Meningite B: o surto no Reino Unido e o alerta para o Brasil
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Epidemiologia da Meningite no Brasil4.400+ casos de meningite em 2025 · 1.700 casos de origem bacteriana · 486 casos confirmados em primeiro semestre · 55% dos casos são sorogrupo B · 34% são sorogrupo C · Grupos W e Y minoritários · Sorogrupo A raro
- Surto de Meningite B no Reino UnidoConcentração em Kent (região da Inglaterra) · Afetamento de jovens universitários · Dezenas de casos (20+) e pelo menos 2 mortes · Transmissão em ambientes sociais · Epicentro em festa em pub · Dinâmica de propagação acelerada
- Transmissão da Meningite BAmbientes fechados · Compartilhamento de copos e bebidas · Contato íntimo entre indivíduos · Invasão da corrente sanguínea · Progressão para doença grave
- Lacuna imunológica no Reino UnidoPrograma de vacinação desde 2015 · Vacinação restrita a bebês · Jovens adultos não vacinados · População vulnerável sem proteção · Descompasso entre disponibilidade e cobertura
- Características da Neisseria meningitidis tipo BBactéria causadora da meningite tipo B · Vive silenciosamente na orofaringe · Pessoas saudáveis podem ser carreadores · Adolescentes e adultos jovens como principais carreadores · 10-20% dessa população carrega sem sintomas · Transmissão entre carreadores assintomáticos
- Vacinação contra meningococo no Brasil vs mundoVacina ACWY no Programa Nacional de Imunizações · Dominância de meningococo B por falta de cobertura · Vacina B disponível apenas na rede privada · Aproximadamente 15+ anos de circulação mundial · Reino Unido inclui na vacinação pública · Portugal inclui na vacinação pública · Brasil ainda não incluiu em programa público
- Resposta de contenção no Reino UnidoDistribuição de antibióticos · Tratamento de 30+ mil pessoas · Vacinação de contatos próximos · 5+ mil doses de vacina aplicadas · Estratégia de círculo de proteção
- Reconhecimento de sintomas e prevençãoFebre alta como sintoma inicial · Dor de cabeça · Rigidez de nuca como sintoma tardio · Importância do reconhecimento precoce · Risco elevado de morte ou sequelas · Vacinação como medida preventiva · Complementação da caderneta de vacinação
Doutor Luiz Fernando Correia, bom dia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor. Vamos falar da meningite B? Então, Milton, muita gente já deve ter visto essa notícia, está circulando no mundo todo. Está acontecendo um surto de meningite meningocóxica pelo subtipo B dessa bactéria no Reino Unido, mais especificamente na região de Kent, na Inglaterra. É uma doença rara, mas é uma doença que mata em 24, 48 horas,
Aparece quando, enfim, atinge, e geralmente atinge jovens, né? Mas o mais importante dessa história, esse surto já soma dezenas de casos, pelo menos mais de 20 casos, e pelo menos duas mortes nessas últimas semanas. Mas o mais importante não é o número, é como é que está acontecendo isso. Quem está sendo afetado, Milton? Jovens adultos. E isso não acontece por acaso, não. A bactéria que causa esse tipo de meningite, a Neisseria meningitidis, especialmente do tipo B,
característica fundamental. Ela pode viver silenciosamente na garganta, na orofaringe, de pessoas saudáveis, que não vão ter a doença. Esses indivíduos são os chamados carreadores dessa doença, que passam, são eventuais possíveis transmissores dessa bactéria. E quem é o principal grupo de carreadores? Adolescentes e adultos jovens. Alguns estudos já mostraram que entre 10 a 20% dessa população pode carregar essa bactéria sem apresentar qualquer sintoma.
adulto, jovem, adolescente, indo para a universidade, o que acontece? Bom, para festas. Inclusive, o ponto focal desse surto em Kent foi uma festa num pub da Inglaterra, naquela região. Então, você vai ter o que tem sempre, ambiente fechado, compartilhamento de copo, bebida, contato íntimo, tudo natural, nada demais. É para isso mesmo que a gente é jovem, né? Mas aí essa bactéria pode ser transmitida e, em alguns casos, vai invadir a corrente sanguínea e causar essa doença grave. Então, qual o cenário que explica
O que implica esse surto acontecer agora? Bom, lá as medidas de contenção do surto já foram implementadas, ou seja, mais de 30 mil pessoas já foram tratadas com antibiótico para justamente limpar esse carreamento na orofaringe e a possível transmissão. E mais de 5 mil doses da vacina específica já foram aplicadas para tentar formar um cinturão de um círculo de proteção em volta. O Reino Unido tem um programa de vacinação contra a meningite B desde 2015, mas ele está restrito a bebês.
