Episódios de Comentaristas

O que está por trás do bloqueio dos Houthis no Estreito de Bab el-Mandeb?

21 de julho de 20268min
0:00 / 8:18
Cristina Pecequilo explica a importância estratégica do Estreito de Bab-el-Mandeb e analisa os desdobramentos da crise envolvendo Irã, Arábia Saudita, Israel e Estados Unidos.

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Participantes neste episódio3
B

Beatriz Pacheco

HostJornalista
T

Tati

HostApresentadora
C

Cristina Pecequilo

Comentarista
Assuntos4
  • Rebeldes HouthisHouthis · Iraque · Estreito de Bab-el-Mandeb · Estreito de Ormuz · China · Índia · Rota Canal de Suez
  • Acordo Nuclear Irã-EUAArábia Saudita · Estados Unidos · Iraque · Donald Trump e a NASA · Agencia Internacional de Energia
  • Conflito Israel-Hezbollah no LíbanoHezbollah · Sul do Líbano · Israel · Donald Trump e a NASA
  • Prefeito de NY e Benjamin NetanyahuBenjamin Netanyahu e seus processos · Corte Internacional de Justiça · Faixa de Gaza · Cisjordânia
Transcrição17 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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CPCristina Pecequilo

Oi, Tati, boa tarde, boa tarde, Nadedja, aos nossos ouvintes.

?Voz F

Boa tarde.

?Voz D

Bom, vamos falar dos Houthis da Arábia Saudita, do Oriente Médio, porque além da volta das hostilidades entre Estados Unidos e o Irã, tem outras tensões que continuam acontecendo ali na região. E bom, os Houthis anunciaram um bloqueio naval ao Estreito de Bab-el-Mandeb. E quero te ouvir, Cris, explica para gente por que esse bloqueio, por que que esse estreito é relevante e que reações já são observadas a essa ação.

CPCristina Pecequilo

Os Houthis são um grupo muito ligado à resistência iraniana. Então quando a gente fala de Oriente Médio tem aquele eixo da resistência, que é é composto pelos Houthis, pelo Hamas e pelo Hezbollah. E os Houthis, eles têm há mais de uma década um conflito militar com o Iêmen, também com a Arábia Saudita, e são um grupo rebelde que vem tentando apoiar o Irã em todas essas mudanças que vem acontecendo geopoliticamente no Oriente Médio.

Então esse bloqueio ao estreito, que é um estreito que ele fica do outro lado, né, do Estreito de Ormuz, então se os nossos ouvintes puderem ter um mapa na cabeça, a gente Península Arábica. De um lado é o Estreito de Ormuz e do outro lado é o Estreito de Al-Adab. Então o que que nós temos aqui? Um bloqueio naval que é para impedir justamente a passagem de navios petrolíferos para que o abastecimento continue normalizando em regiões como a Ásia, né?

Então a gente tá falando aqui de China e Índia. E esse bloqueio naval levaria essas embarcações até que recorrer a um caminho mais longo, que é pelo Canal de Suez. Então os Houthis fizeram esse bloqueio em resposta ao aumento das hostilidades, né, como você mencionou, Tati, entre os Estados Unidos e Irã, as ameaças novas do presidente Donald Trump de atingir instalações nucleares e todo aquele aparato nuclear do Irã, e também para tentar responder à Arábia Saudita e as suas ameaças que vêm sendo direcionadas ao Iêmen.

Então essa região ela já já é uma região conflagrada e agora ela vem se tornando cada vez mais perigosa para o tráfico marítimo. Então os Houthis, eles têm essa atuação justamente para fazer esse bloqueio. Há controvérsias, né, do que vai acontecer. O presidente Trump disse que também vai atacar os Houthis, mas vamos aguardar para ver se isso se consolida. Agora é fato que o trânsito marítimo nessa região está prejudicado.

?Voz F

E um dos países mais afetados pelas ações dos Houthis é a Arábia Saudita, né, Cris, que há poucos dias assinou um acordo nuclear com os Estados Unidos. O que que tem nesse acordo e que impacto regional teria uma Arábia Saudita nuclearizada?

