Episódios de Comentaristas

Alta do petróleo pode levar bancos centrais a subir juros e frear economia global

23 de julho de 20265min
0:00 / 5:49
Luis Gustavo Medina afirma que a crise de energia deixou de parecer temporária e pode provocar impactos mais duradouros na inflação.

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Participantes neste episódio2
C

Carlos Alberto Sardenberg

HostJornalista
L

Luis Gustavo Medina

Host
Assuntos3
  • Petroleo IraPetróleo acima de $100 o barril · Crise de energia · Guerra na Ucrânia
  • Impactos macroeconômicos globaisInflação · Aumento de juros · Desaceleração econômica · Acordo Banco Mundial IICA
  • Cadeias de suprimento e adaptaçãoTensão no Oriente Médio · Normalização adiada
Transcrição18 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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LGLuis Gustavo Medina

Every home. O assunto é dinheiro com Luiz Gustavo Medina. E aí, Teco!

CACarlos Alberto Sardenberg

Oi, Sardenberg, boa tarde! Boa tarde, Cássia! Boa tarde aos ouvintes, tudo bem? Tudo certo, Teco, boa tarde!

LGLuis Gustavo Medina

Teco, aquilo que se temia no fim acabou acontecendo, que é o petróleo voltar aos $100 o barril.

CACarlos Alberto Sardenberg

Pois é, aconteceu, Sardenberg. $101 hoje, 7% de alta só hoje. Petróleo sobe 32% nesse mês, acho que vai ser uma das maiores altas mensais da história. E aí agora começa, começamos a colecionar problemas de todas as naturezas, né? Não só pela guerra em si, né, pela, por todos os problemas que ela gera para tudo e todos. Mercado financeiro começou a sentir isso também nas curvas de juros no mundo inteiro, já precificando alta de juros.

As bolsas hoje caindo no mundo inteiro. E a gente tá aqui nas vésperas de uma reunião do Copom, né, mês que vem tem reunião nos bancos centrais, vai acender um sinal laranja-vermelho, né, Saneberi? Porque no final das contas, apesar da gente ter tido aquela, aquele acordo temporário ali. Tamo indo para o 5º mês de guerra já, né? E deixou de ser uma coisa que as pessoas hoje acreditam que acaba semana que vem, porque tá durando muito tempo já, né?

LGLuis Gustavo Medina

É, tô vendo aqui um gráfico do New York Times. Ele começa em janeiro desse ano com o petróleo a $60 o barril, pouco mais de $60 o barril. E aí vai escalando até passar dos $100, depois cai de novo, né, para $70, e agora subiu de novo para mais de $100 por conta das instabilidades que permanecem e até ficaram mais graves, né, no Oriente Médio.

CACarlos Alberto Sardenberg

Pois é. E no final das contas, além do petróleo ser matéria-prima para outras coisas, né, Sardenberg, com o estreito ali meio bloqueado, tem muita coisa que não passa além do petróleo, né. Então Então a gente já tem um problema ali na cadeia de suprimento para um monte de coisa que parecia que ia voltar aos poucos a se normalizar, mas agora as pessoas estão desistindo disso. O que preocupa na parte econômica é o impacto disso virar, deixar de ser uma coisa temporária que a gente imagina que vai se ajustar semana que vem, para ser incorporado como uma alta de inflação mesmo, né?

Porque aí a gente vai ter que subir os juros e além de inflação o mundo inteiro vai ter que conviver com juros mais altos. E aí a gente vai começar a ter problema de crescimento econômico mundo afora, né? Aqui também, né? Aqui tem uma outra dinâmica porque o juro já tá alto, então talvez ele parasse apenas de cair, não necessariamente subiria, mas parar no 14%, 14,25% é alto demais para gente também, né? Então acho que é um momento de atenção e um certo desânimo aí da economia global, porque parece que a gente vai ter que começar a considerar fortemente a hipótese de que os juros mundo afora vão subir.

LGLuis Gustavo Medina

É, já teve até uma nova previsão do Banco Mundial dizendo que as perspectivas de crescimento para esse ano estão sendo reduzidas justamente por causa dessa crise de energia.

CACarlos Alberto Sardenberg

Exatamente.

LGLuis Gustavo Medina

Agora, por outro lado, há investidores que acham que até o final do ano essa coisa se ajeita, viu?

CACarlos Alberto Sardenberg

É, dá para ver que o ajuste acaba sendo rápido, né, Sardenberg? Porque quando, quando teve o acordo ali, o petróleo ele caiu de 100 para 70 em 2 semanas e subiu de 70 para 100 em 2 semanas também, né? O problema é que se a gente for pegar uma média aí, né, como essa guerra tá indo para o 5º mês, a gente for pegar uma guerra desses, uma média desses 7 meses aí do ano, esse petróleo tá num patamar altíssimo, né?

LGLuis Gustavo Medina

Porque como você acabou de falar, ele começou o ano em 60, né?

CACarlos Alberto Sardenberg

A média dele é 85, 90, né? Então já é um problema para o bolso de todo mundo, né?

LGLuis Gustavo Medina

E aí quem ganha dinheiro com isso são as petrolíferas e os governos que cobram impostos das petrolíferas, né?

CACarlos Alberto Sardenberg

Pois é, é um dedinho desse copo vazio, é esse, né? De fato, as petrolíferas estão tendo um ano muito melhor do que se imaginava que teria. E os governos, o Brasil incluso, né, quem produz muito petróleo, vende muito petróleo, as cidades, os estados, realmente o caixa fica mais gordo, mas há um custo, há um custo altíssimo também.

LGLuis Gustavo Medina

Tá certo. Teco Medina, obrigado, Teco.

CACarlos Alberto Sardenberg

Até amanhã, tchau tchau.

LGLuis Gustavo Medina

Até.