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Greve dos caminhoneiros de 2018 foi 'ovo da serpente do bolsonarismo'

18 de março de 202611min
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Maria Cristina Fernandes analisa a ameaça de paralisação dos caminhoneiros diante do aumento do preço do diesel. Ela relembra o episódio de 2018, que classifica como 'o ovo da serpente do bolsonarismo', destacando que a greve causou um impacto de cerca de um ponto percentual no PIB brasileiro. Ouça o comentário.
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Assuntos7
  • Ameaça de greve de caminhoneirosPreço do diesel em alta · Mobilização nacional de motoristas · Negociação com governo · Possível paralisação nos próximos dias · Comparação com 2018
  • Regulacao da tabela de freteCompliance de empresas transportadoras · Multas automaticas via nota fiscal · Medidas cautelares da ANT · Documento fiscal como instrumento · Restrições à ilegalidade
  • Greve dos caminhoneirosImpacto de 1 ponto percentual no PIB · Paralisação de refinarias · Bolsonarismo como origem · Tabela de frete estabelecida · Contexto eleitoral
  • Empresas infratoras de transporteBR Foods · Vibra Energia · Raizen · Ambev · Cargill · Autuacoes massivas · Multas de 419 milhoes
  • Subsídio ao DieselRedução de PISCO-FINS · Tributação de exportações de diesel · ICMS e receita estadual · Política Bolsonaro de 2022 · Subsídios ao setor
  • Estrutura socio-economica dos caminhoneirosAtomizacao do setor · Falta de sindicato forte · Comunicacao descentralizada · Financiamento de caminhoes · Liderancas em rede
  • EleiçõesGoverno Lula vs Bolsonaro · Apropriacao politica por direita · Mobilizacao via redes sociais · Discurso de enfrentamento · Estrategia de desmobilizacao
Transcrição20 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Maria Cristina, boa tarde. Boa tarde, Tati. Fernando, boa tarde, ouvinte. Bom, ontem representantes de caminhoneiros de todo o país sinalizaram que podem parar, podem promover uma greve em todo o país nos próximos dias e por causa da alta do preço do diesel. Eu reparava aqui, Maria Cristina, um pouquinho mais cedo, as informações trazidas

pelo Felipe Igreja de Brasília, justamente das medidas do governo para tentar impedir essa paralisação, que ela não é exatamente inédita. Em 2018, mais ou menos na mesma época, abril, maio, a gente teve uma situação parecida, os caminhoneiros chegaram a parar e também era um ano eleitoral. O que está acontecendo dessa vez? Tem analogia possível com o que houve há oito anos? Acho que sim, Tati.

de hoje e na reação do governo é que o governo está tentando se antecipar para não acontecer aquilo que a gente assistiu em 2018. Ali foi o ovo da serpente do bolsonarismo. Aquela paralisação custou um ponto percentual do PIB no Brasil. As refinarias da Petrobras pararam. As refinarias do país pararam com aquilo ali. Eles realmente conseguiram parar

o país, e eu assisti a coletiva do ministro Renan Filho, e ele abriu por esta frase, quem move o país são os caminhoneiros. Então, o que me chamou a atenção, quer dizer, as medidas são muito importantes, é que o ministro fez questão de dizer que estava em contato direto com os caminhoneiros, que estava atendendo as reivindicações dos caminhoneiros, que

reconhece justiça nas demandas deles. Então, a primeira coisa que foi feita foi estabelecer uma linha direta com os caminhoneiros. Porque sabe-se que os caminhoneiros, primeiro, eles não têm, são muito atomizados. É mais uma dessas medidas que se voltam contra o governo que faz. O governo Dilma Rousseff liberou o financiamento para caminhão.

para grandes empresas transportadoras comprassem seu próprio caminhão. E isso, eles são lideranças atomizadas, não tem um sindicato forte. É tudo muito... E ao longo desse, desde 2018 para cá, a gente tem visto essa mobilização, quem tem faturado essa mobilização são os movimentos de direita e extrema-direita, justamente porque tem muita atuação em rede social, eles se falam por rede social,

Eles não se encontram, estão sempre na estrada. Então, é a direita que tem faturado com essa mobilização política dos caminhoneiros. Desta vez, o governo se antecipou e colocou o Renan Filho, que é um ministro muito hábil, para negociar com eles e anunciar essas medidas. Então, são duas coisas que estão impulsionando essa pressão dos caminhoneiros. Uma, como você disse, é o preço do diesel. A outra é a famosa tabela do frete,

que se paga pelo transporte. Bem, sobre o preço, o governo reduziu, tomou algumas medidas na semana passada, que zerou o pisco-fins, que são os impostos federais sobre combustíveis, e taxou as exportações de diesel para ver se aumenta a oferta interna de diesel. E já que o mercado está lucrando muito, porque o preço subiu, o barril do petróleo,