CPCristina Pecequilo

É bem interessante, Nadede, a estar te ouvindo, porque esse acordo ele vem sendo negociado desde 2024 e muito se fala dentro dos Estados Unidos que esse acordo chamado de Acordo 123 ele ainda não estaria assinado. O presidente Trump disse que já vai assinar. Então a gente tem na verdade um acordo fechado, mas que o Congresso Nacional dos Estados Unidos não quer validar. Então o presidente Trump, ele também recua às vezes no seu compromisso.

Esse acordo permitiria que a Arábia Saudita enriquecesse urânio, né? Então nós temos aí 3 anos, né, 2024, 2025, 2026, que esse assunto vai e volta à medida que a ameaça nuclear do Irã vai se consolidando. Então Então os Estados Unidos prometeram apoio ao programa de enriquecimento de urânio da Arábia Saudita, e esse programa de enriquecimento de urânio não seria fiscalizado pela Agência Internacional de Energia Atômica. O que que isso levaria na região?

A que nós tivéssemos dois países com capacidade de construção de uma bomba atômica. Então quem que seriam esses dois países? O Irã, cuja capacidade nuclear Ela continua sem ser destruída. E Arábia Saudita, que seria um novo jogador nesse tabuleiro geopolítico nuclear.

?Voz D

O Cris, ainda estão em andamento as negociações Israel-Líbano? É possível a gente dizer que já algum tipo de avanço? Quais são as medidas que estão em andamento e quais seriam as consequências dessas negociações para o Hezbollah?

CPCristina Pecequilo

O Hezbollah, ele tem ficado cada vez mais de escanteio nessas conversações, né? Ele não participa oficialmente e o governo libanês aproveita essas negociações com os Estados Unidos e com Israel para tentar diminuir ainda mais o poder militar e político. O que nós estamos observando é, na prática, uma tentativa de substituir tropas israelenses estacionadas no sul do Líbano por tropas do Estado libanês, sem nenhuma ligação com o Hezbollah, para justamente permitir a volta das pessoas a essa região e um desarmamento definitivo do Hezbollah.

O problema é que, como a gente tem visto hoje nas notícias, é que esse acordo muitas vezes não tem sido cumprido por Israel. Israel tem violado o cessar-fogo, mas eu acho que é um ponto positivo de que o governo libanês tem conseguido retomar algumas áreas do Hezbollah e também conseguido sentar à mesa de negociação diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

?Voz D

Bom, é uma última. Vai, vai, Nádia, vai.

?Voz F

Vamos falar do prefeito de Nova York, Cris. O prefeito Zoran Mandani disse que pretende prender o premier Benjamin Netanyahu quando ele fosse à cidade para Assembleia Geral das Nações Unidas. Por quê? E ele pode fazer isso? Tem chance disso acontecer mesmo?

CPCristina Pecequilo

Então, na prática, ele não poderia fazer isso, Nadede, a Tati ouvintes, porque ele não tem autoridade para isso. Ele não é uma autoridade Federal. E o detalhe é que a justificativa que ele usaria para prender o Netanyahu é a sua acusação como genocida no Tribunal Penal Internacional, e os Estados Unidos não são signatários do Tribunal Penal Internacional. Então o que o mandame faz é jogar um pouco mais de gasolina na fogueira.

Trump defendeu Netanyahu dizendo que Netanyahu tem livre trânsito nos Estados Unidos, mas eu achei importante que chama atenção a um tema que vem sendo colocado de escanteio, que é a continuidade da violação dos direitos do povo palestino na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Então, Mandani sabe que não pode prender Netanyahu, mas ainda assim levou o assunto à baila para justamente mostrar para a comunidade internacional que a questão permanece em aberto e a questão humanitária também.

?Voz D

Muito bem. Cristina Pesecchillo conosco às terças-feiras no nosso CBN Pelo Mundo. Obrigada, Cris, um beijo para você, até a semana que vem.

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