Consumindo a próxima versão de si mesmo
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Michel Alcoforado
Fernando
Tati
- Identidade e AutoestimaRedes sociais e comportamento de compra · Arquétipos de consumo (old rich, novo rico) · Identidade e escolhas de produtos
- O Futuro do Varejo e ConsumoConsumo aspiracional e 'vai que' · Exploração de imóveis de luxo online · Elasticidade da identidade no mundo atual
- Poder de compra no BrasilSalário mínimo digno vs. salário oficial · Imaginação como motor de decisões diárias · Desejo por uma vida infinitamente melhor
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How do you say, where's the restroom, in Spanish?
¿Dónde está el baño? Hey Meta, is a hot dog a sandwich? Technically no. Spiritually, yes.
Hey Meta, what should I do with my life?
That's one of life's biggest questions. What do you think?
Ask anything with the new Meta Glasses. Pra Onde Vamos com Michel Alcoforado.
Fala, Michel, boa tarde.
Boa tarde, Tati. Boa tarde, Fernando.
Boa tarde, Michel.
Nossa, eu vou até pegar abertura desse CB.
Fernando ainda tá aí, né?
Como assim ainda?
Fernando... Não, você não vai tirar férias?
Calma, segunda-feira eu trabalho e entro de férias.
Ah, trabalha ainda?
É, tá tudo certo.
Tá tudo planejado.
Você tá às beiras da porta da felicidade, né? Na verdade, eu já não trabalho nem aqui, cara.
Opa, sincerão.
Tô cito assim.
Opa, sincerão.
Ó um sincerão escapando aí.
O Michel se diverte, né? Ele se diverte, é muito bom. Eu até peguei a abertura do Estúdio CBN porque a gente falou bonito, né, da coluna do Michel. Não abre? Michel Alcoforado fala sobre o consumo como uma forma de ensaiar quem esperamos nos tornar.
Gente, que bonito, né? Parece até que eu sou sério.
Não é bonito? Você é o que você consome. Quer dizer, você vai ser o que você consome.
Eu acho que você ensaia comprar aquilo que você deseja ser. E essa que é— é, olha que maravilha. Essa coluna de hoje, ela foi muito baseada num livro de dois antropólogos. O livro se chama Cultura, Consumo e Identidade, foi publicado pela Fundação Getúlio Vargas, e os dois antropólogos são Lívia Barbosa e Colin Campbell, que é um inglês que fez muita pesquisa aí mundo afora e entende de consumo como ninguém. Esse ambiente, esse livro é interessante pra gente pensar um fenômeno super importante hoje, que é o impacto das redes sociais na forma como a gente compra.
E na forma como a gente sonha ou imagina o que que vai comprar. Uma trend aí que os ouvintes já devem ter se deparado, sobretudo olhando para o comportamento dos mais jovens, que é quando os jovens assumem um arquétipo daquilo que eles desejam ser. E aí eles começam a comprar um monte de bugiganga para parecer aquilo que eles desejam ser. Eu vou explicar de um jeito mais fácil. É assim, você quer imaginar como é que é ser um novo rico, Aí você entra num aplicativo desses baratinho, vai no Saara ou no Comércio Popular do Brás e compra um monte de bugiganga que custa nada, quase, né?
Mas você tem a chance de voltar pra casa, colocar aquela roupa, aquele acessório, aquele brinco, aquele relógio, aquele tênis e se sentir como você seria se você fosse o novo rico. Uma outra trend que faz muito sentido, faz muito sucesso no TikTok, que é a dos old rich, dos velhos ricos, que é quando os jovens vão em brechós ou lojas de segunda mão de produtos da década de 70, da década de 80, foi um período glamouroso assim pra uma certa elite brasileira, compram aquilo tudo baratinho e aí voltam pra casa e ficam ensaiando como é que eles seriam se eles tivessem um dinheiro de muito tempo nas suas famílias.
Isso parece coisa de gente jovem, parece coisa de quem gosta muito de TikTok, de redes sociais, mas isso revela de certo modo um novo jeito de consumir, ou como é que isso ajuda a gente a entender quem a gente é. A gente não pode esquecer que consumo tem um papel importantíssimo na definição da nossa própria identidade. Aquela pergunta clássica que a Marília Gabriela fazia nos programas de televisão, quando tinha seu programa de entrevista: quem é Marília Gabriela por Marília Gabriela?
