Domínio da Espanha na final da Copa reacende debate sobre estilos de jogo
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Técnicos e Estilos de JogoControle de posse de bola · Marcação intensa · Futebol arte vs futebol eficiente · Tique-taca
- Copa do MundoDomínio da Espanha · Argentina · Espanha · Estilos de jogo
- Situação dos Terceiros ColocadosInglaterra vs França · Artilheiro · 10 gols na partida
Introducing Meta Glasses.
Hey Meta, any last-minute tables for 2 tonight?
Sure, there's a great Italian restaurant 15 minutes away.
— Anúncios inseridos dinamicamente —
Carlos Eduardo Éboli, Gabriel Dudziak, boa tarde.
Olá, boa tarde, boa tarde.
Tem um hino aí? Pera aí, pera aí. Aqui quando tem campeão toca hino, não é isso, Éboli?
É hino ou qualquer música espanhola, sei lá.
Vamos ouvir a Rosalía, não sei. Mas que finalzinha xexelenta, hein, caras! É, olha, é, mas ó, eu, a gente falava aqui sobre o jogo da final e tal, e falava também sobre a disputa de terceiro e quarto lugar, que você dizia assim, ah, eu falava, mas Inglaterra, Inglaterra e França promete de repente ser um jogão. É, não sei, lá lá lá. É assim, é isso, esse é o tipo de jogo de Copa que eu gosto, 10 gols, entendeu? Entretenimento garantido, claro.
É um jogo completamente descompromissado da marcação. Foi, foi uma partida divertidíssima, né, o que aconteceu na disputa do terceiro lugar. 10 gols, foi a partida da Copa com o maior número de gols e que ajudou o Mbappé a ser o artilheiro da Copa, né, porque depois de um primeiro tempo dormente o adormecido da França, veio uma reação incrível. O jogo ficou frenético no segundo tempo. Mas eu acho que assim, o terceiro lugar tá muito bem entregue para Inglaterra, porque eu acho que o primeiro tempo mostrou que tinha uma seleção realmente conectada com aquela disputa do terceiro lugar.
A outra não. A outra precisou de um, de uma revolução francesa no vestiário, não tenha dúvida disso, né? Protagonizada pelo, pelo Didier Deschamps, técnico francês, que ficou marara com o que aconteceu no primeiro tempo. Então, por essa conexão, por esse envolvimento, por essa seriedade da Inglaterra no primeiro tempo, eu acho que o terceiro lugar ficou bem entregue. E o título, gente, não há dúvida nenhuma, né? Acho que não há questionamento de que o título tá muito bem entregue nas mãos da Espanha.
Mas assim como você Eu fiquei muito frustrado, muito decepcionado, porque a gente viu uma final de um time só. Foi o maior ataque contra a defesa que eu vi numa final de Copa do Mundo. E final de Copa do Mundo não é para ser assim, né? Tanto é que pela primeira vez na história das finais de Copa, um time não conseguiu finalizar contra o outro no tempo normal. A Argentina não é que chutou para fora, ela não finalizou, ela mal se aproximou da área.
Da Espanha no tempo normal. Só teve uma única finalização que aconteceu já nos minutos finais da prorrogação, quando já perdia por 1 a 0. Então acho que o gol da Espanha demorou até sair. A Espanha desafiou o futebol, porque só o futebol é capaz dessas coisas, de uma equipe não finalizar e de repente conquistar um título. Vai para os pênaltis, né? Caminhou, tava caminhando muito para muito próximo dos pênaltis ali, e nos pênaltis A Argentina poderia ter conquistado o título, até porque o Dibu Martínez teve uma atuação fantástica, o goleiro argentino.
Mas foi um massacre, gente, foi assim um domínio absurdo, uma imposição da Espanha, mas uma aceitação também, sabe, da Argentina, que muito me incomodou. Achei uma atuação ridícula da Argentina. E repito, o título tá muito bem entregue porque a Espanha domou todos os seus adversários do início ao fim da Copa.
Dudziak, vamos lá. Estranho ver a Argentina não chutar uma bola para o gol numa final de Copa do Mundo, né?
