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Sexualidade mediada pela tela: como a pornografia molda o desejo masculino

18 de março de 202613min
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Rossandro Klinjey, a partir da ECA DIgital, comenta sobre como o acesso à conteúdos impróprios para a idade pode afetar as visões de mundo de uma criança e seu desenvolvimento. Ouça.
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Assuntos8
  • Pornografia e formação sexual masculinaConteúdo phallocêntrico · Normalização de violência contra mulher · Expectativas sexuais distorcidas · Exposição precoce à pornografia · Comparação com passado (era pré-internet)
  • Regulação de Plataformas DigitaisVerificação de idade obrigatória · Responsabilidade legal das plataformas · Filtragem de conteúdo · Enforceability, sites pornográficos não aplicam
  • Disfunção sexual em relacionamentosDisfunção erétil · Ejaculação precoce · Redução de intimidade conjugal · Insatisfação sexual mútua
  • Impacto psicológico da exposição precoceGatilhos psicológicos · Distorção de visão de mundo · Trauma de longo prazo · Comportamentos inesperados
  • Educação sexual e emocionalConversas parentais sobre sexualidade · Auto-conhecimento dos pais · Educação nas escolas · Superação de tabus
  • Transtornos sexuais compulsivosClassificação WHO 2019 · Vício em internet · Condicionamento comportamental · Masturbação excessiva
  • Influenciadores DigitaisInciativa Felca no ECA Digital · Influência negativa (Tigrinho) · Responsabilidade social · Potencial de mudança em escala
  • Sexting e distribuição de conteúdo de menoresComportamento adolescente · Compartilhamento não-consensual · Revenge porn · Trauma de longa duração
Transcrição25 segmentoswhisper-cpp/large-v3-turbo

Saúde Integral, com Rossandro Klinger. Oi, Rossandro, boa tarde. Boa tarde, Tati, boa tarde, Nando. Boa tarde. Estamos aí para comemorar algumas coisas no momento em que tem tanta coisa para a gente rezar, talvez passa no mundo, não é guerra e tudo. Vamos levar motivos de celebração para o nosso ouvinte, porque o noticiário está muito pesado todos os dias, vai. Exato, exato. Eu acho que esse avanço do ECA Digital é muito importante. E eu sei que vocês já falaram, a gente vai falar,

muito sobre isso, mas antes de começar a falar, eu queria falar de uma coisa assim que, veja quando uma pessoa resolve usar o espaço digital dela para contribuir para a sociedade. Nós somos um dos países que mais tem influenciadores digitais do mundo, né? E que a grande maioria só pensa em si. Anunciam jogos do Tigrinho, viciam seguidores, mas Felca resolveu fazer diferente. E esse movimento dele foi gerando um movimento que gerou o ECA Digital. Então, primeiro lembrar disso, que todos nós podemos, no lugar

que nós estamos, baseado na influência que a gente tem, fazer mudanças. Não necessariamente com uma pessoa que tem milhões de seguidores como ele, chegou lá no Congresso, mas todos nós podemos influenciar para a gente ter um mundo melhor. É importante saber isso, porque às vezes a gente perde a esperança, a gente não tem o que fazer. Olha aí, a gente teve um avanço porque alguém se indignou, fez uma coisa que reverberou e chegou, e a mudança da lei aconteceu.

E a gente está fazendo uma coisa que pouca gente estava imaginando, que é, por exemplo, uma coisa que é fundamental, que eu acho que o mundo

ele vai fazer em algum momento, cada vez mais, responsabilizar plataformas digitais por conteúdo, gente. É um absurdo isso. Simplesmente você pode colocar o que você quiser lá e não tem culpa nenhuma. Seria como, por exemplo, a CBN não ter culpa porque vocês resolveram dar uma loprada aí. Não é assim que funciona. Se bem que a gente é lopra de vez em quando, mas é tudo no bem. Ô, Sandro, vai, vai. Não, vai, vai. Então, fico muito feliz com esse avanço. A gente precisa lembrar que, apesar de que quem faz jornalismo,

Tem que notificar tudo o que acontece. Tem muita coisa boa que está acontecendo e a visibilidade a gente tem que estar sempre lembrando também que existe. Eu queria te ouvir um pouco, porque assim, dos avanços que o ECA Digital trouxe, entre os avanços, a questão da idade, de você ter que explicitar a idade e a partir disso as empresas se comprometem a cumprir a lei, que é deixar de distribuir determinados conteúdos

perfis de menores de idade. Porém, sites pornográficos, por exemplo, continuam, uma matéria do dia 1 de hoje, continuam funcionando sem checar a idade de quem está ali frequentando. E aí, quero trazer um assunto que, verdade verdadeira, não importa se você tem 16 ou 18 anos, legalmente importa, mas para a formação da sexualidade masculina,

faça pouca diferença, que é a formação da sexualidade de garotos e meninos baseada na pornografia. Que tem como base algo centrado no falo e não raramente muita violência contra a mulher, né? Exatamente. Primeiro a gente tem que lembrar uma coisa. Por trás dos sexos pornográficos deve ter uma pessoa muito mais pedrosa do que Epstein.

