Max Hastings disseca liderança de Churchill durante os anos da Guerra
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- Liderança de Churchill em WWII (1940-45)Personalidade paradoxal (falível e brilhante) · Consciência de imagem pública e discursos · Conexão direta com população inglesa · Máquina de trabalho incansável · Exaustão de colaboradores · Incidentes estratégicos (segunda Dunkerque) · Consciência histórica e legado
- Sentimento da população britânica em WWIIHumilhação por derrotas iniciais · Perdas militares contra nazistas · Falta inicial de esperança · Moral quebrado da população · Resistência apesar da derrota
- Método historiográfico com fontes primáriasDiários de pessoas comuns · Perspectiva de soldados no fronte · Cartas e documentação de contemporâneos · Visão além da elite política · Contraste com historiografia tradicional
- Controle narrativo por ChurchillConsciência histórica e legado · Recusa em escrever diários pessoais · Controle sobre versão dos fatos · Documentação seletiva de assessores · Estratégia pós-mortem de imagem
- Disparidade moral ocidental em cobertura de guerraClareza moral em WWII (bem vs. mal) · Representações literárias e audiovisuais · Fake news e polarização moderna · Perda de estabilidade da verdade · Sentimento de segurança moral
Clube do Livro CBN, com José Bodói. Fala, Zé. Boa tarde. Oi, Tati. Boa tarde. Boa tarde aos ouvintes. Boa tarde, Fernando. Boa tarde. O Zé hoje traz um livro que explora o período em que Churchill liderou a Grã-Bretanha na Segunda Guerra Mundial. Do que se trata, Zé? Tati, muito ouvinte me escreve perguntando de livro de história, que gosta de livro de história. Acho que é um filão importante no Brasil.
Eu trouxe um livro de um craque, saiu no finzinho do ano passado, fazendo ainda uma repescagem da quantidade enorme de lançamentos que a gente tem no final do ano, que a gente não dá conta de ler. Isso aqui eu li nesse comecinho, um livrão em tamanho e importância, o Max Hastings, eu estou falando. O Hastings é um dos mais importantes historiadores britânicos que cobrem conflitos. Ele foi um correspondente de guerra importante no país,
vários títulos importantes, muitos estão disponíveis aqui no Brasil, ele tem o Inferno, que é um livro sobre a Segunda Guerra, tem um livro importante sobre a Primeira Guerra, o Catástrofe, sobre o Vietnã também tem, todos esses livros estão publicados no país, e agora está saindo esse A Guerra de Churchill, que cobre o período de 40, 45, 40, logo quando o Churchill vira Primeiro-Ministro, em maio de 1940, e ele faz ali um, ele faz uma investigação apurada, assim,
muito detalhada sobre como funcionou aquele momento histórico, não só no país, para o mundo inteiro, e o Churchill, como esse personagem gigantesco do século XX, como ele operava naquela situação. Eu acho sempre interessante essas narrativas sobre Segunda Guerra, tanto do ponto de vista literário, mas também audiovisual, a quantidade enorme de filmes que a gente tem sobre a Segunda Guerra, a gente sempre tem uma sensação de uma certa estabilidade,
do nosso senso moral. Tem uma clareza ali de quem é o mal, de onde está a virtude. Você tem ali um inimigo muito claro, que é uma coisa que hoje em dia, nosso mundo atual, até pela questão das mentiras, fake news, a polarização, parece que a verdade meio que perdeu esse lugar de estabilidade. Quando a gente lê um livro sobre esse conflito, parece que essas coisas ficam mais...