Sem dúvida, né? Sem dúvida que foi uma atuação muito ruim da Argentina, né? Mas acho que totalmente condicionada pelo estilo de jogo da Espanha, que controlou completamente todas as fases e momentos do jogo, né? Foi assim um jogo muito controlado. Acho que essa é a palavra sobre a final e sobre o estilo de jogo dessa seleção da Espanha. E e que já tinha mostrado de alguma forma esse controle contra a França. A gente não viu a França entrar em campo porque a Espanha não deixou.
Então é posse de bola o tempo todo, linha de passe aberta o tempo todo, jogadores muito atentos à retomada da bola no momento da perda. Então assim, fica uma coisa assim, e vamos utilizar as palavras dentro do contexto futebolístico, tá? É uma coisa assim asfixiante. É repressor o estilo espanhol. Ele não deixa você ter nada, né? Então você tá com a bola, eles vêm rápido e roubam a bola de você. Você não tem a bola, eles colocam a bola de um lado para o outro, você tenta pegar a bola e não consegue.
E acho que é por isso que a gente não viu nada da Argentina que a gente tava acostumado a ver nessa Copa do Mundo, né? Nem a rebeldia argentina, aquele, aquela paixão pelo caos apareceu, porque foi tudo muito assim controlado pela a Espanha do começo ao fim. Faltava a questão do gol, mas do jeito que tava, uma hora ele ia vir. E foi o que aconteceu ali na prorrogação. Só então que a Argentina quebrou algumas das amarras espanholas também, porque a Espanha já muda também o jeito de encarar o jogo.
Não é mais a necessidade do gol, e sim a necessidade de evitar gols. E aí sim, a Argentina vem para cima, tem duas boas oportunidades poderia ter empatado o jogo. Numa delas ali, o Senesi acaba sendo cortado pelo Kubarsky. Era uma bola sem goleiro que vai para escanteio, e na sequência o Simeone tem a oportunidade de fazer o gol e chuta por cima. De fato, não foi uma final memorável, mas acaba sendo um título muito merecido de uma equipe que foi superando adversários complicados até chegar na final, né?
Passou por Portugal, passou pela França, passou pela Argentina. É um caminho diferente daquele dos argentinos, que tiveram teoricamente mais facilidades nesse caminho até a decisão. Não tem nem o que contestar esse título espanhol, tem sim o que discutir sobre futebol e tudo mais.
Eu ia colocar isso porque tem gente que torce o nariz para essa seleção dizendo, ai, a vitória do futebol eficiente contra o futebol arte bonito. Enfim, o que a palavra que a gente queira para, enfim, para algo que nos dê mais vontade de assistir.
Mas assim, eu acho que o futebol da Espanha ele tem a sua arte, né?
Você acha?
Esse controle da— eu acho, eu acho que você ter a imposição de jogo através da posse de bola, com passes precisos, tudo isso é técnica, né? E quando você tem a técnica, eu acho que você trafega ali com a arte também. Né, do passe preciso, da eficiência na construção de jogadas, da maneira como você tira a bola do seu adversário. O futebol é um jogo, né, onde o objetivo maior é você pegar a bola para fazer o gol, né? E ninguém pega mais a bola do que a Espanha.
São 38 partidas de invencibilidade. Então isso não se conquista apenas com futebol pragmático, um futebol chato de se ver. Até a Espanha já foi mais o tal do tique-taca, né, que muitas vezes era criticado porque apareceu o tal do arame liso, você toca, toca, toca e não tem a profundidade, não tem agressividade. Isso se quebrou. Essa Espanha atual tem jogadores que dão agressividade, né? Os jovens talentos espanhóis são jogadores verticais.
O Lamine Amal é um jogador vertical, o Nico Williams é um jogador vertical, o Dani Olmo é um jogador vertical. Então são jogadores que conseguem quebrar na medida certa né, usar o toque de bola e quando se aproxima da área do adversário tem o ataque, tem a agressividade. Foram 20 finalizações da Espanha ontem contra a Argentina. Então não é aquele toque, toque, toque improdutivo, é um toque que não deixa o adversário jogar e que se impõe de uma maneira impressionante.
