Corrida presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro é 'disputa do passado'
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Momento da Política com Merval Pereira.
E aí, Merval, como está?
Tudo bom, Sardenberg? Boa tarde, ouvinte. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, Merval.
Bom, Merval, começam hoje Começa hoje o prazo para as convenções eleitorais, convenções dos partidos, já teve até algumas. E, mas eu queria que você nos comentasse sobre a sua coluna no jornal O Globo de hoje, no qual você diz o seguinte: que qualquer que seja o resultado da eleição esse ano, seremos reféns do passado até pelo menos 2030. Ou seja, só a partir de 2030, você comenta, é que haverá uma nova safra de políticos à disposição de eleitores.
Merval, eu acho que a gente nessa disputa que acabou ficando aparentemente entre Lula e Bolsonaro, é tudo disputa do passado, né? O Lula já foi presidente 3 vezes. O Bolsonaro já foi presidente uma vez e tenta voltar. São forças políticas que dominaram a política brasileira por um período alto, grande. Mas a novidade, a única novidade que houve na política brasileira, fora o Collor em 89, que acabou se mostrando É um desastre e um, não conta como, como início de uma nova era, né?
Podia ser, mas não foi. Foi o Plano Real, foi o Fernando Henrique, né? A única novidade é que aconteceu no país levou o Fernando Henrique a vencer duas vezes no primeiro turno, exatamente porque dava início a uma nova etapa na vida brasileira, acabar com a hiperinflação, né, uma coisa completamente nova para toda uma geração. E depois veio o Lula, que era outra novidade, mas novidade, mas que tinha disputado em 89, desde 89, né, mas era um operário no poder e tal.
Mas fora isso, a gente tem repetido Tá repetindo os mesmos erros, as mesmas incapacidades de levar o país adiante. O país vem crescendo medilcramente, 2% ao ano. Não há possibilidade do país se desenvolver e crescer com crescimento ridículo desse. E a gente não tem nenhuma perspectiva de novo, porque a repetição do quarto governo Lula ou da volta do Bolsonaro ao poder, que quando chegou disse que tinha o objetivo de destruir tudo para depois construir.
Destruiu, não construiu nada. O Lula voltou, reconstruiu o que pôde, e agora vem o Bolsonaro de novo para destruir novamente. Assim o país não vai para frente, não há possibilidade do país crescer nessa disputa do passado, né? Então vamos ver se 2030 a gente tem outras perspectivas, né?
Uma observação aqui, Merval, é: o Brasil na época do Fernando Henrique Cardoso tinha dois grandes problemas, que era a hiperinflação, né, processo de hiperinflação que se repetia já há alguns anos, e o completo desajuste das contas públicas. O Plano Real resolveu o problema da inflação, né? Pelo menos nós temos uma moeda estável já desde 94, quando diz de quando Antes do Plano Real, a gente tinha uma moeda mais ou menos a cada um ano e meio, né?
Então o problema do real, da inflação, foi resolvido. O que não foi resolvido e que precisa ser é o descontrole, desajuste das contas públicas, né? Voltar a equilibrar receita e despesa para impedir o endividamento. Mas não tem nada, ninguém falando disso para próximas eleições.
É, não é, não é um tema eleitoreiro, né, que se possa defender, mas é isso. Houve a tentativa ainda no governo Fernando Henrique de estabelecer metas e rigores para o uso do orçamento, né, mas vão ter meios e governos rompem as barreiras, inventam soluções temporárias que viram permanentes, e as contas ficam desequilibradas. E sem conta equilibrada você não sai desse marasmo de 2% ao ano de crescimento, quando muito, né? É exatamente isso.
O diagnóstico foi feito, o equilíbrio fiscal foi colocado como uma meta, mas até hoje não conseguimos cumprir essa meta.
Exatamente. Merval Pereira, obrigado, Merval. Até amanhã.
Até amanhã, Sanem.