Memórias de infância perto de Congonhas marcam relação afetiva com São Paulo
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- Memórias de infânciaCampo Belo · Proximidade ao aeroporto · Formação pessoal · Saúde Emocional · Raízes na infância
- Vínculo emocional com São PauloIdentificação pessoal · Protagonismo da cidade · Permanência na memória · Pertencimento · Transformação pessoal
- Aeroporto CongonhasSaguão público · Decolagens e pousos · Barulho dos aviões · Testes de turbina · Fascinação infantil
- Ritual com avó no aeroportoQuartas-feiras · Aprendizado familiar · Vínculo intergeracional · Experiência compartilhada · Memória sagrada
- Eleições Rio de JaneiroCasamento · Vida profissional · Dualidade geográfica · Formação na capital · Identidade dividida
- Furtos no Parque IbirapueraGangorras · Trepa-trepas · Balanços · Infância analógica · Liberdade infantil
- Gastronomia em São PauloPizzarias · Padarias · Restaurantes típicos · Bares de amigos · Identidade através da comida
sua história de São Paulo. No Conte Sua História de São Paulo, o texto do ouvinte da CBN, Fábio Nogueira. Eu não nasci em São Paulo, mas São Paulo nasceu em mim. Morei nela até os meus 43 anos, mesmo quando a vida me levou a casar e viver em Santo André. Porque no fundo, toda a minha vida, a profissional, afetiva, a que me formou, sempre esteve na capital. Passei a infância no Campo Belo, apenas 200 metros do aeroporto de Congonhas. Era tão perto que o barulho dos aviões fazia parte da rotina
como se fossem vizinhos barulhentos. Vizinhos barulhentos, mas queridos. Meu avô, Acácio, o mesmo que me ensinou a pescar em Caraguatatuba, tinha um ritual sagrado. Toda quarta-feira, ele me levava junto com meu irmão para ver os aviões decolarem e pousarem. Nos anos 1980, Congonhas tinha um saguão aberto ao público, lá em cima, no embarque. Nós dois ficávamos hipnotizados, vendo o Electra levantar voo rumo ao Santos Dumont.
Era como assistir ao mundo se abrindo diante dos nossos olhos de criança. À noite, porém, a magia virava tremor. Minha janela batia sem parar, por causa dos testes de turbina. O ar vibrava, a casa vibrava. E eu também vibrava, às vezes de susto, às vezes de fascínio. Era São Paulo dizendo, eu estou aqui, não durma ainda. E quando não estávamos no aeroporto, estávamos no Ibirapuera.
nas gangorras, nos trepa-trepas, nos balanços simples da época. Nada de telas, nada de pressa. Só o parque, o vento e a alegria de ser criança. Numa cidade que, apesar de gigante, sempre encontrou um jeito de caber dentro da gente. Tenho muitas lembranças da São Paulo da minha infância. Da fase adulta, nem todas são tão doces, mas todas foram importantes. Foi essa cidade que me deu trabalho, experiência, casca, coragem.
É porque São Paulo foi protagonista da minha história e continua sendo. Toda vez que volto, me reencontro nas pizzarias, nas padarias, nos restaurantes que só São Paulo sabe ter. E me reencontro também nos bares com os velhos amigos da escola e da faculdade, como se o tempo tivesse apenas dado uma volta no quarteirão. São Paulo é assim. Mesmo quando você vai embora, ela continua morando em você. E basta uma fatia de pizza, um pão na chapa, um avião decolando,
Fábio Nogueira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antônio. Seja você também personagem da nossa cidade. Revir seu texto para contesuahistoria.com.br Para ouvir outros capítulos, visite meu blog,
E aí