Tatiana, oi, oi, Fernando, acho que também, né, tem uma, tem um ensaio de 71 do Pier Paolo Pasolini, que falava sobre futebol de prosa e futebol de poesia. Vira e mexe a gente tá se batendo com essas ideias, né? Então assim, futebol de prosa em 1971, já dizia o Pasolini, era o futebol coletivo, tático e racional da Europa. Futebol poesia era individual, drible e improviso, mais o futebol sul-americano, né? É claro que hoje, com globalização, diferentes estilos, diferentes treinadores e tudo mais, essas fronteiras se diluíram, se dissolveram.
Mas eu acho que esse debate ele tá sempre presente, né? Acho que essa Espanha é muito prosa, né? E a Argentina era bastante poesia. Aí cada um vai decidir o que que gosta mais e por aí.
Agora eu entendo por que que você é o poeta que faz justiça na transmissão da CBN. Entendi.
A Argentina, a nova geração assim da Argentina, você pegar a seleção da Argentina ela não tem dribladores como Lamine Amal e Nico Williams, né? Aí eu já acho que tem também, né, nessa Espanha um pouco de poesia, quando você considera que a poesia é a arte do drible, é coisa intuitiva, é o improviso. Eu também vejo isso e acho que a Argentina faltou, faltou isso, faltou nesse jogo contra a Espanha, faltou alguém além do Messi. O Messi é o cara que tem essa capacidade, mas aos 39 anos no último jogo de Copa do Mundo, depois de uma sequência incrível sem praticamente sair de campo.
Eu acho que faltou, faltou o Messi ter um time que desse mais suporte a ele. Ontem ele não foi visto, a Espanha não deixou o Messi jogar. Consequentemente, parou a Argentina na medida que os outros não apareceram, né?
Tá bom, gente. Agora tem torcedor, eu ia falar torcedor, obviamente, mas tem ouvinte aqui mandando recados para o Messi, dizendo que o Botafogo tá contratando. De volta para o Campeonato Brasileiro. Não, não tem lugar para o Messi no Botafogo, né, Duda?
É, acho que esse casamento aí não vai rolar nesse momento.
Corinthians, que a gente aceita.
Estão preparados para uma Copa com 64 seleções?
Que não é mais do que teve agora.
É, não tô não, cara. É mais, é mais, é um terço a mais. Você sabe que eu era resistente, né?
Gente, 45 dias de Copa tá bom para bagunçar na rotina que que faz e tudo, né? E o tanto de dinheiro que a FIFA ganhou, não precisa ganhar mais, né?
10 bilhões é o cálculo, gente, pelo amor de dólares.
Mas assim, do ponto de vista esportivo, eu era resistente às 48 seleções, e eu achei que várias dessas 48 que não estariam numa Copa se fosse um número reduzido entregaram algo bem legal na Copa. Eu acho que a gente teve ali um uma terceira prateleira, uma quarta prateleira, que para todo mundo entraria na Copa como figurante, e deram um colorido bem interessante à Copa do Mundo, proporcionando bons jogos.
Eu não sei se foi feito como sempre, né, do jogo, mas assim, 45 dias de evento movimentando esse tanto de dinheiro já não tá bom não?
É, e não tá além da conta, né?
Sim. E que mundo é o mundo de 2030, né?
Sim, se é que vai haver mundo, não é mesmo?
Eu só pensei nessa hora aí dos 64 times pegando avião para vir para América do Sul, Portugal, Espanha, Marrocos.
Se bobear, o nível do mar vai subir tanto até 2030 que vai ter país que nem vai existir mais.
Ah não, eu disse que não é para isso.
Não, essa é uma previsão catastrófica, não é para daqui a 4 anos, mas essa é a previsão mesmo de efeitos de mudanças climáticas, enfim, cujos efeitos a gente tá sentindo agora nessas ondas de calor na Europa, por exemplo.
Assim, é que não tem espaço, né? São tantos absurdos e são tantas coisas acontecendo, mas assim, pegada de carbono, ninguém falou dessa Copa nos Estados Unidos. Agora você imagina isso daí em 2030. O Fernando acabou de falar aí de notícia de petróleo, querosene de aviação. Tá bom, vamos nessa.
Vamos, vamos nessa, acelerando rumo ao abismo. Um beijo, gente.
Tchau, tchau, gente.
Até amanhã. Até amanhã não, até quarta.
— Anúncios inseridos dinamicamente —