Não se sabe 'quem vai sair mais ou menos chamuscado' de delação de Vorcaro
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- Emagrecimento e EsportesAcordo de colaboração premiada · Mudança de advogado · Assinatura de termo de sigilo · Transferência de presídio · Investigação do Banco Master · Rapidez da negociação
- Supremo Tribunal FederalCancelamento de quebras de sigilo · Relatoria do ministro André Mendonça · Decisões ponderadas nas investigações · Gestos internos de apaziguamento · Ministros Toffoli e Alexandre de Moraes · Movimentos de resistência e abafamento
- Revelações na DelaçãoIncerteza sobre nomes a delatar · Possíveis envolvimentos do Centrão · Menção de direita e esquerda · Possível envolvimento do Supremo · Privilégios e favorecimentos revelados · Quem será 'chamuscado' pela delação
- Fraudes FinanceirasOperações além das possibilidades · Promessas de CDBs com alta rentabilidade · Insustentabilidade do esquema · Leniência do Banco Central · Criação em 2019 no governo Bolsonaro · Investigações em andamento
- Economia do Governo LulaManifestação de Lula sobre investigações · Promessa de ir até o fim no caso Master · Tentativa de dissociação do caso · Pressão política sobre o governo · Atribuição de culpa ao governo Bolsonaro · Preocupação com imagem democrática do STF
- Polícia FederalSentimento de estar tolhida · Avanço nas investigações · Reconhecimento do Supremo sobre delações da PF · Incomodo com obstáculos anteriores · Possibilidade de liderar a delação
- Responsabilidade do Banco CentralCampos Neto à frente do BC · Falha de supervisão do BC · Criação do banco em 2019 · Responsabilidade Bolsonaro e Campos Neto · Metáfora do 'ovo da serpente'
- Papel do Ministério Público FederalPostura passiva no caso · Declaração de falta de urgência · Falta de confiança em delação · Procurador-geral Paulo Gonet · Possível guinada necessária na atuação
- Críticas Históricas a Delações PremiadasPrisões alongadas antes da delação · Acusações de tortura · Críticas na Lava Jato · Diferença no caso Vorcaro · Rapidez como fator de legitimidade
Boa. Oi, Sardenberg. Boa tarde para você e para a Cássia, para os nossos ouvintes, também para quem assiste o CBN Brasil. Boa tarde, Vera. Vera, foi muito rápido, né? Essa evolução do caso Evorcaro, né? Que já está aí se encaminhando para um processo de colaboração premiada. Ao mesmo tempo, como você comentou ontem, tem uma reação no Supremo às comissões parlamentares.
O Supremo cancelando quebras de sigilo, enfim. Haveria aí dois movimentos, um de abafa e um de resistência? Eu acho que sim, um movimento de resistência e de dar prosseguimento às investigações, que é bem silencioso, discreto, mas efetivo até aqui, Sardenberg, que está sendo capitaminado, de alguma maneira,
pelo ministro André Mendonça. Ele, quando assumiu a relatoria do caso, não fez estardalhaço, tomou decisões ali no processo, sem muitos adjetivos, sem grandes operações midiáticas, mas em pouco tempo liberou perícias que não estavam sendo feitas nas mídias ali apreendidas, tomou decisões,
ali ponderadas, não para pôr tudo ali às claras, mas para permitir as investigações, em alguns momentos fez gestos internos de apaziguamento com o ministro Dias Toffoli, principalmente quando anulou ali a quebra de sigilo da Maridite e as convocações dos familiares do ministro, mas mandou o barco correr. E agora, o que tudo indica, o Daniel Vortaro está
Ele foi disposto a fazer uma delação premiada. Ele deu várias indicações nesse sentido. Trocou de advogado, assinou um termo de sigilo e obteve uma transferência. E essa transferência parece ser parte desse movimento ali de resistência a qualquer tentativa de abafar o caso ou de jogar uma padical nas investigações. Por quê?
