Por que comemoramos a derrota da Argentina na Copa do Mundo?
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- Alegria pela derrota alheiaSchadenfreude · Rivalidade esportiva · Argentina
- Origem e Formação PessoalTorcer contra vs. torcer a favor · Autoestima
Refletir para viver com Rosandro Klinger.
Ontem a Argentina perdeu e muitos de nós aqui no Brasil ficamos imensamente felizes. Antes de qualquer moralismo, isso tem uma camada saudável. Rivalidade esportiva é jogo simbólico, teatro coletivo, e eles fazem o mesmo com a gente. Faz parte. O hermano zomba do 7 a 1 até hoje, e a gente guarda cada eliminação deles com carinho de colecionador. Dentro do estádio, essa provocação é quase folclore. O que me interessa é a camada de baixo.
Porque tem gente que comemorou a derrota argentina com mais intensidade do que comemora a vitória do Brasil. E aí a psicologia tem o que dizer. Os alemães têm uma palavra para isso: Schadenfreude, a alegria pela desgraça alheia. Estudos de neurociência mostram que ver o rival fracassar ativa o circuito de recompensa do cérebro. O mesmo dá comida, do prazer. O tombo do outro literalmente dá prazer químico. E por que dá? Porque rebaixa a régua sem exigir esforço.
Quando o outro cai, minha posição melhora sem eu ter subido um degrau. É uma vitória que não custa nada, e vitória barata sempre encontra comprador. No plano coletivo, funciona igual. Um país que tem passado por frustração com o próprio futebol encontra na queda do vizinho um alívio momentâneo. A gente não ganhou nada ontem, mas eles perderam, e isso reorganiza o placar emocional por algumas horas. O detalhe incômodo é esse: quem depende da queda alheia para se sentir bem revelou de onde tira a própria estima.
Torcer contra é fácil, construir algo para torcer a favor dá trabalho. A zoeira com o irmão pode ficar, Ela é nossa também. Só vale a pergunta honesta: sua alegria vem do que você constrói ou do que o outro perde?