Michel Alcoforado por Michel Alcoforado? Não faz mais tanto sentido porque a gente nem sabe direito quem a gente é. A gente é tanta coisa que é difícil definir numa só frase. E aí, como é que a gente vai tateando os limites da nossa identidade, os limites de quem a gente é? Comprando também. Quando você chega no supermercado e tem o sabão em pó da marca X e o sabão em pó da marca Y, gente que compra sabão em pó da marca X se sente um tipo de gente diferente de quem compra da concorrência.
Do mesmo modo, sei lá, quando você vai na loja de roupa e você vai comprar uma calça jeans e você gosta da calça jeans larga, que é diferente de quem gosta da calça jeans skinny, que é aquela justinha, você vai dando um limite pra tua própria identidade. A gente vai percebendo quem a gente é e descobrindo quem a gente é. É no ponto de venda também, na lojinha, porque a gente vai percebendo o nosso gosto. E vai descobrindo qual é o nosso perfil de ser, de subjetividade mesmo, ou nossa, a nossa identidade.
O que tá interessante agora é que você agora pode ir na loja, experimentar, experimentar, experimentar, é até comprar se você quiser, mas aquele processo ele funciona como exercício de imaginação. Você começa a perceber que que você pode ser e que tipo de vida você pode levar através dessa experiência. Imaginar é central para a gente conseguir não só dar contorno para o nosso hoje, mas inventar sentido para o futuro. A gente testando produtos, a gente ensaiando o que que a gente vai comprar, a gente indo na loja experimentando, experimentando a roupa, a gente vai construindo o nosso projeto de quem a gente quer ser, que tipo de vida a gente quer levar, que é, como é que a gente vai organizar o nosso hoje para realizar esse desejo no futuro e vai organizando o nosso presente a partir dessa ambição que se estrutura a partir do amanhã.
Você sabe que eu tenho uma amiga que um dos passatempos preferidos dela é ficar vendo casas e apartamentos que hoje ela não tem a menor condição de nem dar entrada.
Gente, acabei de pegar a revista que fica da casa da Editora Globo aqui, que fica aqui com a gente, e fiquei folheando assim: nossa, quero essa, quero essa, quero essa!
Olha essa cozinha, olha essa sala de estar! Eu pratico isso.
Inspiracional, né?
Imaginava que fosse tão real assim como você descreveu.
E olha que doido, a gente antes achava que para você poder entrar nessa onda, né, você precisava minimamente ter no teu horizonte de consumo a possibilidade de comprar uma casa dessa, um apartamento desse, ou por aí vai. E o que fica muito claro é que a lógica que tá balizando a nossa relação com as coisas hoje é a lógica do vai que, sabe assim?
Não tem onde você não tá tentando conseguir isso.
Vai que eu fico rico, vai que eu ganho na loteria, vai que eu consigo fazer tal coisa. Só que isso não te impede de imaginar o que você faria. Eu, Tati Fernanda, eu sou igualzinho a tua amiga aí. Eu sigo corretores em Paris, em Buenos Aires, em Nova York, em São Paulo. Eu tô sempre de olho no próximo apartamento que surge. No outro dia tava vendo uma corretora que eu adoro, a Tamara, não sei o nome dela, mas é Mara Amores aí nas redes sociais.
A Janaína conhece, eu não conheço, tô por fora.
Maravilhosa! Ela tava mostrando um apartamento triplex num prédio chique de São Paulo que custava, sei lá, 70 milhões. E eu vendo junto com ela dizendo: ah não, cozinha fechada não gosto, tem que mudar. Se eu comprar, você não vou comprar esse apartamento porque vou ter que fazer reforma, piso frio, pelo amor de Deus, só mora em casa com chão de taco, né? Não dá para morar desse jeito, sobretudo nessa temperatura doida que a gente tá vivendo.
Ah, é a lareira? Não gosto desse estilo de lareira, não compraria esse apartamento, achei a ventilação ruim. Eu ia entrando naquela loja como se tivesse grana para isso, né? Mas você pode ter certeza que se um dia ganhar esse dinheiro, vou entrar num desses sites aí ou seguir um desses corretores para comprar. Porque só o exercício de imaginação me ajuda a pensar que tipo de salário eu preciso ter para morar nesse lugar, que tipo de trabalho vai me dar esse salário para morar nesse lugar, como faz, né, para organizar o meu hoje.
