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Daniel Vorcaro deve negociar delação premiada que 'não vai poupar ninguém', segundo advogado

19 de março de 20269min
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Malu Gaspar analisa o anúncio do novo advogado de Daniel Vorcaro, que disse aos investigadores via ministro Alexandre de Moraes que o presidente do Banco Master está pronto para negociar uma delação premiada "séria", que não poupará ninguém. Segundo a especialista, deve ser apenas o começo de um processo que ainda deve levar um tempo. Ouça.
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Assuntos10
  • Daniel VorcaroNegociação de delação seria · Escopo completo vs seletivo · Novo advogado José de Oliveira Lima Juca · Cronograma de negociação · Pressão nos bastidores sobre quem será delatado
  • Corrupção no BrasilRelações promíscuas entre juízes e empresários · Risco de obstrução de investigações · Padrão histórico de paralisação · Desafio de investigações imparciais
  • Operação Lava JatoDelação de Léo Pinheiro da OAS · Padrão de investigações pararem ao envolver judiciário · Operação Sistema S contra advogados · Reversão de decisões sobre Sérgio Moro
  • Mudança de Estratégia JurídicaTroca de advogado Pierpaolo Bottini para Juca · Abandono de estratégia de ameaça · Advogado com experiência em delações · Sinais anteriores inadequados
  • Pagamento de 35 Milhões a ToffoliCompra de fatia do resort Tayhaya · Investigação necessária · Origem dos recursos · Possível corrupção
  • Distribuição de Dinheiro Ilícito pela REAGREAG como distribuidora de recursos do Master · João Mansur como cliente compartilhado · Ocultação de pagador e beneficiário · Possível delação conjunta
  • Contrato Master com Mulher de Alexandre de MoraesContrato comercial irregular · Possível favorecimento ministerial · Investigação pendente
  • Segurança OperacionalSegunda prisão preventiva · Julgamento no Supremo ainda incompleto · Voto de Gilmar Mendes pendente · Confirmação por três ministros
  • Comunicação Suspeita com MoraesMensagem via WhatsApp no dia da prisão · Pergunta bloqueada · Significado oculto
  • Mudanças MinisteriaisCasa de Dias Toffoli reformada · Envolvimento de empresários · Falta de investigação
Transcrição17 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Com persa de bastidor. Com Malu Gaspar. Muito bom dia pra você, Malu Gaspar. Bom dia, Milton. Bom dia pra Cássia e bom dia pra todo mundo que tá ouvindo a gente. Bom dia, Malu. Malu Gaspar, Daniel Vorcaro já enviou o recado de que pretende negociar uma delação premiada. O que que pode vir desta delação? É uma delação seletiva ou vale tudo? Pois é, Milton. Todo mundo torcendo aí nos últimos dias

se houvesse delação fosse justamente isso que você chamou de delação seletiva. Entrega uns, não entrega outros. Mas não foi o recado que o advogado, o novo advogado do Daniel Vorcaro, José de Oliveira Lima Juca, enviou para os investigadores via ministro André Mendonça. Ele procurou o ministro André Mendonça para dizer que o Vorcaro estava pronto para negociar essa delação

delação séria, entre aspas, ou seja, que é uma delação que vai ser para valer e não vai poupar ninguém. Bom, eu vou te dizer que a minha experiência, isso daí é só o começo de um processo que ainda deve levar um tempo, porque a gente sabe que quando uma delação dessas que envolve muitos interesses começa, qual é o interesse de quem está delatando? Entregar o mínimo possível.

também quer que ele entregue o máximo possível. Então a gente começa a ver, por exemplo, que o sujeito diz que vai, já começaram algumas notas aqui e ali, algumas pessoas nos bastidores dizerem, olha, ele vai entregar alguns políticos, mas não vai entregar ministros do Supremo, ele vai falar de um e não vai falar de outro, já teria acenado que vai entregar o PT, mas talvez não entregue, gente do PT, mas talvez não entregue gente do Senado,

Então, Milton, começa essa bolsa de especulações e um jogo de pressão nos bastidores que vai durar até o desfecho de uma negociação que não deve ser muito simples. Mas, o que também eu acho que está visível para todo mundo? Qualquer investigador minimamente competente, quando for fazer uma conversa inicial com o vocário, aquela hora em que o sujeito, o réu, começa a dizer,

não investigado, começa a dizer, a apresentar sua lista, seu cardápio de informações, todo mundo que tiver sério nessa investigação vai poder evitar de fazer as perguntas sobre, por exemplo, o que que de fato pagaram os 35 milhões que foram dados ao ministro Dias Toffoli para comprar uma fatia do Tayhaya, o resort Tayhaya.

