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Nova ofensiva tarifária dos EUA pode encarecer produtos brasileiros

22 de julho de 202610min
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Bruno Carazza fala sobre os novos desdobramentos do tarifaço dos EUA contra o Brasil. Ele destaca a possibilidade de uma nova tarifa de 12,5% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, que pode elevar a taxação total para 37,5% em parte das exportações, aumentando a pressão sobre empresas que vendem ao mercado americano.

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Participantes neste episódio2
C

Carol

HostApresentadora
B

Bruno Carazza

ConvidadoColunista
Assuntos3
  • Tarifas dos Estados UnidosTarifa de 25% sobre produtos brasileiros · Possível tarifa extra de 12,5% · Setores siderúrgicos e automotivos · Donald Trump e a NASA
  • Acordo Brasil-EUA sobre tarifasRedução nas exportações para os EUA · Compensação com exportações para a China · Empresas americanas afetadas no Brasil
  • Pacote de Medidas do GovernoPlano Brasil Soberano 3 · Empréstimos do BNDES · Setores estratégicos e terras raras · Guerra no Golfo Pérsico
Transcrição7 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

Bruno, vamos falar do tarifaço. A gente já anunciou aqui para o nosso ouvinte que seria o nosso tema hoje. As tarifas extras de 25% começaram a ser cobradas pelos Estados Unidos e tem a expectativa da finalização de uma outra investigação, e podemos ter um novo tarifaço de 12,5% no final dessa semana. Explica para a gente o que que isso significa, por favor.

BCBruno Carazza

Zé, Débora, são tantas idas e vindas nesse governo Trump que é até difícil acompanhar essa novela do tarifaço, né? Mas vamos recapitular aqui, né? Primeira medida do Trump foi em 2 de abril do ano passado, quando ele fez aquela cerimônia lá com todo estardalhaço na Casa Branca, com uma plaquinha com as bandeirinhas dos países, e colocou tarifas específicas para praticamente todos os países do mundo, né? Até ilhas que não são habitadas ganharam aí uma tarifa.

E nesse primeiro fácil, o Brasil acabou dando relativamente sorte, ficando com alíquota menor, que era de 10%. Aí, na sequência, o Trump começou a colocar tarifas específicas sobre alguns setores, e aí começou a pegar mais sobre a economia brasileira, porque ele estabeleceu tarifas mais altas, de 25%, e depois ele até subiu para 50% sobre aço, alumínio, e o Brasil é um grande exportador desses produtos, e também automóveis. Chegou em julho do ano passado, o Trump soltou aquela medida especificamente contra o Brasil em que ele envolveu o ex-presidente Jair Bolsonaro e acusou os ministros do STF e colocou o Pix, colocou vários elementos e estabeleceu uma tarifa de 50% especificamente sobre o Brasil.

E aí começaram todas as negociações para reverter esse processo até Tanto é que em fevereiro desse ano a Suprema Corte americana falou que todas essas medidas do tarifaço que ele estabeleceu em 2 de abril, elas eram inconstitucionais e revogou. E aí o que que o Trump fez? Começou a criar outras investigações que não fossem baseadas naquele fundamento legal que a Suprema Corte tinha derrubado. E aí foi com base nessas investigações dessa famosa sessão 301 aí do Código de Comércio dos Estados Unidos, que o Trump estabeleceu essa tarifa de 25% sobre vários produtos da pauta de exportação brasileira, né, porque tem algumas exceções.

E isso começou a valer hoje. Então hoje as empresas, as empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos que não estão no rol das exceções estão pagando 25%, mas as empresas siderúrgicas que estão pagando 50%. É só que o Trump abriu uma outra investigação contra 60 países, que o Brasil também está envolvido, sob o argumento de que esses países eles são lenientes com a importação de produtos é que são produzidos em países que usam trabalho escravo, trabalho forçado.

Isso é uma medida voltada, né, para China. Mas segundo essa investigação do Trump, o Brasil seria um desses países que está favorecendo essas importações. A gente compra produtos de países que não têm regras trabalhistas rígidas. E com isso ele vai estabelecer, possivelmente, porque já teve uma prévia dessa investigação que estabeleceu que o Brasil receberia uma tarifa extra de 12,5%. A decisão final deve ser divulgada na sexta-feira, mas até hoje mesmo o Itamaraty reconheceu que é provável que a gente sofra também essa penalidade.

Então as exportações do Brasil vão estar sujeitas a uma tarifa de 25% mais 12,5%, 37,5%, fora alguns setores que estão sujeitos a 50%. Então é uma medida bastante pesada para as para as empresas brasileiras que exportam para os Estados Unidos e que não estão nas exceções.

