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Ataques dos EUA ao Irã elevam risco de escalada no conflito

20 de julho de 20269min
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Filipe Figueiredo explica como a retomada das hostilidades, a nova autorização militar de Trump e os ataques à infraestrutura iraniana aumentam a tensão, enquanto a diplomacia segue fragilizada.

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Participantes neste episódio1
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Filipe Figueiredo

ComentaristaEspecialista
Assuntos2
  • Sanções dos EUA ao IrãRetomada de hostilidades · Autorização militar de Trump · Ataques à infraestrutura iraniana · Donald Trump e a NASA · Golfo Pérsico · Estreito de Ormuz · Israel · China
  • Incerteza e escalada de hostilidadesFragilidade diplomática · Crime de guerra · Eleições nos EUA · Eleições em Israel · Benjamin Netanyahu e seus processos · Catar · Paquistão · Omã
Transcrição15 segmentosassemblyai/universal-3-5-pro

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?Voz C

Felipe Figueiredo com a gente toda segunda-feira aqui no CBN Pelo Mundo. Felipe, bem-vindo mais uma vez, tudo bem?

FFFilipe Figueiredo

Olá, pessoal, sempre bom estar aqui com os nossos e nossas ouvintes aqui da CBN.

?Voz C

Bom, agora, Felipe, é fato que os ataques foram retomados. Vamos fazer aqui para o nosso ouvinte um pequeno retrospecto, um curto retrospecto dos últimos desdobramentos dessa guerra no Irã.

FFFilipe Figueiredo

A última semana, os últimos 10 dias mais ou menos, foram bastante importantes, né, no conflito contra o Irã. Porque a gente vai voltar agora rapidamente para o dia 10 de julho, porque nesse dia o governo Trump notificou o Congresso dos Estados Unidos de uma retomada de hostilidades, né. Isso na prática resetou o relógio de 60 dias que o presidente dos Estados Unidos tem para usar a força à sua discrição, ou ao seu bel-prazer, se preferirem, em nome da segurança dos Estados Unidos, em nome dos interesses dos Estados Unidos, né?

É interessante a gente lembrar o nosso ouvinte que a última vez que os Estados Unidos estiveram oficialmente em guerra foi na Segunda Guerra Mundial. Desde a Guerra do Vietnã, o presidente dos Estados Unidos tem poderes executivos militares muito grandes. E recentemente nós tivemos uma limitação de 60 dias nesses poderes, e o governo Trump então usou os primeiros 60 dias. Tivemos a rodada de negociações para o memorando de entendimento, para um possível cessar-fogo, e agora nós tivemos uma nova notificação.

Isso significa que por 2 meses, né, pensando agora mais ou menos 50 dias, o governo Trump ainda tem autoridade militar para usar contra o Irã.

?Voz C

Agora, a partir dessa mudança legal nos Estados Unidos que você cita, tivemos quais hostilidades?

FFFilipe Figueiredo

O que que aconteceu nesses 10 dias? Nós tivemos uma série de trocas de ataques Estados Unidos atacando alvos no Irã, Estados Unidos atacando alvos especialmente na zona costeira do Golfo Pérsico, o Irã atacando instalações militares dos Estados Unidos nos países da região como Kuwait, Catar, Omã. Isso é muito importante porque o Omã é habitualmente um país neutro e é um país que o Irã depende do Omã para uma eventual gestão do Estreito de Ormuz, já que parte do Estreito de Ormuz é soberania do Omã.

E é importante destacar que o Irã atingiu bases na Jordânia também, bases dos Estados Unidos na Jordânia. Estados Unidos e Jordânia são aliados há décadas, mas isso também serve como um alerta, né, um aviso iraniano, digamos assim, que caso Israel participe dessa nova onda de ataques contra o Irã, o Irã ainda tem a capacidade de atingir alvos dentro de Israel. Agora, o que é muito interessante de notar, o que é muito importante de destacar nessa última semana, é que os Estados Unidos atingiram uma ponte iraniana que fica no nordeste do país, certo?

E E essa ponte que fica na região do Gulistão, perto do Mar Cáspio, ela é importantíssima para as conexões terrestres, para infraestrutura iraniana com Rússia e China, que são hoje, especialmente a China, né, os principais parceiros iranianos desde a assinatura da parceria estratégica entre Irã e China alguns anos atrás.