60 dólares antes dessa guerra do Irã, chegou a 120 e agora não desceu de 100. Então, como a indústria do petróleo está ganhando muito com esta alta de preço, ela suportaria esse aumento de exportação e deu um subsídio grande. Então, essas medidas foram tomadas na semana passada, só que para ter um efeito realmente real sobre preço, precisaria tirar ICMS também. Só que os secretários de fazenda, os governadores, não querem abrir mão de ICMS,

de jeito nenhum, muito menos no eleitoral. No governo Bolsonaro, em 2022, quando também houve uma ameaça de paralisação, ele resolveu isso tirando o ICMS por conta e risco do governo federal, ou seja, dos contribuintes nós todos. O Lula não quer fazer isso porque isso acarreta um risco fiscal muito grande. Nós estamos pagando por essa bondade do Bolsonaro até agora. A reoneração dos combustíveis foi uma batalha.

logo na posse, o Haddad perdeu, porque os combustíveis permaneceram desonerados por um bom tempo, até que se conseguiu reonerar novamente. Então, o governo não quer fazer isso, não quer baixar o ICMS às custas do Tesouro Nacional. Então, essa coisa do preço disso ainda não está resolvido. Mas, por outro lado, eles foram agora com essas medidas em cima da tabela do frete.

um movimento para desmobilizar essa ameaça de greve, mas é um movimento político também porque dá o discurso de enfrentamento dos grandes interesses, porque quais foram as medidas? Primeiro, Renan Filho anunciou os cinco maiores infratores da tabela de frete, que não cumprem a tabela de frete por volume e por quantidade de infrações. E como é que eles sabem disso? Eles, em quatro meses, as autoridades

Passaram de 300 por mês para 40 mil. Eles fazem uma autuação automática vinculada à nota fiscal eletrônica emitida pelas secretarias de fazenda. E são grandes empresas? São grandes empresas? São empresas gigantescas, Fernanda. Não é empresa pequenininha ali, não, que tem dois, três caminhos. Olha aqui, as que têm o maior volume de autuação,

O critério de volume é a BR Foods, Vibra Energia, Raizen, Ambev e Cargill. Por valor também a BR Foods, a MOTS, transportes que explicou-se lá, é tipo uma plataforma que você recorre e você contrata para fazer esse transporte.

que é vinculada ao transporte da Coca-Cola no Sudeste. Então, essas empresas, o ministro explicou que as comparou a devedores contumazes, que são infratores contumazes, porque ele disse que nesses quatro meses foram arrecadados 419 milhões em multas. Mas ele disse, olha, a multa já faz parte do modelo de negócio dessas empresas.

cumprir a tabela do frete. Então, o que vai acontecer é que a Agência Nacional de Transportes vai ser dotada de um instrumento de cautelar, porque antes só podia tomar medidas contra a empresa depois que transitava em julgado todo o processo. Agora, as medidas poderão sortir efeito de imediato. Não foi bem explicado o instrumento jurídico que vai ser usado.

cautelar, ou seja, teria efeito imediato. E a outra coisa é que para você fazer transporte em rodovia você precisa de um documento fiscal e a empresa que tiver autuações contumazes pelo descumprimento da tabela de frete não poderá ser emitido esse documento fiscal para essa empresa. Então, ela será obrigada a fazer esse transporte na ilegalidade.

movimento duplo de se aproximar dos caminhoneiros e de atacar as grandes empresas. Muito embora o ministro tenha dito que não é um ato contra o capital, contra a empresa, é um ato do governo pelo cumprimento da lei que é o cumprimento desta tabela de frete que foi acordada lá em 2018 nesta greve a qual a Tati se referiu no governo

O resultado daquela greve foi o estabelecimento de uma tabela de frete que passou a ser cumprida, ou seja, a não ser cumprida. E aí, a grande questão, então, um grande rebuliço no mercado inteiro, como é que vai ser? Porque tem duas safras aí sendo já colhidas, como é que vai ser o transporte dessa safra? E o ministro disse, olha, é uma questão de tambo tentando respeitar as regras de mercado, porque não é possível que você faça do frete

vantagem comparativa na competição. Você não pode ser mais competitivo do que outra empresa porque você não cumpre a tabela de frete. Então, as empresas vão ter que pagar o frete para poder transportar esta safra. É uma promessa de briga grande que está sendo comprada neste ano eleitoral. Vamos ver como é que se desdobra tudo isso. Muito bem. Maria Cristina Fernandes está com a gente diariamente em Tudo é Política. Obrigada, Maria Cristina. Até amanhã.