As dores do sacrifício
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- Sacrifício como justificativaSofrimento evitável justificado por sacrifício · Palavra de ordem para racionalizações · Idealização da dor como normal · Medo de questionar o sacrifício
- Relacionamentos que machucamCasamentos dolorosos · Insistência em relacionamentos ruins · Esperança de melhora com o tempo · Amor equacionado com sacrifício · Deformação do eu pela convivência
- Incompatibilidade pessoalNem todo sapato serve para todo pé · Pessoas boas que não cabem na vida · Aceitação da incompatibilidade · Diferença legítima versus defeito · Impossibilidade de adaptação forçada
- Amizade tóxica e manipuladoraAmigos que cobram constantemente · Relações que sugam energia · Saída diminuída de encontros · Lealdade a amigos antigos como peso · Culpa de romper
- Dor como informação corporalO corpo reconhece o que não serve · Sinais corporais ignorados pela mente · Dor como mensagem legítima · Negação e insistência apesar da dor
Refletir para viver, com Rosandro Klingey. Sapato apertado, a gente reconhece rápido. Dói o calcanhar, aperta o dedão, forma bolha. Ninguém insiste num sapato que machuca. Experimenta, sente que não serve, devolve para a prateleira. Com gente, a lógica deveria ser a mesma.
Mas infelizmente não é. A gente insiste em relacionamentos que apertam, amizades que deixam marca, trabalhos que formam calo na alma. Fica ali, aguentando, achando que o couro vai ceder, que o pé vai se acostumar, que com o tempo melhora. Às vezes melhora. Na maioria das vezes, só piora. O sapato continua do mesmo tamanho. Quem deforma é o pé. Já vi gente que passou anos num casamento que doía todo dia.
para si mesma que aquilo era fase, acreditando que todo mundo passa por isso e que amor é sacrifício. Sacrifício virou palavra de ordem para justificar sofrimento evitável. Já vi gente em amizade que só cobrava, sugava e diminuía. Saía de cada encontro menor do que entrou, mas mantinha, porque é amigo de infância, porque já passamos por tanta coisa e romper seria uma grande ingratidão. O corpo sabe quando algo não serve. A gente é que insiste em ignorar
A dor é informação. Quando alguém te machuca de forma constante, o recado está dado. Você pode fingir que não ouviu. Pode tentar se adaptar e até torcer para a pessoa mudar. Ou pode aceitar o óbvio. Não é do seu tamanho. Tem sapato bonito que não serve, como tem gente boa que não cabe na sua vida. Não é defeito do sapato nem da pessoa. É só incompatibilidade. Forçar o encaixe machuca quem insiste. Música