O mundo inteiro, inclusive, tem um infopornografia, acho que é um documentário da Netflix que eu assisti, em que fala que os próprios atores e atrizes pornôs não conseguem mais ter direito nem sobre o próprio conteúdo. Não vou entrar aqui nem no meio da questão, cada um tem a profissão que quer. Mas para mostrar o seguinte, que existe por trás desses sites pessoas muito poderosas, porque em nenhum país do mundo ninguém consegue fazer isso.

Você acredita? Eu acho que só nos países que não têm acesso mesmo, porque é bloqueada a internet, como nos países árabes, coisa do tipo. Mas onde a gente conhece,

eles têm um poder, por trás tem alguma coisa muito poderosa que ninguém mexe nisso. Com relação à formação emocional, primeiro lembrar o seguinte, Fernando está aí, não me deixa mentir. Nós, homens, somos expostos à pornografia na infância. Na minha época, era revista pornográfica, a gente tinha que botar um óculos para parecer que era adulto, para comprar numa loja morrendo de vergonha. A gente ia alocar uma fita numa locadora e no setor, a gente primeiro ia disfarçando o que estava indo no setor e lá pegava bem rápido. Havia uma vergonha de consumir aquele conteúdo.

é acessível. E não somente essa violência contra a mulher, que por si só já é um absurdo, mas todo tipo de distorção psíquica dos chamados transtornos sexuais, que cada vez mais, porque tem coisa na vida da alma humana, e aqui quem tá falando é um terapeuta que atendeu durante 20 anos, gente, escuta bem. Tem muita coisa na nossa vida que tá lá só esperando o gatilho ser disparado. Às vezes você nunca nem viu aquele conteúdo e que bom que nunca veja, mas às vezes aquele conteúdo dispara um gatilho de comportamento

que você nem imaginava que havia na sua alma. Então tem muita coisa por trás disso. E o lamentável é isso. É primeiro que você vê aquilo ali e imagina que a relação sexual com a mulher é daquele jeito. Inclusive, uma vez eu estava nos Estados Unidos fazendo uma palestra. E aí, quando eu fui passando... Sabe quando você vai num hotel que tem várias salas de convenção? Aí tem uma sala que era assim. Como transar com o seu marido como atriz pornô?

Veja a que ponto nós chegamos. E era uma atriz pornô e estava lotado. Garanta vocês, a minha era sobre perdão. Tinha menos gente.

Tinha bem menos tempo. Mais gente querendo transar, menos gente querendo perdoar, não é mesmo? Querendo perdoar. E porque muita gente quer transar porque não perdoa, fica tentando tampar o buraco da relação ferrada porque não conseguiu apaziguar, vai pra outra e se ferra na sequência e vai tentar resolver tudo no fim da existência e não dá, né? Não que transar não seja ótimo, mas o perdão até pra uma relação estável é muito essencial. Mas é um avanço, ficamos felizes que seja acontecendo.

O mundo vai ter que fazer uma investigação por quem é que manda nesse site pornográfico, porque ninguém acessa isso. É algo muito poderoso por trás, uma rede complexa e, por enquanto, inatingível. Enquanto isso, cada um de nós, enquanto pais, fiscalizando, escola, colaborando com a educação socioemocional e o Estado, de um modo geral, e nós aqui comunicando e falando de um tema que é importante e relevante. Sabe que ontem a advogada do Instituto Liberta, Luciana Temer, publicou uma coluna,

No jornal Folha de São Paulo. Ela fala justamente sobre isso. E uma questão também de saúde. Por causa do vício. Ela cita aqui que em 2019. A Organização Mundial da Saúde. Incluiu na classificação internacional de doenças. Um novo transtorno. Que é o transtorno do comportamento sexual compulsivo. Tem tudo a ver com esse acesso fácil. Banal. E violento. A pornografia. Eu vou aqui fazer umas coisas. Só para vocês terem uma ideia.

casa bem bugado mesmo, no bom sentido, né? Quando eu atendi em consultório, e hoje eu escuto isso mesmo não atendendo, porque as pessoas desabafam com o psicólogo em todo canto, também é quando você é conhecido, é em aeroporto, é em todo canto, né? Terapia 24 horas, e eu tô aqui pra isso, e tô muito feliz em que eu faço. Mas desde que você imaginar de um casamento que o cara deixou de transar com a esposa, porque ele tá se machucando demais na internet, então falta energia sexual pro casamento, e eu lembro que no começo da internet banda larga, me chamou a atenção quando uma delas chegou pra mim, eu perguntei, e aí, como é que tá a vida emocional? Ah, não, pra que que eu preciso mais de mulher?