CCarol

O Bruno, já tem mais de um ano que a gente está nesse vai e vem dos tarifácios do Trump, né? Já dá para saber o impacto disso sobre a economia brasileira e quais setores perderam e ganharam nesse período?

BCBruno Carazza

Ô Carol, assim, impactos macroeconômicos relevantes, eles não são significativos. Porque o peso do que a gente vende para os Estados Unidos é muito pequeno frente ao tamanho da economia brasileira. Então a gente não tem impacto na taxa de desemprego nacional nem no crescimento do PIB. O que a gente tem é que alguns setores estão sofrendo, principalmente setores e empresas que vendem para os Estados Unidos. Só para você ter uma ideia, se a gente compara os últimos 12 meses com o período antes do Trump tomar posse, as nossas vendas para os Estados Unidos caíram 5,3 bilhões de dólares, que dá algo como 13% de redução.

A notícia boa é que muitas empresas brasileiras estão dando um jeito de compensar essa perda vendendo mais para outros países. Então, por exemplo, se as nossas vendas para os Estados Unidos caíram 5 bilhões, nossas vendas para a China no mesmo período cresceram 16 bilhões. E as nossas vendas para outros países que não a China e os Estados Unidos cresceram quase R$20 bilhões. Então as empresas brasileiras estão dando o seu jeito, mas isso não é geral, né?

Tem setores que perderam porque são muito dependentes das vendas para os Estados Unidos. E por incrível que pareça, muitos grupos americanos que estão sofrendo com isso, porque o nosso comércio com os Estados Unidos ele é muito integrado. Então a gente tem muitas filiais de empresas americanas aqui no Brasil que produzem peças, produzem componentes que são enviados para matriz, e elas estão sendo penalizadas com essas taxas do Trump.

Então é meio que um tiro no próprio pé que o governo Trump tá tomando com essas medidas.

?Voz A

E Bruno, o governo lançou agora à tarde mais um pacote de ajuda para as empresas que foram afetadas pelo tarifação. Quais são as novidades dessa nova fase do Brasil Soberano, o Brasil Soberano 3, né? E dá para saber se vai haver impacto fiscal, o tamanho do impacto fiscal?

BCBruno Carazza

Pois é, Débora, é a terceira rodada, né, de estímulos que o governo tá dando. O governo aparentemente foi convencido aí pelo setor empresarial de que não vale a pena retaliar, que seria até colocar lenha na fogueira aí com essa disputa com o Trump. O próprio empresariado brasileiro não quer uma retaliação, e o que o governo acenou foi com um apoio. Então é a terceira rodada desse Plano Brasil Soberano, que começou em 2025, quando toda essa confusão aí do Trump foi, foi criada.

Na primeira rodada foram R$16 bilhões, na segunda R$21 bilhões, e agora hoje o governo editou essa medida provisória prometendo mais R$18,5 bilhões de empréstimos para 3 grupos de empresas, né? Primeiro, empresas de setores que sofreram com o tarifaço. Depois, um segundo grupo de empresas que tem, que o governo chama de setores estratégicos. E aí, dentro disso, tem indústria de fertilizantes e o setor de terras raras, né, que tá também no centro dessa disputa com os Estados Unidos.

E um terceiro grupo de beneficiários, possíveis beneficiários desse programa do governo, é seriam empresas que estão sofrendo com interrupção de exportações para o Oriente Médio por causa da guerra lá no Golfo Pérsico. Isso é um empréstimo, né, são empréstimos do BNDES com taxas de juros que variam de 3% até 9,8%, o que é uma grande ajuda para as empresas desses setores, dado que a gente vive num país com uma taxa de juros básica de 14,25%.

O governo alega que não vai ter impacto fiscal, que ele vai usar recursos que não foram usados nas primeiras etapas desse plano. Mas fica uma dúvida sobre os critérios que o governo vai estabelecer para as empresas que podem se credenciar a isso, né? Porque inclusive nessa história de tarifação tem empresas que inclusive aumentaram, conseguiram mesmo com tarifação aumentar suas vendas para os Estados Unidos. Ou empresas que, como eu disse, compensaram a perda nos Estados Unidos vendendo para outros países.

Então, por mais que não haja um efeito fiscal imediato, a gente sempre tem que observar que esse dinheiro poderia ser utilizado para outras funções, para outros setores que precisam mais. Então o governo precisaria ter mais critério na concessão desses empréstimos, porque a gente tem vários setores na economia brasileira que vivem momentos difíceis, não só é, os setores que estão sofrendo aí com o tarifação.

?Voz A

Bruno Carazza, muito obrigada pela análise e até semana que vem.

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