Caso Master: ‘André Mendonça fez bem em exigir cautela' no acesso a material sigiloso de Vorcaro
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Restrição de acesso a material sigiloso da CPMIDecisão do ministro Mendonça · Vazamento de conversas íntimas · Seleção de trechos para liberação · Proteção do processo judicial
- Responsabilidade da imprensa com material vazadoDever de publicar notícias · Separação entre curiosidade e utilidade · Papel da imprensa em denunciar abuso · Distinção entre jornais e redes sociais
- Proteção de Fontes JornalísticasPressão política sobre jornalistas · Tentativa forçada de revelação de fontes · Precedentes em países autoritários · Prisões por não revelar fontes
- Governo e Gestao PublicaBuscas domiciliares injustificadas · Confisco de equipamentos · Pressão sobre liberdade de imprensa · Autoritarismo estatal
E aí, Merval. Boa tarde, ouvinte. Boa tarde, Cássia. Boa tarde, Merval. Bom, Merval, o assunto é sobre as restrições na CPMI sobre investigação contra o Bolsonaro, o Vorcaro. O ministro Mendonça mandou retirar as informações porque houve muitos vazamentos, especialmente aqueles vazamentos de coisas íntimas,
as conversas íntimas que nada tem a ver com a investigação. Pois é, eu acho que esse é o ponto. Ele fez bem fazer essa restrição, exigir que sejam selecionados os trechos a serem liberados, porque foram liberadas muitas conversas íntimas entre Vorcar e sua namorada, que não dizem respeito a nenhum crime.
nada que justifique a divulgação desses diálogos. É claro que neles você acaba descobrindo que o Vorcaro se encontrou com o Moraes em casa, perto de casa. Ele ia relatando para a namorada esse tipo de encontro. E isso é importante. Mas deviam ser destacados do grosso do material, que era só a conversa íntima de namorado.
Então, acho que o relator, André Mendoza, fez bem. Fez bem em exigir essa cautela. Porque numa dessas você anula um processo por causa de uma bobagem, por causa de uma fofoca que você achou engraçada. Então, não dá para arriscar o processo todo por causa de uma curiosidade,
Eu acho que fez bem o ministro Mendoza.
e que ajudam a imprensa. Tem duas questões aí. Uma questão é essa divulgação de conversas íntimas, que foram divulgadas principalmente pela internet. Os jornais não divulgaram. Os jornais não divulgaram e fizeram bem, porque não faz sentido, não colabora com nada.
tenham a ver com o processo, aí sim, você pode divulgar, quem quiser divulgar, mesmo que esteja proibido. E a imprensa tem o direito de publicar. Não tem nada com isso. Quem vazou as conversas é que tem que responder por isso. Mas a publicação de todas as notícias vazadas é dever da imprensa publicar.
Seja mentira. Então, eu acho que são duas coisas que você tem que separar. O que é útil no processo e o que é só curiosidade. Quanto ao que é útil no processo, há muita preocupação. Há muita preocupação, não. Há uma certa tentativa de fazer com que o jornalista divulgue a fonte. Inclusive, muita pressão política sobre alguns colegas, por exemplo, para que divulguem as suas fontes. Isso aí está fora de questão.
Isso é impossível, não existe. Tem vários casos em vários países do mundo que governos autoritários fazem isso, fazem essa pressão. Muitos jovens já foram presos porque não quiseram divulgar suas fontes em países até democráticos, como os Estados Unidos, mas não é aceitável. É um avanço do governo,
nas liberdades de imprensa, na liberdade da opinião pública. Não é aceitável, em hipótese alguma. Porque aí sai um vazamento divulgando alguma irregularidade, como, por exemplo, alguma autoridade usando veículos para fins particulares. E aí a investigação, em vez de ser sobre o uso do veículo, vai ser sobre o jornalista. Sobre o mensageiro, pois é. O mensageiro.
E o papel da imprensa é esse, é denunciar os abusos de poder. E o papel é esse. E o que aconteceu agora com o ministro Flávio Dino, por exemplo, eu gostaria muito que ele recuasse, porque é uma coisa pessoal dele, ele tem que se entender com o jornalista, processar o jornalista.
Mandar a Polícia Federal na casa do sujeito para pegar computador e tal, para descobrir quem é que deu a informação. Isso é uma loucura total. É um abuso de poder evidente. Merval Pereira. Obrigado, Merval. Até amanhã. Até amanhã.