acalmam a gente, de certa forma, quando a gente entende que tem um lado que está lutando pela liberdade, pela vida e contra a destruição. O livro do Hastings pega muito esse ponto de vista, porque ele mostra um Churchill muito falível, que tem ideias mirabolantes, que é uma máquina de trabalho. Ele tem ali uma... Praticamente ele esgota todos os colaboradores deles com ideias, com memorias,
E os discursos no parlamento? Os discursos no parlamento, as aparições públicas. Ele acho que é um dos primeiros grandes líderes a ter essa consciência da imagem, de como você se coloca, de como você discursa, como você fala com o povo. Ele consegue se conectar muito diretamente com o povo inglês naquele momento. Uma coisa legal dos livros do Hastings, além das fontes históricas, como tantos outros historiadores,
supera muito o que o povo está pensando. Ele vai atrás de diários de pessoas comuns, de soldados que estavam no fronte, ou seja, não é só uma história dos poderosos, daqueles que estavam muito próximos do poder, das decisões, mas de quem estava vivenciando aquele período. E eu acho que ele faz isso muito bem, acho que acaba trazendo uma perspectiva que é muito interessante sobre como que a população está sentindo naquele momento.
que é uma coisa que, por exemplo, não tinha me dado conta de um sentimento de humilhação enorme no povo britânico naquele começo dos anos 40. Porque antes dos aliados começarem a vencer a guerra, os ingleses perderam uma quantidade gigantesca de batalhas contra os nazistas. E aquilo destruía o ânimo da população. Achavam que não tinha praticamente esperança nenhuma na vitória. E, ao mesmo tempo, um desenvolvimento de uma certa simpatia do povo inglês
que estavam segurando as pontas ali no World Front. E ele vai mostrando como isso está muito arraigado, porque ele recupera realmente as impressões daquele momento, que as pessoas estavam escrevendo naquele momento, como elas estavam se sentindo naquele momento. Por outro lado, tem toda a questão do Churchill, que é um cara que teve desde o começo uma consciência histórica enorme e uma consciência do papel dele naquele momento.
Então, ao mesmo tempo, assim que ele assume, ele já fala para os assessores mais próximos dele
sobre todo esse período que ele vai ser primeiro-ministro, não só primeiro-ministro, que também foi ministro da Defesa, que era uma coisa também super complexa e questionável, porque ao mesmo tempo que ele dirigia o país, ele tinha que dirigir toda a estratégia de guerra dos britânicos naquele momento, mas ele já tinha essa consciência de que ele escreveria sobre aquilo e daria uma versão sobre aqueles fatos, e ao mesmo tempo ele nunca escreveu um diário, porque acho que ele queria ter realmente controle sobre aquela narrativa.
Então a gente vê nesse livro do Hastings uma série de contemporâneos dele, pessoas muito próximas a ele, por exemplo, deixaram diários escritos, cartas, uma documentação ampla que você pode consultar, mas no caso do Churchill é só aquilo que ele escolheu escrever. Você não achava nada que ele deixou e que ele não poderia controlar depois que morresse. Então acho que o Hastings vai mostrando muito esses bastidores um pouco desse momento histórico,
que extrapola a inteligência política, ele tem outras inteligências que ele consegue colocar à disposição, e de como ele é um personagem falível e, ao mesmo tempo, fascinante, porque ele é capaz de incitar aquela população e, ao mesmo tempo, em alguns momentos, cometer erros incríveis. Ele tem, por exemplo, a história do que ele chama de uma segunda Dunkerque, logo depois, para quem assistiu, por exemplo, O Destino de uma Nação,
faz o Churchill, por exemplo, que é aquela história que o povo inglês doa os barcos privados para salvar as forças inglesas que estão na França ali, que estão cercadas pelos nazistas e conseguem resgatar essa parte importante do exército. Logo depois o Churchill coloca os soldados, quer mandar de novo os soldados para a França e acaba sendo demovido pela liderança militar,
para o exército britânico. Então, assim, ele vai realmente secando muito aquele período. Para quem gosta de história, quem gosta especificamente da história da Segunda Guerra, esse tipo de livro, para quem tem interesse pela figura do Churchill, é um grande livro, um grande autor, fica como dica para o nosso ouvinte que se interesse por esse tipo de livro. Muito bom. Faz um resumo, então, Zé, para facilitar a vida do nosso ouvinte, por favor. Falei hoje, então, aqui, Tati, do Max Hastings, A Guerra de Churches,
Show, 1940-1945, que está saindo aqui no Brasil pela Editora Intrínseca. José Godói está conosco toda sexta-feira no nosso Clube do Livro. Valeu, Zé. Beijão. Até semana que vem. Até, Zé. Valeu.