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Sachês de nicotina preocupam especialistas por risco de dependência e efeitos cardiovasculares

21 de julho de 20264min
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Luiz Fernando Correia alerta para o avanço dos sachês de nicotina, pequenos saquinhos colocados entre a gengiva e o lábio que liberam nicotina sem produzir fumaça. Apesar de serem proibidos no Brasil, os produtos são vendidos de forma ilegal e costumam ser apresentados em embalagens coloridas e sabores atrativos para o público jovem. A Anvisa discute a possibilidade de regulamentação, enquanto a indústria defende o produto como estratégia de redução de danos.

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L

Luiz Fernando Correia

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Assuntos1
  • Cigarros eletrônicos e saúdeProibição no Brasil · Venda ilegal · Público jovem · Redução de danos
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LFLuiz Fernando Correia

Saúde em Foco com Luiz Fernando Correia.

?Voz B

Doutor Luiz Fernando deixou o comentário dele gravado hoje, vamos ouvir.

LFLuiz Fernando Correia

Bom, se vocês não sabem o que são sachês de nicotina, provavelmente vocês vão acabar sabendo em breve, porque estão chegando ao Brasil. São uns pequenos saquinhos, tipo um sachê de chá, só que bem menor. Você coloca entre o lábio superior e a gengiva, fica ali por uns minutos e libera a nicotina diretamente na mucosa, e você joga fora depois. Sem fumaça, sem cigarro, sem cheiro. Parece inofensivo, né, gente? Mas vamos olhar o que que a ciência fala disso.

Por que isso? Primeiro, eles são ilegais no Brasil. Se você conhece, já viu alguém usar, é ilegal. Os sachês não têm regulamentação específica da Anvisa e são considerados proibidos. Mesmo assim, são obviamente vendidos abertamente nas redes sociais, grupo de WhatsApp e em comércio informal. Vêm umas latinhas coloridas em sabores, né, menta, fruta, cítricos. É claramente voltado para um público jovem. Em 2026, a Anvisa abriu consulta pública para discutir a regulamentação.

A pergunta central é: proibir ou regulamentar? E a segunda coisa, e a mais importante: quem está por trás disso? A indústria do tabaco, ou como eu gosto de dizer, indústria da nicotina. Não é coincidência que as maiores empresas de tabaco do mundo são as que fabricam e distribuem essas coisas. O argumento deles é redução de danos. Seria uma alternativa ao cigarro, sem combustão, sem catrão, sem monóxido de carbono. E olha, parte disso é verdade, sachê de nicotina não produz fumaça.

Mas aí é que vem o grande porém: cria dependência. Dependência não tem a ver com fumaça, dependência tem a ver com nicotina. Os padrões de uso já publicados na Evidências Científicas em 2025 mostra que os jovens usam isso diariamente em altas doses e com sinais de dependência rápida. A nicotina é uma substância altamente viciante. Os sachês têm concentração que vão de 3mg a 20mg por sachê, bem acima de um cigarro comum, aliás, bem acima de um maço de cigarros.

E outra coisa, os riscos cardiovasculares são reais. Associação Americana do Coração publicou no final de 2025 uma declaração de posição na revista Circulation sobre produtos orais de nicotina sem combustão: aumento da pressão arterial, lesão da parede dos vasos, artérias, e risco cardiovascular consistente. A nicotina de qualquer forma afeta o sistema cardiovascular e ponto. E outro, não passa e não deixa de ser uma porta de entrada para que o consumo da nicotina, seja por cigarro tradicional, seja por vaping, continue sendo.

Ou seja, o que a indústria quer na verdade é capturar novos clientes, né, gente? Então não há possibilidade de redução de dano nem nada. Isso é pura e simplesmente manutenção de mercado dessas empresas.

?Voz B

São 4:20.

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