‘Cadê’ pode substituir ‘onde está’?
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- Perguntas Diretas e IndiretasEquivalência com 'que é de' · Pergunta indireta sem interrogação · Uso infantil inteligente · Validade em linguagem coloquial · Rejeição em textos formais · Estrutura perfeitamente factível
- Variações e abreviações de cadêCadê como forma de 'que é de' · Cadê como 'que é feito de' · Variante QED · Variante QD · Variante KD · Documentação em dicionários
- Mensagem na músicaJorge Bem 'Cadê Tereza' · Adriana Calcanhoto 'Esquadros' · Uso em perguntas diretas · Contexto musical como ilustração
- Desenvolvimento linguístico infantilInteligência linguística da criança · Lógica gramatical intuitiva · Raciocínio estrutural correto · Evolução da fala
- Comparação com idioma inglêsWhy em perguntas · Because em respostas · Mecanismo linguístico paralelo · Universalidade das estruturas
A nossa língua de todo dia. Com o professor Pasquale. Oi, professor. Boa tarde. Tatiana, querida, boa tarde. Fernando, boa tarde. Ouvintes, boa tarde. O Fernando me deixou essa missão porque a dele é bem mais dura. Foi ver como está o mundo. Sabe como é. Para variar. Eu entro no ar e ele sai. Acontece isso. Porque ele também fica à mercê dos horários dos comentaristas do CBN Pelo Mundo. Mas vamos lá. Bom, como eu disse, bem mais fácil a minha missão
aqui o professor Pasquale do que o Fernando a saber como é que está o mundo resolver essas coisas todas e tal. A dúvida hoje é do Valdir Jordão. Eu não gostaria de estar na pele dele. Vamos lá. De jeito nenhum. Vem de Vinhedo a dúvida do Valdir Jordão, que é fã do Estúdio CBN, assim como do quadro do professor. E ele tem uma dúvida sobre o modo de falar da filha dele quando era pequena. Ele diz, nós perguntávamos a ela, cadê o teu brinquedo? E ela respondia sempre, eu não sei cadê. Ai, que fofa.
Cadê, entendemos que seja uma forma coloquial para onde está, porém, como ela estava aprendendo a falar, sempre respondia, eu não sei cadê. É possível utilizar cadê na resposta, como ela fazia? Se não for, vai ter que ser, porque é bonitinho demais. É linda a pergunta do nosso Valdir, a questão, o comportamento da filha, a expressão da filha dele quando era pequena, já deve ser grande, pelo que a gente deduz aqui. Também é uma coisa muito interessante,
Agora, quando ele diz aqui que o KD, que ele sempre entendeu o KD como uma forma coloquial para onde está, não é exatamente isso, porque o KD, como nós já dissemos aqui em outro boletim, com outro tom, com outro viés sobre o KD, o KD é que é de, que é feito de.
QD numa palavra só, com Q de querer, QD com circunflexo, também existe a forma QED, e existe a forma KD, que é simplesmente equivalente a QD, equivalente a QED, equivalente a QED. E a gente normalmente usa isso nas perguntas, nas interrogações.
O primeiro, eu não vou dizer o nome, porque senão eu estrago tudo, é uma composição de Jorge Bem, com ele mesmo. A gravação é de 1969, um arranjo bonito do maestro Rogério Duprá. Vamos ouvir um trecho dessa canção, vamos lá.
E aí? E aí que eu vou dedicar essa canção. Eu não sei cadê Tereza. Pois é, nem eu. Nós temos uma querida amiga chamada Tereza Monteiro, que demora meses para responder, então estou dedicando a ela. Tereza, cadê você? Ah, muito bom, muito bom. Tereza, cadê você? Responda, pelo amor de Deus.
Deus. Bom, cadê Tereza? Ninguém sabe, nem o Jorge Bem sabe, o nome da música é esse, cadê Tereza? Que é feito de Tereza? Onde está Tereza? E nós temos aí o que nós chamamos de pergunta direta. O que que é a pergunta direta? É aquela que termina com ponto de interrogação, né? Por que você fez isso? Onde você está? Cadê Tereza? Essas perguntas que terminam com ponto de interrogação são perguntas diretas, como a gente vai ver na canção, na monumental
tal canção Esquadros, de Adriana Calcanhoto, com ela, do disco Senhas, de 1992, é bonito de matar. Vamos ouvir.
Meu amor, cadê você? Essa canção é daquelas que a gente quer ouvir até o show. Ah, eu amo também, viu? Meu Deus do céu. Adriana, beijo pra você. Beijo imenso pra você. Então, cadê você? Que é de você?
de você. Novamente, pergunta direta. Isso a gente escreve com ponto derrogação. Agora, nessa linha, quando a gente diz assim, eu não sei por que você fez isso. Eu não sei por que você fez isso. Como é que termina essa frase? Termina com ponto final. Mesmo assim, esse porquê é separado. Eu não sei por que você fez isso. Existe aí aquilo que nós chamamos de pergunta indireta.
