Quem usa caneta emagrecedora pode tomar anestesia?
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- GLP-1 e AnestesiaMedicações GLP-1 (semaglutida, liraglutida, atirzepatida) · Esvaziamento gástrico retardado · Jejum pré-operatório · Aspiração pulmonar · Mudança de protocolos 2023
- Esvaziamento gástrico retardadoRetenção de alimento · Conteúdo gástrico residual · Variabilidade individual do efeito
- Tromboembolismo PulmonarComplicação anestésica grave · Vômito intraoperatório · Broncoaspiração · Consequências graves
- Novo protocolo de jejum pré-operatórioDieta líquida 24 horas antes · Jejum tradicional 6-8 horas mantido · Ultrassom gástrico · Mudança de diretrizes
- Gestão de RiscosSintomas de risco (náuseas, vômitos, plenitude gástrica) · Adaptação por paciente · Adiamento de procedimentos · Saída de regras gerais
- Saúde no BrasilSociedade Brasileira de Anestesia · Sociedade Brasileira de Diabetes · ABESO · Mudança de posição 2023
- Uso não supervisionado de medicações emagrecedorasAutomedicação · Uso sem prescrição médica · Influência familiar · Falta de orientação profissional
- Comunicação médico-paciente e pergunta ativaInformação à equipe médica · Transparência do paciente · Pergunta ativa dos profissionais · Constrangimento e vergonha como barreira
- Impacto em endoscopiaJejum insuficiente em pacientes com GLP-1 · Sedação leve em endoscopia · Eficácia do exame comprometida · Repetição de procedimentos · Risco de broncoaspiração
- Diabetes e complexidade de suspender GLP-1Controle de glicose · Dificuldade de suspender medicação · Impacto em pacientes diabéticos
Bom dia, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor. Nós recebemos aqui na CBN a mensagem de uma das nossas ouvintes, eu estou me referindo a Maria Duzolina, que deparou aí nesses últimos tempos com discussões em torno do uso dessas canetas que são usadas aí hoje em dia, muitas vezes de forma indiscriminada para emagrecimento e que
servem para combater diabetes. E na relação com, por exemplo, anestesia. Ela disse que acompanhou uma amiga que foi ao hospital, aí o médico anestesista estava discutindo se podia, se não podia, o anestesista que não queria fazer anestesia porque ela estava fazendo tratamento com isso. Depois ela mesma passou por algo parecido, aí ficou na dúvida e disse assim, me dê uma resposta aí, o que a gente tem que olhar nessa questão? E aí, claro que quando a gente pensa numa resposta na área da saúde,
Chamamos o doutor Luiz Fernando Corrêa para isso. Bom, Hamilton. Essa é uma dúvida que vem, obviamente, crescendo com o uso crescente desses medicamentos, que não só por via injetável, mas lembrar que eles também existem por via oral, existem formulações orais desses agonistas do GLP-1, como semaglutida, liraglutida, atirzepatida, que também, além do GLP-1, atua sobre outro receptor.
diabetes da obesidade, mas para anestesia eles eram desafios. Por quê? Essas medicações, Milton, retardam o esvaziamento do estômago. Então, mesmo que o paciente fizesse aquele jejum tradicional antes de um procedimento de ir para o hospital de seis a oito horas, ainda poderia ter conteúdo gástrico em volume importante e isso aumenta o risco de uma complicação durante a anestesia, que é a aspiração pulmonar, que aliás está sendo muito falada nos últimos dias. Então, o que aconteceu?
Em 2023, as sociedades internacionais tiveram uma reação bastante conservadora inicialmente, ou seja, suspensão desses medicamentos uma semana antes de cirurgias, pelo menos. A utilização mais frequente, com a ciência evoluindo, o entendimento hoje já é outro. Foram feitos grandes estudos, análises sistemáticas, que mostraram que o risco não é uniforme para todos os pacientes. Como sempre, nunca um medicamento funcionava da mesma maneira em todo o mundo, então o efeito também não é igual.