contrato feito pelo Master com a mulher do ministro Alexandre de Moraes? Ou ainda, o que que significava aquela pergunta que conseguiu bloquear, que ele enviou pelo WhatsApp para o ministro Alexandre de Moraes no dia em que ele foi preso? Então, essas perguntas, elas estão aí, é o que o povo quer saber, vamos dizer assim, o que que de fato tem por trás de tudo isso. E aí, uma delação séria, você pode dizer aqui e ali que vai entregar um, não vai entregar outro,

propósito realmente é uma delação séria, você tem que responder a essas questões, não tem saída. Isso é o que a gente vai ver se vai ser feito ou não. Se não for assim, eu acho que essa delação não pode ser levada a sério como o próprio advogado do Vorcaro está dizendo que será. Aliás, advogado do Vorcaro que tem um peso importante aí nessa questão da delação, porque foi a partir dessa troca que se começou a falar

com mais consistência na possibilidade de uma delação. Exatamente, Cassa. A gente lembra que o julgamento até nem terminou ainda, esse julgamento sobre a prisão, essa segunda prisão do Vorcário, ele não terminou. Falta o voto do ministro Gilmar Mendes, que tem que ser depositado no plenário virtual até amanhã. Mas dos quatro ministros, três confirmaram a prisão na sexta-feira passada, mesmo quando abriu o prazo para os ministros votarem.

até então, tinha enviado ali alguns sinais de que faria uma delação, mas ele tinha um outro advogado, que era o Pierpaolo Bottini, e ele ainda não tinha mandado um sinal sério de que faria uma delação. Estava mais é com o cara de que era uma ameaça. Olha, gente, vou delatar, resolvam aí essa questão da minha prisão. Aí, como não deu certo, imediatamente ele trocou de advogado e pegou esse novo advogado, José de Oliveira Lima, o Juca, um advogado muito conhecido,

que fez, por exemplo, a delação do Léo Pinheiro, lá atrás, da OAS, e que também tem como cliente o João Mansur da REAG, que é a empresa que distribuía o dinheiro do Master, que usava seus fundos para pagar despesas que o Vocaro precisava pagar, muitas vezes escondendo o real pagador e o real beneficiário. Então, o que a gente já deduz? Primeiro, vai ter delação, porque houve essa troca de advogado

A proposta de delação vai ser concretizada, porque trocou de advogado, e essa delação deve ser feita junto com o Mansur, que é o distribuidor do dinheiro, porque senão não faria sentido o mesmo advogado atender os dois réus, senão haveria um conflito de interesse entre esses dois personagens. E aí, Cássia, a gente vai ter que ver se dessa vez o próprio judiciário vai topar.

porque dessa vez a pressão para que se mele uma delação não vem só do sistema político. A gente passou por momentos lá atrás, depois da Lava Jato e tal, em que as delações foram muito amplas, elas avançaram muito e elas começaram. E a operação começou a melar quando se começou a falar em pessoas do judiciário. O próprio Juca, esse agora que virou advogado do Borcaro,

a delação do Léo Pinheiro, uma informação de que ele havia reformado uma casa do ministro Dias Toffoli, esse mesmo, de novo, lá em Brasília, e que ele havia dado um milhão de reais para o irmão do ministro comprar a renúncia de um político lá de Marília. Ele queria assumir o lugar do político e comprou a denúncia do político. Essa denúncia não chegou a ser investigada, rendeu até uma demissão em conjunto,

do grupo da Lava Jato no gabinete da Raquel Doge, na então Procuradora-Geral da República. E também houve, naquela mesma época, uma operação que chamava Sistema S em cima de advogados que eram ligados a juízes e ministros de tribunais superiores. Tudo começou a melar depois disso. Tinha a Vasa Jato em 2019, mas ficaram dois anos até decidir que o juiz Sérgio Moro

por conta dessa... quando a coisa encrencou para o lado do judiciário. Até então ficava se dizendo, vamos ver, vamos ver, tinha o pedido de suspeição do Moro, mas o Supremo ficou ali avaliando para onde o vento soprava. Quando se atacou o judiciário, a coisa parou. O que aconteceu? A história é implacável. Voltamos a nos ver diante desse mesmo dilema. Vamos investigar relações promíscuas de juízes com empresários ou vamos de novo jogar para debaixo do tapete?

Esse, para mim, é o grande desafio de uma delação do Daniel Vorcaro. Muito obrigado pela sua informação e sua análise, Malu Gaspar. Bom dia para você. Valeu, pessoal. Bom dia para todo mundo. Bom dia.