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Nova Iguaçu vira campo de batalha por influência na disputa pelo governo do RJ

22 de julho de 202610min
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Leandro Resende conta como Nova Iguaçu se torna um dos principais campos de batalha por influência na disputa pelo governo do Rio de Janeiro.

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Participantes neste episódio3
F

Fábio Ferreira

ConvidadoProfessor de biologia
M

Márcio Guerreiro

ConvidadoPresidente da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu
M

Mariana Guedes

Convidado
Assuntos2
  • Nova Iguaçu· SociedadeTransporte público · Saneamento básico · Abastecimento de água · Área rural abandonada
  • Política no Rio de JaneiroGastos com ensino público · Qualidade da aprendizagem · Salários de professores
Transcrição18 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro
?Voz A

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?Voz A

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?Voz C

A gente merece. Agora sim. CBN Eleições 2026.

?Voz 1

Eleitor do Rio, Leandro, o que que você conta pra gente hoje? Por onde você andou e qual o desafio? Você vai contar sobre o que os eleitores de uma parte do Rio estão vivendo e estão pensando, né? Pensando justamente pra na hora de votar lá, o que que eles vão levar em consideração.

?Voz C

Vou começar a contar a história de hoje por um momento em que eu parei pra tomar um café desses tantos que eu tomei circulando pelo estado. Embaixo de uma passarela que conecta os dois lados da Avenida Marechal Floriano, perto da estação de trem de Nova Iguaçu. Ali é um ponto muito caótico, inclusive, né? Tem a estação de trem de Nova Iguaçu, pontos de ônibus que ligam a cidade em torno ali da Baixada ao restante do estado do Rio de Janeiro.

E ali eu conheci um professor, conheci o professor de biologia Fábio Ferreira. Ele mantém uma pequena lanchonete para vender café, pão de queijo e outros lanches aos trabalhadores que param por ali todos os dias. No estado, que é o Rio de Janeiro, que lidera gastos com ensino público no Brasil, mas é o penúltimo do IDEB, o indicador que mede a qualidade da aprendizagem, o Fábio preferiu criar as duas filhas com o dinheiro que ele ganha no comércio.

FFFábio Ferreira

Trabalhei durante 14 anos no magistério, associando magistério e isso aqui. Só que chegou um momento que o magistério não ficou bom para mim financeiramente, não tava legal. Tenho duas filhas, família, então depender só daquilo ali tava ruim. Para você ter uma ideia, vai te chocar, o que eu vendo aqui de café por mês é o que eu ganhava em um colégio por mês, para você ver.

?Voz C

E aí o senhor preferiu largar, abrir mão?

FFFábio Ferreira

De vez em quando dou umas aulinhas aí particulares, que eu tenho alunos meus aí. Tem um inclusive até passou em medicina aqui na UNIGA, até me mandou mensagem: Fábio, consegui Por incrível que pareça, biologia era uma área ruim para ela, mas ela conseguiu passar em medicina. É complicado isso aí, né, porque você vê o quanto que a gente tá atrasado. Acho que o Rio de Janeiro é o pior salário, eu acho que para tudo.

?Voz C

Esse é um dos 615 mil eleitores de Nova Iguaçu, a cidade-mãe da Baixada Fluminense, quarto maior colégio eleitoral do Rio de Janeiro. Desse imenso município surgiram Caxias, Japeri, Queimados, Belford Roxo, Nilópolis, São João Miriti. E Nova Iguaçu segue sendo uma cidade que aglutina todas as outras, como me explicou o presidente da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu, Márcio Guerreiro, que é do Progressistas.

MGMárcio Guerreiro

Hoje Nova Iguaçu é, graças a Deus, tem dois shoppings grandes ali na Mário Guimarães, um polo gastronômico que são restaurantes que vem pessoas de outros municípios, tudo para nossa região. O Shopping da Pedreira ali Hoje é um shopping de grande porte onde recebem muitas das vezes inclusive shows ali. E a gente recebe pessoas de outros municípios que vem para cá, para nossa região também. Fora a questão dos trabalhadores também, Nova Iguaçu hoje também ele consegue empregar muita gente de fora também do nosso município. A cidade acolhedora também, né?

?Voz C

Se ligou no clima de Nova Iguaçu? Situamos um pouco: 615 mil eleitores. O Fábio representando esse eleitor desencantado do Rio de Janeiro, que foi a maior parte das pessoas com quem eu conversei sobre política, dessa pessoa que tem uma profissão e precisa ter uma outra profissão para poder conseguir se sustentar, uma realidade comum a muitos fluminenses, e que a eleição desse ano precisa dar conta. Quando a gente vai ouvir um político, é a ideia de que essa é uma cidade aglutinadora, ou seja, o que acontece em Nova Iguaçu respinga nos outros municípios ali do entorno.

Qual é o perfil eleitoral então da cidade de Nova Iguaçu ao longo aí dos últimos 25 anos? No começo dos anos 2000, Nova Iguaçu foi a fortaleza do PT na Baixada Fluminense, garantiu vitórias expressivas para Lula e Dilma Rousseff, puxadas pela gestão do atual deputado federal Lindbergh Farias. Ele foi eleito em 2004, reeleito em 2008, e foi o único petista a comandar uma das cidades retratadas aqui pela nossa série. Mas esse cenário ficou no passado.

