uma decisão eventual de um juiz de primeira instância. Por isso, todos os políticos que têm mandato e estão sob investigação fazem de tudo pela própria reeleição. E no Piauí, a gente sabe, é um estado que tem uma ampla maioria lulista na eleição presidencial e, portanto, o apoio da família Bolsonaro não chega a ser exatamente um ativo no caso de eleições mais disputadas, como é uma eleição para o Senado.
Agora, esses problemas de palanque, de vice, essa encrenca toda em torno do Flávio Bolsonaro não é um problema na candidatura dele. Essa semana, o Flávio Bolsonaro teve esse encontro com embaixadores estrangeiros credenciados em Brasília e repetiu aquelas afirmações falsas do pai contra a urna eletrônica, contra o sistema eletrônico de votação do Brasil, inclusive repetindo uma fake news, né, uma notícia já desmentida várias vezes de que o Brasil teria importado urnas da Venezuela para manipular as eleições.
Isso causou uma reação muito forte em setores do próprio Poder Judiciário e também na política, também no Centrão. A impressão que a gente colhe da classe política, Cássia, é o Flávio Bolsonaro, ao se sentir isolado, ao ver que a candidatura dele tá enfrentando problemas, ele tá apostando numa guinada mais radical, ou seja, imitar o discurso extremista do pai. Qual que é o problema? Que isso é exatamente o contrário da estratégia de campanha que ele vinha desenhando com seus marqueteiros desde o final do ano passado, quando Flávio passou a se vender como um, entre aspas, bolsonarista moderado, ou como ele mesmo disse, um bolsonarista que toma vacina.
Enfim, o ouvinte que vê esses fatos, vê essa declaração e se lembra do exemplo do pai atacando a urna eletrônica vai concluir que o bolsonarismo moderado sempre foi uma obra de ficção, né, uma obra do marketing político.