eu tenho internet e mando a larga em casa. Nossa, meu. Coitado dele quando ele falou isso pra mim, que eu fui dizer assim, cara, você não tem noção do que você tá dizendo, né? Achar que é somente isso, né? Tem uma ejaculação e tá tudo resolvido? Não, existe coisas que nunca isso vai te dar, porque senão o pessoal casava nos bordéis, né? A gente precisa de afeto, vínculo, longevo, compromisso, respeitar o outro, o corpo do outro, que não é seu porque você casou, em que todo dia é um acordo novo que se faz,

pra você levar alguém pra cama. Então, assim, tem muita coisa que tá em jogo e os pais que não estão atentos a isso não tem noção do perigo que se representa, até porque meninas que são expostas, que vão fazendo isso pro namorado, que depois espalham a vida na internet, jovens que terão a própria vida por causa disso, tem muitas camadas de dor em cima disso. Não podemos ignorar. Inclusive, toda a desconstrução que tem que ser feita depois que essas pessoas amadurecem, eu tô falando pessoas porque meninos aprendem a se relacionar sexualmente

com a pornografia e, em geral, as meninas aprendem a se relacionar sexualmente com esses meninos. Então, quando amadurecem, tem que fazer toda uma desconstrução do que é o sexo, uma investigação do que dá prazer e o afeto, a amorosidade e tal. Tem que estar ali em qualquer relação sexual, independentemente de compromisso ou não, né? E eles destroem a vida. Eu lembro de um adolescente que eu atendi, Tata, olha só, ele se masturbou tanto que com 16 anos ele não tinha

mais ereção e nunca mais teria. As pessoas não têm noção em que ponto isso pode chegar. Porque se esse menino, do mesmo jeito que você fica viciado no feed da internet e fica vendo um videozinho que dá um estímulo de dopamina a cada 15 segundos, quando você vai pra uma relação sexual, há uma construção. O encontro, sair pra jantar, tirar roupa. Se eu entro ali num vídeo e tenho tudo que eu imaginar de loucura, em um minuto o menino tá lá, acabou. Quando ele vai namorar uma menina, ele não consegue manter uma ereção.

É ejaculação precoce, a relação fica péssima, a mulher não tem prazer. Olha, é tanta coisa que se as pessoas tivessem noção, ficariam muito atentas a esse tema, a importância disso para a vida da educação socioemocional e sexual da nossa sociedade. Rossandro, olha só, a partir de agora, todos os adolescentes que mentiram a idade para entrar na rede social vão ter que ter ali a doença do pai, vão ter que checar ali a identidade e não vão poder mais, provavelmente, entrar num site pornográfico

como esse. Isso é legal desse ECA digital, porque vai trazer os pais para a discussão. Como começar uma conversa com os adolescentes que acessam esse tipo de site, que agora vão ter que parar, vão ter que falar a verdade. Eu tenho tantos anos e é isso que eu tenho na rede social. Como que eu começo? É conversar mesmo. Vamos conversar uma conversa aqui, baseada, claro, na idade que cada um tem. Às vezes você tem filhos de idade diferente, tem que ter conversas com cada um separadamente, porque são idades muito diversas, mas não faz de

A grande questão toda, Fernando, é isso, chega nas escolas também, porque você vai ensinar educação sexual e acha que é estímulo à sexualidade. Porque nós temos uma sociedade de muitas pessoas que elas, na própria vida delas, têm transtornos severíssimos sexuais, têm problemas sérios, elas não sabem nem por onde começar. Acho que o primeiro diálogo é, pai e mãe, por onde você começa conversando com você sobre sua própria sexualidade?

Encarar isso, entender que isso existiu, que você pode não ter tido esse pai e essa mãe porque não era natural no passado,

com você, mas que você precisa passar por essa dor e até constrangimento pra você cuidar de alguém que você ama. Começa só sobre você. Você conversa com sua esposa sobre o relacionamento, como vocês se sentem, o que é legal, o que não é. Porque como é que eu vou conversar com um adolescente se eu nem tenho esse diálogo interno comigo? Muito bom, muito bom. Rosandro, vamos falar mais sobre esse assunto aqui, tudo que deriva dele, porque dá pano pra manga, né?

Tem assunto aí. Dá pano pra manga, é necessário. Até porque muita gente não tem acesso a isso, infelizmente, na maior parte

vida, né? É. E aí a gente chega assim, de mansinho, no carro das pessoas, na casa das pessoas, no fone das pessoas, plantando essas sementes de boas conversas, é ou não é? Exatamente. Tem um lema nesse programa que é, se a gente mudar a mente de uma pessoa por dia, a gente já tá satisfeito. Tá bom. É bom demais. E aí junto com o meu, que é se o crime é organizado, organizemos o bem. Gostei, viu? Eu curti. Obrigada, Rossandro. Obrigada, Rossandro. Um beijo pra você. Até a semana que vem. Cheiro.

Tchau, tchau.

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