Na esteira da crise nacional atravessada pela esquerda a partir de 2014, a cidade deu uma guinada conservadora histórica, entregando mais de 62% dos votos a Jair Bolsonaro na eleição presidencial de 2022. Com 5% do eleitorado fluminense, Nova Iguaçu é hoje o campo de batalha da disputa rumo ao Palácio Guanabara. A cidade é o epicentro do mais recente embrólio na aliança da direita do Rio de Janeiro. Duas vezes eleito prefeito com aprovação esmagadora, Rogério Lisboa, do PP, foi cortejado pelo Eduardo Paes, mas acabou indicado para vice na chapa do Douglas Ruas.

No último final de semana, no entanto, no meio da final entre Espanha e Argentina da Copa do Mundo, Rogério Lisboa alegou motivos pessoais e deixou a chapa. Imediatamente, Eduardo Paes voltou à carga. Como já manifestou várias vezes ao longo dos últimos 2 anos, ele tenta agora fechar uma aliança com Rogério Lisboa e com o principal político da região, o deputado federal Doutor Luizinho, do PP. Figura-chave da administração Cláudio Castro, suas movimentações têm sido lidas com estranheza nos bastidores.

Ao mesmo tempo que indicou o vice para o Douglas Ruas, se deixou fotografar abraçado com petistas durante uma agenda recente do ex-presidente Lula no estado. Aliado de Doutor Luizinho, o presidente da Câmara de Vereadores, Márcio Guerreiro, diz que por enquanto a maioria dos políticos da cidade vai caminhar com Douglas Ruas.

MGMárcio Guerreiro

Olha, hoje Nova Iguaçu tá caminhando com Douglas Ruas, vem já fazendo essa parceria. Claro que a política ela muda o tempo todo, mas hoje Nova Iguaçu caminha com Douglas Ruas. Hoje a gente tem Deputados federais, a gente tem 3 deputados federais que são de Nova Iguaçu, que é o Doutor Luizinho, Juninho do Pneu e Rosângela Gomes. A gente tem os deputados estaduais aqui, que é o Filipinho Raves e que é o Carlinhos BNH. É Nova Iguaçu hoje, para você ver a importância de Nova Iguaçu, são 3 deputados federais, 2 deputados estaduais, e a gente tem uma expectativa que a gente possa estar elegendo os mais deputados estaduais de Nova Iguaçu. Nessas eleições de 2026.

?Voz C

E aí, Gabriel, se liga nessa salada aqui que eu vou— já deu para entender que, né, o Dr. Luizinho, o principal político da cidade, ele indica o vice da chapa do cara que vai apoiar o Bolsonaro e abraça os petistas numa agenda do Lula, tá? Essa foto tá circulando nas redes sociais. É para você ver, o principal aliado do Eduardo Paes hoje em Nova Iguaçu é o Julinho do Pneu, e ele fez campanha para o Bolsonaro. Na última eleição e agora ele trabalha para o ex-prefeito do Rio, que apoia o Lula.

A vice-prefeita de Nova Iguaçu, a Roberta Teixeira, do PL, é irmã do Doutor Luizinho e recentemente ela organizou um evento para o Douglas Ruas na cidade, a despeito da saída do Rogério Lisboa dessa chapa. Exemplos desse pragmatismo político. E no fundo, o que a cidade quer é, independente de onde Nova Iguaçu vai apontar, se voltar para os anos em que foi petista ou seguir a direita, O que as pessoas querem é a mudança nos problemas da vida real.

A Mariana Guedes foi uma das pessoas com quem eu conversei e ela fala um pouco dos problemas que ela enfrenta. A senhora vê que esse é um dos grandes problemas assim dessa região que a senhora mora?

MGMariana Guedes

Da minha área, os intervalos do ônibus muito grande.

?Voz C

Quanto tempo esse intervalo mais ou menos?

MGMariana Guedes

Olha, dependendo do horário do dia, mais de hora, mas Problemas lá tem número, né? É área rural, é uma área rural que não tem saneamento. A gente não tem água da água do rio, não tem saneamento da prefeitura, é uma área rural abandonada, né? Não tem atenção, que isso é uma área rural, precisa de um cuidado. É redondeza da reserva, o nosso esgoto é descartado no rio, área de proteção ambiental, é irretrível. Então assim, não tem assistência nenhuma, não é por conta do morador, porque não tem.

Não tem, prefeitura nunca passou para fazer esse tipo de serviço. Então o que tem é o que o morador faz, ou ele faz sumidouro no fundo dos quintais, ou ele faz o encanamento próprio e joga para o rio.

?Voz C

Esse é um exemplo, Gabriel, das inúmeras contradições que existem nesse estado e que essa série tá dando conta também. Ao mesmo tempo que nós somos o segundo estado economicamente mais rico do país, que a gente tem tantas possibilidades incríveis O Rio de Janeiro é um lugar em que a população, numa cidade enorme, ainda precisa fazer sumidouro dos seus esgotos. Essa é a realidade que quem vai se dispor a enfrentar uma eleição precisa estar consciente também.

Amanhã nossa série continua e a gente parte para comer um chuvisquinho lá em Campos dos Goitacazes. Ali é animado demais, né?

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