?Voz C

Agora, Felipe, o cenário não parece ser, não parece ser bom. Você acredita que há possibilidade, há risco de uma escalada nesse momento e por quê?

FFFilipe Figueiredo

O risco de escalada hoje, ele é real devido a essa autorização, essa possibilidade legal por parte do governo Trump. E um dos principais riscos de escalada está nessa realização de ataques contra infraestrutura iraniana. O que é bom dizer, dependendo da infraestrutura, pode consistir inclusive em crime de guerra. Você não pode atingir, por exemplo, uma usina de dessalinização de água, que essa água é usada para abastecer uma cidade, uma comunidade civil.

Isso constitui crime de guerra. Não que isso vai ser um grande freio para o governo Donald Trump, ou que possamos esperar algum tipo de represália ou de penalização ao governo dos Estados Unidos, mas ainda assim é necessário fazer essa distinção moral de que existem condutas tipificadas como crimes de guerra. E esse ataque à ponte que eu citei, ele possivelmente também serve de um alerta de: olha só, podemos começar a atacar a infraestrutura.

Se especula de um ataque, um novo ataque às instalações nucleares iranianas. E claro, existe sempre a possibilidade que eu acredito que seja um desejo do governo Donald Trump, com apoio dos Emirados Árabes Unidos, porém esse desejo, ele é dissuadido por outros elementos dentro do governo Donald Trump que temem uma repercussão eleitoral, que temem um alto custo de vidas, que é algum tipo de operação para controle físico do Golfo Pérsico.

Então, por exemplo, a tomada de algumas das ilhas iranianas, né, como a ilha de Abu Musa, que é reivindicada pelos Emirados Árabes Unidos, ou a ilha de Kharg, que é o principal terminal iraniano para petróleo. Infelizmente, nesse momento é muito difícil fazer algum tipo de previsão, até porque, né, estamos falando de Donald Trump, que não tem exatamente o comportamento mais previsível do mundo. E alguns dos seus partidários e defensores acreditam que isso seria inclusive uma qualidade, né, em um líder internacional.

?Voz C

Felipe, não há na mesa nenhum tipo de negociação? A diplomacia tá ausente nesse momento? O que que tá acontecendo?

FFFilipe Figueiredo

É importante destacar que nessa última semana o Catar e o Paquistão e também o Omã continuaram atuando, né, defendendo diplomacia, continuaram atuando para defender os canais de comunicação. O governo Trump disse que o memorando de entendimento está morto porque ele não teria sido cumprido pelo Irã, que os atores iranianos não teriam negociado em boa-fé. Declarações similares foram vistas de alguns atores iranianos. Porém, o Ghalibaf, que é o presidente do parlamento iraniano, é um dos principais defensores das negociações, disse que a diplomacia ainda é o principal caminho, né?

No momento não há nenhum tipo de negociação direta ocorrendo entre os dois atores. É importante lembrar que além das eleições nos Estados Unidos também teremos eleições em Israel esse ano, e o governo Netanyahu e o próprio Benjamin Netanyahu, que é interessado numa eventual reeleição, para manutenção inclusive dos seus privilégios, das suas imunidades, melhor dizendo, perante o Judiciário israelense, é um ator interessado na retomada dos ataques.

Então nós temos hoje muitos elementos, tá? Os canais diplomáticos permanecem abertos pelos intermediários, porém nesse momento é uma situação frágil, porque tanto Irã quanto Estados Unidos acreditam que o uso da força poderia beneficiá-los nas negociações. E aí, para concluir, a gente tem que lembrar de uma questão muito importante: esse conflito no Irã, ele dificilmente permite uma solução militar. É um conflito em que uma solução militar— o Irã, os Estados Unidos não vai conseguir invadir o Irã e depor o governo, o Irã não vai conseguir destruir o governo dos Estados Unidos.

Todos os atores envolvidos, incluindo os regionais, saíram de alguma maneira com prejuízo dessa guerra iniciada no dia 28 de fevereiro pelos ataques aéreos de Israel e dos Estados Unidos. Então a solução militar ela não existe, porém no momento acreditam-se todos os atores envolvidos que o uso da força pode melhorar as posições nas negociações diplomáticas, e aí reside o o perigo de uma escalada ou perigo da situação sair de controle.

?Voz C

Felipe, mais uma vez obrigado e até a semana que vem. Um grande abraço.

FFFilipe Figueiredo

Eu que agradeço, sempre bom tá aqui e até semana que vem.

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