Suspender, por exemplo, o medicamento por uma semana, um paciente com diabetes, pode ser muito complicado para o controle do açúcar no sangue. Então, como é que estamos hoje em dia, nesse momento? No Brasil, a Sociedade Brasileira de Anestesia, em conjunto com a Sociedade Brasileira de Diabetes e a Associação Brasileira de Estudos da Obesidade e da Síndrome Metabólica, a ABESO, já tem uma posição clara. A recomendação atual é a seguinte.
medicamentos antes de cirurgias eletivas. Mas não quer dizer que a gente não está preocupado com isso. O foco mudou. Saiu uma regra geral e entrou avaliação individual. Se o paciente utiliza esses medicamentos, mas com frequência tem sintomas como náuseas, vômitos, sensação de estômago cheio, da plenitude gástrica, esses pacientes são considerados de maior risco e nesse caso pode ser necessário, se não foi feito a suspensão do medicamento, pode ser necessário até agiar o procedimento.
Quando se descobre isso, por exemplo, na internação do paciente. O preparo pré-operatório também mudou. As diretrizes atuais recomendam uma dieta líquida nas 24 horas antes do procedimento, além do jejum tradicional antes de ir para o hospital. E quando disponível, um ultrassom gástrico pode ajudar a identificar se o estômago ainda tem alimento em volume importante. Ou seja, não basta mais perguntar para o paciente se ele fez jejum.
Então essa é uma mudança muito importante e é muito importante a conscientização dos pacientes também. Porque antes era só fazer aquele jejum e ir para o hospital. Agora com esses medicamentos é importante. Se você usa essas medicações e vai fazer um procedimento, vai ser submetido, não é você que vai fazer, você vai ser submetido a um procedimento, informe a equipe médica, informe a enfermagem, fale com o anestesista claramente. Para os profissionais de saúde, o alerta é importante.
drogas. A gente sabe que tem gente que está usando sem orientação médica. Porque alguém usou na família, porque ele viu um amigo, enfim. Por outras razões quaisquer. E essas pessoas nem sempre estão dispostas de espontaneamente comentar o assunto. Então, o profissional de saúde tem sim que perguntar ativamente. Toda a equipe tem que perguntar. Todo mundo tem que fazer a mesma pergunta. É mesmo parecendo repetitiva. Quer ver uma coisa aqui? A Renata escreveu pra nós. Quando ela estava usando uma dessas canetas,
que repetir uma endoscopia, porque mesmo após ter ficado as 8 horas em jejum, tive que suspender o remédio, repetir a endoscopia, pois na primeira vez não deu para fazer o exame na forma correta. Exatamente. Estou falando de um outro procedimento também, que exige esse jejum. A gente não faz esse jejum por qualquer coisa. Quando dizem assim, você tem que fazer jejum de 8 horas. Ah, não precisa. Não é por isso. Tem essa regra por motivos óbvios. O risco é esse. A endoscopia, o exame não vai ser eficaz,
o glúteo está vazio, não vai conseguir ser analisado pelo endoscopista. Além do risco, óbvio, porque existe uma sedação leve na endoscopia, o paciente pode vomitar, pode broncoaspirar e, enfim, ter consequências graves. De qualquer forma, o mais importante é que todo mundo esteja preocupado com isso. Os pacientes, sabendo que tem que informar se estão usando, e, gente, mesmo se você está usando sem orientação médica porque você achou que precisava, assume e conta. Não corra o risco à toa, porque,
pode ser que todo mundo pergunte e você tenha vergonha de falar. Mas fale, porque o risco é muito grande. Então, a questão é avaliar o risco pessoal, conhecendo a história desse paciente, adaptar o preparo para cada paciente, individualizar a anestesia. E esse é o padrão atual com relação a esse problema, Milton. Muito obrigado, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia para vocês.