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Remédios para tratamento da obesidade pode ter impacto na produtividade

22 de julho de 20266min
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Luiz Fernando Correia fala sobre um estudo feito na Dinamarca que aponta a queda de 17% nas licenças médicas com o uso de semaglutida.

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Participantes neste episódio1
L

Luiz Fernando Correia

HostComentarista
Assuntos2
  • Diretrizes do Tratamento da ObesidadePatente Semaglutida · Ozempic · Licenças médicas · Dinamarca · Saúde metabólica · Saúde cardiovascular
  • Transformação do mercado de saúdeProdutividade do trabalhador · Diminuição de faltas ao trabalho · Custo de saúde · Acessibilidade a tratamentos
Transcrição2 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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LFLuiz Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, Doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvinte. Bom dia, Doutor. Pera aí, tô tentando entender melhor essa história aqui. Os remédios da família do Ozempic fazem a pessoa trabalhar mais? É, Milton, é o que parece segundo um estudo feito na Dinamarca e foi publicado ontem pelo Bureau Nacional de Pesquisa Econômica dos Estados Unidos, que mostrou o seguinte, gente: A utilização desses medicamentos diminui o número de afastamentos por saúde prolongados, ou seja, licenças médicas prolongadas na Dinamarca.

O que que eles fizeram? Eles usaram os registros administrativos das receitas do medicamento, do uso do sistema de saúde e dados de trabalho. Então pegaram pacientes que começaram a utilizar a semaglutida, que é o princípio ativo do Ozempic, de 2018, 2019, com pacientes que começaram a utilizar 4 anos depois e acompanharam todo mundo por 4 anos daí para frente. Uma coisa interessante: primeiro lá quem começa a usar continua usando, que não é realidade no resto do mundo por conta do custo, né?

Por exemplo, nos Estados Unidos, a adesão a esse tipo de tratamento cai para 60% no primeiro ano, depois cai para 40%, provavelmente pela questão da acessibilidade. Mas lá, pelo jeito, é mais fácil você manter o tratamento. E aí é o seguinte, o que que eles descobriram? O tratamento reduziu em 17% as licenças médicas que passam de 30 dias. E esse efeito, ele ia crescendo a cada ano. Ele era menor nos 2 primeiros anos do tratamento, ficava mais forte no terceiro e no quarto.

Número menor de idas à emergência, menor utilização de medicamentos para o coração. Isso tem uma lógica biológica simples, ou seja, a gente sabe que esse tipo de medicamento tem relação direta com melhora da saúde metabólica e consequentemente da saúde cardiovascular de quem utiliza, né? Mas é interessante, né? Ou seja, além de atuar no controle da obesidade, controle das doenças metabólicas, parece que isso tem um impacto direto na economia.

A gente sempre falou isso, né? Não exatamente desse remédio, dessa medicação, desse grupo de remédios, Prevenção de saúde é igual a renda maior, é igual a produção melhor, é igual a diminuição de custo de saúde para todo mundo, né? Isso tem lógica. Agora, o mais curioso foi o seguinte: na Dinamarca especificamente, onde foi feito o trabalho, é menos doença, foi observado, menos faltas ao trabalho. Agora, a renda do trabalhador não aumenta porque lá o trabalho, o dinheiro do salário tá protegido, ou seja, ele tá de licença, mas ele continua recebendo a mesma coisa.

Mas a produtividade aumenta e você tem uma diminuição na falta ao trabalho, né? Isso é assim, a gente parece que a gente precisa desenhar para que os economistas que não são afeitos à área da saúde, né, ou não gostam muito da área da saúde, talvez Entendam que dinheiro aplicado em prevenção, seja com medicamento, seja com programas de prevenção mais simples, ele volta, ele volta multiplicado, volta multiplicado para economia do país, porque melhora a produtividade do trabalhador, porque melhora, diminui a falta ao trabalho, diminui a capacidade de produção.

E, gente, é Parece uma matemática meio óbvia, mas eu acho que os economistas não costumam ouvir isso, e os políticos então nem se fala, né? Não gosta de fazer conta, talvez. E olha que eu fui ser médico porque eu não gosto muito de fazer conta, né? Mas sabe como é que era? Parece que político é pior que a gente, pô, não gosta de fazer conta mesmo, né? Então é isso. Mas é um trabalho interessante que chama atenção no momento em que a gente discute a questão da acessibilidade a esse tipo de medicamento, porque obesidade é uma doença crônica, tá ligada a outras 200 doenças.

Então É mais um dado para se colocar nessa conta aí, nessa estrutura de pensamento, para a gente entender por que que é importante ter acesso ao tratamento da obesidade, seja com esse medicamento, seja com outro medicamento. Isso aí não é questão específica dessa droga, mas é importante que a gente discuta o acesso ao tratamento da obesidade. Muito obrigado, Dr. Luiz Fernando Correia. Bom dia. Bom dia para você, Milton Castro, e todos os ouvintes. Bom dia, doutor. Até amanhã.

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