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Fertilizantes no Brasil: sinônimo de dependência externa

17 de março de 20267min
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Cassiano Ribeiro explica sobre os custos que são afetados pela dependência externa do Brasil, e como a guerra no Oriente Médio afeta a região fornecedora desses fertilizantes para o agronegócio brasileiro. Ouça.
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CBN Agro, com Cassiano Ribeiro, da Globo Rural. Oferecimento FAESP, Senar e Sindicatos Rurais, a força que vem do campo. E aí, Cassiano? E aí, Sardenberg, tudo bem? Boa tarde, Cassia. Boa tarde, Cassiano. Cassiano, você sabe que eu estou aqui em Maringá, participando de um evento aqui da CBN Maringá, que chama-se A Hora da Colheita. Estive aí no ano passado, inclusive.

representantes do setor do agro, de todos os setores, desde os produtores até o pessoal que faz o transporte, logística, pessoal de equipamentos e tal, enfim, um evento importante. E eu ouvi muita reclamação, muita reclamação não, muita preocupação com a questão dos fertilizantes, o Cassiano.

E agora com essa guerra no Oriente Médio, a gente tem ali toda uma região que é fornecedora desses fertilizantes para o agronegócio brasileiro, não só para o Brasil, mas para diversos países. E só para vocês terem uma ideia, Cássia, nas duas últimas semanas o preço da oreia, que é um dos principais fertilizantes

Fertilizantes nitrogenados usados no campo subiu mais de 30% em duas semanas. Em paralelo a isso, Sardemerk, está acontecendo. Fertilizante sobe, a importação da ureia já caiu, segundo o levantamento da consultoria Stonex. O crédito para o agricultor está mais restrito, porque a inadimplência no agronegócio, embora ainda seja uma parcela muito pequena do total, ela está aumentando. Alguns produtores estão com problemas financeiros. E quando a gente tem um cenário de crédito restrito,

Custo em alta, fertilizante aumentando o preço. E o pior é o preço das principais commodities, principalmente soja, milho, caindo. Então você tem um aperto na margem dos produtores aí, muito importante. E isso no momento em que a gente está colhendo, o Brasil está colhendo uma safra grande de soja e se preparando já para fazer o plantio da próxima safra. Ou seja, preparando as compras dos insumos para a próxima safra. Significa fertilizante, sementes e outros insumos.

Cassiano, a gente não tem alternativas em relação a esses fertilizantes que a gente precisa comprar de fora? Tem, Cassi. E aí é um ponto bem importante. Tem algumas alternativas. Inclusive, a própria consultoria Estonex está prevendo um aumento das compras e do uso de sulfato de amônio, que é outro químico que também tem na sua composição bastante nitrogênio. E aí o nitrogênio, só explicando aqui, é um elemento fundamental para o crescimento das plantas.

aquela energia do fertilizante em crescimento da planta. Ajuda a fazer fotossíntese, por exemplo. Então, o sulfato de amônio também é uma alternativa. Só que esse sulfato de amônio vem basicamente da China. E hoje a gente tem aí uma questão logística que já está impactando o custo também, que é o aumento do frete marítimo. Então, o frete marítimo para todas as cargas está maior. E quando você traz esse produto de um lugar... A gente tem importado muito já sulfato de amônio da China,

está trazendo mais e a uma distância maior. Então, inclusive, a compra de sulfato de amônio do Brasil pelo Brasil já aumentou nesses dois primeiros meses do ano. A outra alternativa, Sardamia e Cássia, são os biológicos. E aí o Brasil é autoridade nesse assunto. O Brasil lidera a adoção e é um grande já produtor de biológicos. Eu conversei até hoje mais cedo com a doutora Mariângela Hungria, Cássia. Vocês já entrevistaram ela aqui na CBN. A doutora Mariângela é pesquisadora da Embrapa,

da agricultura e uma das pesquisas de referência dela é a fixação biológica de nitrogênio. Significa que se você usar bactérias naturais ali na lavoura, essas bactérias transformam o nitrogênio da atmosfera em um nitrogênio que a planta é capaz de usar. Então, no caso da soja, essa fixação biológica já está sendo amplamente usada no Brasil. O problema são as outras culturas. E segundo a doutora Maria Angelongria,

E daí o maior problema desse segmento é que hoje o mercado de biológicos atende uma parcela muito pequena de produtores. São basicamente os grandes produtores e os produtores de soja. Mas ela fala que tem hoje já produto biológico na prateleira, inclusive da própria Embrapa, mas o que está faltando é empresa que pegue esse produto da prateleira e disponibilize em escala e do jeito que o pequeno produtor quer. Porque quando a gente fala de número de estabelecimentos rurais no Brasil,

milhões de estabelecimentos e maior parte é formado por pequenos e médios agricultores. A menor parcela são de grandes produtores. Esses estão tendo acesso cada vez mais aos biológicos. O problema é fazer esse acesso chegar ao pequeno e o médio produtor para que essa dependência externa de fertilizantes químicos seja reduzida. É, mas no caso, pelo que você falou, a gente troca um fornecedor por outro, né? Troca o Irã pela China.

Exatamente, troca um pelo outro e assim, né, Sérgio Merck, a preços ainda elevados, porque você,

Tem um aumento da demanda por um produto que não tinha uma demanda tão grande como está tendo agora, justamente porque o fornecedor de ureia oficial, vamos dizer assim, está com problemas logísticos de fornecimento, enfim. Há outros países da região ali também que são grandes produtores de gás natural e ajudam nesse fornecimento também, como é o caso de Oman, que é um grande produtor de gás natural e também esse gás natural usado para a produção de fertilizantes.

Então, como você bem falou, você troca um produto por outro, mas não significa que o custo vai reduzir.

É o fantasma que está rondando aí as noites dos produtores rurais brasileiros, porque se o custo aumentar ainda mais com preços dos grãos caindo, no limite a gente pode ter uma mudança aí no cenário de plantio para a próxima safra. Tá certo. É o que eu vi aqui, mais ou menos o que eu vi aqui em Maringá. Cassiano Ribeiro, obrigado Cassiano, até a semana. Até mais, Sardemeg, até mais, Cassia. Bom retorno para você de Maringá.

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