Muita gente, os jovens de hoje, não foram vacinados. Então existe um que se chama de lacuna imunológica. A vacina existe, ela funciona, mas ela não chegou no grupo que está transmitindo mais. E agora é o grupo que adoece mais. E agora, o que o Brasil tem a ver com isso? A gente tem um cenário semelhante aqui no Brasil. Dados recentes do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou mais de 4.400 casos de meningite em 2025, sendo 1.700 de origem bacteriana. A gente tem que lembrar que meningite é um termo genérico, é inflamação.
da membrana que envolve o cérebro, pode acontecer por vírus, por doença autoimune, mas 1.700 desses foram de origem bacteriana, e são as formas mais graves. E se a gente olhar para esses casos, 486 casos confirmados apenas no primeiro semestre do ano passado, e aí vem uma separação que preocupa. 55% dos casos do ano passado no Brasil são do sorogrupo B, o mesmo lado da Inglaterra, e 34% do sorogrupo C,
uma parcela menor, grupos W e Y. O grupo A hoje é raro. Por quê? O Brasil vive o que a gente está vendo, ou seja, a predominância desse meningococo, porque a gente tem vacina para o ACWY no Programa Nacional de Imunizações. A vacina contra o meningococo B existe no Brasil, tem duas apresentações aprovadas pela Anvisa, mas está disponível apenas na rede privada. Então, a gente tem uma situação epidemiológica semelhante à situação do Reino Unido,
isso não é culpa do governo, nem daqui, nem do de lá. Essa vacina é nova. Ela é relativamente nova. Ela deve ter mais ou menos uns 15, sei lá, talvez 15, pouco mais de 15 anos de circulação, de disponibilidade do mundo inteiro. Então, justamente, quem tem mais, quem nasceu de 15 anos para cá, pode ter até recebido a vacina. Lá no Reino Unido, eles dão. Em Portugal também. Mas aqui no Brasil, ainda não está incluído no nosso programa. Então, existe uma lacuna, sim.
O Kula no Brasil parece ser o B, pelos dados que a gente tem. Existe essa população jovem, existe uma vacina disponível, tem um acesso limitado. É uma doença rara, isso é importante dizer, o meningocose, que não é uma coisa que acontece muito. Vou voltar ao que eu falei aqui atrás. Foram 1.700 casos de origem bacteriana no ano passado. Então, nossa população é de 220 milhões de pessoas, né, gente? Então, é uma doença rara. É uma notícia que é uma doença que pode evoluir de forma rápida e grave.
risco de morte ou de sequelas. Então, é o seguinte, a vacina da Ministro de B está disponível, infelizmente, por enquanto, só na rede privada. Ela serve para várias faixas etárias, não é só para beber. Então, o conselho é, se você tem um filho adolescente, jovem, conversa com o médico que orienta vocês, a sua família, o médico, o seu filho, se ele ainda estiver pediátrico, nessa época da vida, geralmente, adolescente não tem mais médico, né?
E, eventualmente, se puder, vacine seus filhos, né? Procure completar aí a caderneta de vacinação,
deles com a vacina do meningococo B, que por enquanto só está na rede privada. Reconhecer sintoma precocemente é uma medida salvadora, ou seja, febre alta, dor de cabeça, mas não espera, por exemplo, a rigidez de nuca, que é clássica, classicamente descrita na meningite, esse é um caso, já é um sintoma tardio. Então, vamos lembrar, a epidemiologia avança, estratégia de vacinação avança, o nosso Programa Nacional de Imunização é muito bom, ele é modelo para o mundo inteiro, mas na situação do meningococo
cócica B, a gente está na mesma lacuna imunológica dos ingleses. Muito obrigado, doutor Luiz Fernando, e um bom dia. Bom dia para você, Milton, Cássia e todos os ouvintes. Bom dia, doutor, bom fim de semana. Você também.