Não termina com ponto de interrogação, mas não deixa de ser uma pergunta. Eu não sei por que você fez isso, eu não sei por que razão você fez isso, por que motivo você fez isso. Esse porquê é separado. Como é separado nas perguntas diretas. Por que você fez isso? Ponto de interrogação. E aí essa coisa da pergunta indireta justifica o uso que a nossa menina, ele não deu o nome da filha, a filha do Valdir, Jordão de Valinhos. Valinhos ou Vinhedo? Vinhedo.
São próximas. Cidades vizinhas, mas é vinhedo. Isso, coladas. E é isso que justifica o raciocínio da criança, e não só da criança. Eu, nas minhas pesquisas, achei um depoimento de uma senhora, cujo nome eu não vou dizer, uma deputada das tantas que fugiram para os Estados Unidos, está lá, e ela, quando foi presa, acusada de enriquecimento ilícito,
Dizendo tal e tal e tal. Aí ela termina. Não sei cadê esse enriquecimento ilícito. Não sei cadê esse enriquecimento ilícito. Faz sentido. Porque não sei cadê. Não sei que é de. Que é feito de. Onde está esse enriquecimento ilícito. Então faz sentido. Na linguagem, sobretudo na linguagem da criança. Não sei cadê. Ponto final. Não sei o que é de. O que é feito de.
É uma pergunta indireta. Isso tem uso formal? Não. Tanto que quando a gente procura nos dicionários o KD que aparece, e os dicionários dizem que KD equivale a QD, a QED, QED e tal e tal, a primeira coisa que se diz é que esse KD aparece nas perguntas, nas interrogações. Não se diz lá nas interrogações diretas ou indiretas.
nas interrogações. E esse cadê da nossa menina, filha do Valdir, é uma pergunta indireta. Eu não sei cadê, eu não sei que é de, eu não sei onde está. E quem diz eu não sei onde está, indiretamente pergunta onde está, eu não sei. Então, embora isso não tenha registro formal, não aparece nos textos formais, a estrutura é perfeitamente factível.
pergunta indireta das tantas que a gente faz em português e em qualquer língua do mundo. É aquela história do inglês, do why e do because. Para quem não sabe inglês, why, que se escreve com três letras, W, H, Y, quer dizer por quê. E because, que se escreve com B de bola, E de Europa, C de casa, A de América, U de uva, S de sapato, E de Europa, também é por quê.
que o why é na pergunta e because é na resposta. O why é na pergunta direta ou indireta. Eu não vou traduzir, por exemplo, você sabe por que fulano fez isso? Eu não sei porquê. Esse porquê em português é separado e em inglês ele vira why. I don't know why. Eu não sei porquê. Porque separado, pergunta indireta, como se faz em inglês com esse why que é usado na pergunta, seja direta, seja indireta.
Orações com outras línguas são muito interessantes. Vale a pena fazê-las para a gente entender o mecanismo que está por trás disso. Então, querido Valdir, a moral da história é assim. A sua filha era e deve ser ainda muito inteligente. Ela tinha um desenvolvimento linguístico muito interessante. Faz todo o sentido do mundo estruturalmente falando. Eu não sei cadê, eu não sei que é D.
não sei o que é feito de. O KD e o QD e o KED só aparecem no português informal. A gente não vê isso em textos formais, num texto técnico, num texto filosófico, num texto jurídico. A gente não vai encontrar cadê o crescimento do Brasil. A gente vai encontrar que é feito do crescimento do Brasil, que é feito da moralidade em certas questões brasileiras e tal, e tal, e tal.
linguagem informal, eu acho que faz sentido sim, esse cadê do jeito que a menina usou, do jeito que essa deputada fujona usou e do jeito que às vezes muita gente usa, é isso. Muito bem, muito bem. Obrigada. Obrigado. Professor, aí eu vou contar esse bastidor porque eu não vou aguentar. Eu ia fazer uma piada no fim do quadro e perguntar, cadê Fernando? Isso, ele chegou. Ele chegou só para dizer oi para mim. Mas eu estava aqui acompanhando, abriu
vi KD e aí que tal? Mesmo que KD. Daí eu fiquei na dúvida, é KD ou é KD? Não, aí o cara chegou aqui no fim e falou, mas é KD ou é KD? Eu falei, se eu tivesse chegado no começo da aula, não sei. Mas aí no fim o professor fala, KD, certo? KD, e se você clicar no KD, ele vai dar KD. Você tá no Wise? Tô. Ele vai dizer pra você que existe KD, que existe KD com KD querer, como eu disse, mas eu repito em sua homenagem, porque I love you.
Existe KED e existe QD. E KD. E que é D. E que é feito D. Tudo isso é a mesma coisa. Muito bem. Beijo, professor. Muito obrigada. Até amanhã. I love you. E esse U agora é plural. Porque esse danado do inglês, em inglês, you é singular e é plural. Esse U agora é plural. Tá bom? Beijo pra vocês. Até amanhã. Beijoca.