Sei lá, eu ligo para o banco, pergunto se tem financiamento, se eu tenho crédito para isso, como Como é que faz para morar nesse lugar? Isso dá elasticidade para nossa identidade, que é importantíssimo, sobretudo no mundo que muda tudo o tempo todo. Então a gente sonha acordado também entrando nessas viagens. Isso é importante para gente. Ou seja, existem os ricos, existem os quase ricos, o tipo rico, tipo rico, né? A gente diria, um jovem sabor rico, sabor rico.
É isso que eu queria lembrar. Então quer dizer, nós somos aqui sabor rico.
A gente é sabor rico, a gente, e uma parcela importante nas atividades de consumo no Brasil, né? Eu gosto sempre de mostrar que quem, obviamente, o Brasil é um país extremamente desigual e boa parte da população brasileira vive numa dificuldade muito grande para fazer com que as contas tenham minimamente algum balanço diante do salário. Isso não é culpa das pessoas, é culpa mesmo dos salários que são baixos aqui no Mas é, olhando para o sabor rico, que é esse típico público que fica nessa imaginação, é quem vive com salário mínimo que o DIEESE acredita que é o salário mínimo básico para se viver com alguma dignidade no Brasil, que hoje é em torno de R$7.800, R$7.900.
Dá basicamente 5 vezes o salário mínimo clássico, é o salário mínimo oficial, né, do governo federal. E o que é interessante é que essas pessoas, elas, que a gente comumente vai chamar de classe média, elas vivem muito nessa lógica. Porque apesar de elas morarem num lugar com dignidade, terem acesso a uma alimentação digna, viverem uma vida digna, elas gostariam de viver uma vida infinitamente melhor do que elas vivem. E aí o caminho é o caminho da imaginação como forma de Motor mesmo, né, de uma lógica de construção do mundo do trabalho, mas mesmo de gasto, mesmo de imaginar.
Eu brinco que é o pessoal que volta de uma viagem imaginando qual vai ser a próxima, assim, caramba, eu adoraria ir pra praia no Nordeste que tem a água transparente, eu adoraria. Esse adoraria, ele é motor de decisão diária, porque é através dessas imaginações que a gente decide, sei lá, não fazer uma coisa em prol desse sonho. É não fazer, é não gastar com besteira em prol de alguma coisa maior que você deseja. É assim que a gente vai dando contorno para aquilo que a gente imagina que é o mundo, né?
É, tá bom, muito bem.
Entrando aqui, vocês são sabor rico? Eu não.
Ela é rica.
Agora, quem vai entrar no mundo de sabor rico é a Fernanda.
É aí, é sabor rico.
As férias servem para isso, né?
As férias, me acompanha no Instagram, vai vendo, rede social ajuda isso, vai vendo.
Toda a diferença. Fernando vai fazer suas férias europeias, lá lá lá. Eu esse ano disse a seguinte para mim, Michel sabe dessa frase, eu disse a seguinte frase: não vou à Europa este ano.
Você vai, cara. Olha, essa é boa, Rica. A primeira vez que eu ouvi essa coisa do fascínio com verão europeu foi com o Gicos fazendo a pesquisa. Era muito engraçado porque a gente tava em julho, um frio do caramba em São Paulo, E os ricos falavam, Michel, vai passar o verão aonde?
E eu, sabor rico, né, desde que passava o verão brasileiro, janeiro, vou estar aqui.
Verão brasileiro, estavam preocupados com onde eu ia em janeiro, sei lá. E não, eles estavam preocupados onde é que eu ia passar o verão europeu esse ano.
Isso, perfeito. E foi onde mesmo?
Eu não passei verão europeu lugar nenhum, tô trabalhando igual um camelo.
Mas tem tempo ainda, porque tem verão até agosto.
Semana que vem eu tô contigo na Flip, você sabe.
Eba, é mesmo? Vamos fazer essa chamada aí que vai ter Estúdio CBN direto da Flip, da Casa Motiva. O Zé Godoy vai estar comigo no Clube do Livro na quinta e o Michel Alcoforado vai estar comigo no Pra Onde Vamos na sexta-feira, fazendo os quadros deles ali presencialmente. Ainda bem, não me deixem sozinha lá, tá? Por favor, vão lá me ver.
Eu vou até mudar o óculos para ficar com uma cara de inteligente, né? Que lá é lugar de gente inteligente.
Um beijo, Michel, obrigada. Até semana que vem.
Beijo, até segunda, tchau tchau!
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