alegações mais comuns contra delações premiadas é aquela de que as pessoas são submetidas a prisões alongadas ou a uma espécie de tortura como uma forma de delatar, como uma forma de obrigar que elas delatem. Na Lava Jato houve essa crítica de uma maneira bastante persistente. O que aconteceu agora? O próprio Daniel Vorcaro, antes de se pensar, se
E aí ele já pediu para trocar de advogado e tudo mais. Então, não deu nem tempo de dizer que ele foi submetido a uma tortura, porque ele rapidamente já evoluiu para uma negociação em torno de uma delação, ao que tudo indica. E como vai se dar essa delação? A gente não tem visto o Ministério Público Federal muito disposto
posto aí fundo nesse caso. Todas as vezes em que houve questionamentos em que o MPF teve de se manifestar, ele se manifestou no sentido de que não havia urgência, de que não havia pressa, de que não estava constatada a gravidade de alguma conduta e etc. Então, pelas indicações que o procurador-geral Paulo Gonet deu até aqui, eu não diria que ele está muito confiante ou muito
crente de que uma delação pode ser o caminho nesse caso. Então, seria uma guinada na atuação da PGR, como a gente já viu até aqui, se ela tomasse a frente, se ela tomar, inclusive, a frente dessa delação. Já a Polícia Federal vem, desde o início, demonstrando que estava incomodada e se sentindo tolhida por não poder avançar. E agora está avançando. E a gente sabe que o Supremo já reconheceu a possibilidade
Delações feitas pela Polícia Federal. Então, acho que o caminho está mais aberto para uma delação por meio da Polícia Federal. Então, se a gente olhar hoje o cenário, dá para dizer que, de um lado, o relator e a Polícia Federal estão caminhando de uma maneira silenciosa e discreta, mas para avançar com as investigações. E, de outro, o Grupo do Supremo, que é representado pelos ministros Toffoli e Alexandre de Moraes, que ambos, de alguma maneira,
Bom, Vera, pela PF ou pela PGR, a delação parece que é iminente, inclusive por isso ninguém mais está ficando muito quieto em relação ao assunto. O presidente Lula se manifestou dizendo que vai até o fim na investigação do caso Master.
basta numa coisa que estava parecendo um impasse no governo. Muitas pessoas indicando que ele estava demorando a falar do assunto e que o assunto não era um problema do governo e que ainda assim estava caindo no colo do governo toda a culpa em relação ao máster e tal. E o próprio Lula e alguns outros ministros muito incomodados com o fato de que se ele fosse para cima,
Isso ia ser lido como jogar o Supremo aos tubarões, rifar o Supremo, sendo que o Supremo foi importante para a defesa da democracia. Ele parece ter ponderado todas as coisas, olhado as pesquisas e entendido que ou ele falava ou ia ficar realmente carimbado como um caso do governo. E aí ontem, num evento, ele tentou jogar essa batata quente para o colo do Bolsonaro e do ex-presidente do banco,
O Banco Central é um ovo da serpente do Bolsonaro e do Campos Neto, porque o banco foi criado já na vigência do governo Bolsonaro, ano de 2019, e todas as investigações mostram que houve uma leniência, para dizer o mínimo, do Banco Central comandado pelo Campos Neto para detectar que esse banco estava operando muito além das suas possibilidades e que não se sustentaria aquele esquema de
promessa de CDBs com rentabilidade tão alta. Então, o Lula parece ter começado a tentar se dissociar do Supremo. Qual é aí o problema que não é do Lula, mas que é de todo mundo? Ninguém sabe o que vem nessa delação e quem ele vai delatar e que tipo de tratativas, que tipo de privilégios e de favorecimentos que ele teve ao longo dos anos para chegar onde ele chegou.
Então, neste momento, o governo tenta se dissociar do Vorcaro e do Mastro, mas há quem diga que na sua delação, Daniel, o Vorcaro vai tentar incluir o Centrão, a direita, mas também a esquerda e o Supremo também. Então, a gente tem que aguardar o que vem de lá para saber quem vai sair mais ou menos chamuscado. Obrigado, Vera. Vera Magalhães, obrigado. Até a semana.