A casa do crime virou lar: a lembrança de uma infância na Bela Vista
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Iorli Marli Bezerra Pivato
- Infância de GisèleCrime na Rua Santo Antônio · Paulo Ferreira de Camargo · Salão de beleza da mãe · Pensão · Bela Vista
- Virada Cultural SPLança-perfume · Avenida 9 de Julho · Teatro de alumínio · Praça da Bandeira · 4º centenário de São Paulo
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Lima. How do you say, where's the restroom, in Spanish? ¿Dónde está el baño? Hey Meta, is a hot dog a sandwich? Technically, no. Spiritually, yes. Hey Meta, what should I do with my life? That's one of life's biggest questions. What do you think? Ask anything with the new Meta Glasses.
Conte sua história de São Paulo. No Conte sua história de São Paulo, o texto da ouvinte da CBN, Iorli Marli Bezerra Pivato. Minha história de São Paulo começa em 1948, quando eu tinha 6 anos e mudei da casa da minha avó, na Rua Cruzeiro do Sul, para uma casa mal-assombrada. Na Rua Santo Antônio 104, no bairro da Bela Vista. No local, havia acabado de acontecer um crime que abalou a cidade de São Paulo. Um jovem químico, professor da USP, Paulo Ferreira de Camargo, havia matado a mãe e as duas irmãs e jogado os corpos em um poço no quintal da casa.
Quando os corpos foram descobertos, ele se matou no banheiro. Um dos bombeiros que participou das escavações sem proteção, morreu por infecção cadavérica. Todos esses fatos e o exagero da imprensa em criar reportagens sensacionalistas deram a ideia de que o local era amaldiçoado, mal-assombrado, tornando o imóvel desvalorizado. Minha mãe viu ali uma oportunidade de negócio, alugou o imóvel, montou o seu salão de beleza e reloquei quartos e salas, fazendo uma espécie de pensão.
Tenho boas lembranças daquela época, da ingenuidade da criança que se divertia observando curiosa os quartos dos inquilinos pelas fechaduras das portas quando voltava do jardim da infância na Cruzada Pró-Infância, na Praça da República. Lembro das brincadeiras com os tubos de lança-perfume comprados por meu avô para festa de carnaval na Avenida 9 de Julho, onde o cordão passava cantando Nega Maluca de Linda Batista.
Tava jogando sinuca, uma nega maluca me apareceu, vinha com o filho no colo e dizia pro povo que o filho era meu.
Lembro da curiosidade sobre o teatro de alumínio instalado em 1952 na Praça da Bandeira, onde a companhia de teatro de Nissette Bruno se apresentava e usava os serviços do salão de beleza da minha mãe. Lembro da festa do 4º centenário de São Paulo, dos papéis picados sendo jogados do alto dos prédios. Vivemos na casa muito felizes até 1954, quando ela foi demolida. Mudamos então para o bairro da Vila Rosa, perto do Horto Florestal, mas não abandonamos o centro.
Trabalhamos no Lago do Arouche, na Praça Patriarca, na Praça da República, mas aí são outras histórias. Iorli Marli Bezerra Pivato é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antônio. Escreva o seu texto agora e envie para Conte sua história, @cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite o meu blog, miltonjung.com.br, e o podcast do Conte Sua História de São Paulo.