Os cem anos de Carlos Heitor Cony
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- Carlos Heitor Cony - TrajetóriaIndependência ideológica · Escritor do contra · Recusa a filiações literárias · Incômodo para direita e esquerda · 100 anos de vida · Influência na literatura brasileira
- Memória e NarrativasBest-seller literário · Prêmios importantes · Memória do pai · Ficção e memória misturadas · Retorno à escrita após 20 anos · Ressurreição da carreira
- Golpe Militar de 1964Textos jornalísticos contra o golpe · Publicação no Correio da Manhã · Resistência editorial · Acusações de alienação · Depoimento histórico
- Série Antes da FaixaRomance de 1964 · Casal em crise · Classe média urbana · Casa de veraneio em Cabo Frio · Temática afetiva e amorosa · Lirismo na narrativa
- PilatosLivro inclassificável · Favorito do próprio autor · Narrativa de acidente de trânsito · Mistura de gêneros · Pausa criativa de 20 anos · Raridade na literatura brasileira
- A Revolução dos CaranguejosColetânea de textos · Lançamento em 2004 · 40 anos do golpe militar · Depoimento histórico · Formato compacto
- Primeiras obras e existencialismoRomance Ventre · Influência de Sartre · Existencialismo francês · Final dos anos 50 · Incômodo para ideologias
- Pesca SustentávelRomance político · Luta armada brasileira · Crítica ao comunismo · Censura do Partido Comunista · Polêmica literária · Retrato crítico da resistência
- Crise do Jornalismo e MídiaTrabalho no Correio da Manhã · Colunismo · Atuação na CBN · Diálogos com Chechel · Intelectual engajado
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com José Godoy. Oi, professor. Boa tarde. Professor, qual deles? Olha que doida que eu tô. Quatro horas tô achando que é a nossa língua de todo dia. Você é professor, Zé? Com essa trilha parecida. Me confundi completamente, Zé Godoy. Bem-vindo. Boa tarde. Boa tarde, Tati. Professor José, como vai? Se eu me chamar de professor pela semana também. Ajuda, né? Ajuda nos negócios também. Professor Zé. Professor Zé é legal, né? Eu gosto.
Nós, professor Zé, hoje traz o livro, o livro não, os 100 anos de Carlos Heitor Cony. Pois é, Tati, amanhã o Cony faria 100 anos. Trouxe aqui para a gente dar um panorama da obra, da trajetória do Cony, escritor fundamental da segunda metade do século passado, nesse começo de século que a gente vive.
tem uma trajetória muito interessante, acho que na literatura brasileira, parece que ele sempre foi um escritor do contra, ele sempre fez questão de não fazer parte de nenhuma corrente principal, não se ligar a nenhum grupo, acho que é uma trajetória muito específica, muito própria e de alto nível, acho que foi um autor assim que ainda hoje você lê os livros, mesmo livros que foram escritos há 4, 5,
seis décadas e eles estão ainda de pé aqui, funcionando muito bem. O Cony vai estrear no final dos anos 50 com o Ventre, ainda muito influenciado pelo existencialismo, pelo Satre, os romances do Satre. Ele vai ser um autor sempre muito incômodo, tanto para a direita como para a esquerda, porque os dois campos ideológicos não conseguiam trazer ele para dentro, porque ele sempre foi muito independente.
romance engajado era a norma. O Coni tratava de uma classe média urbana que crescia num romance, por exemplo, como Antes do Verão, que é um romance de 64, que tematiza um casal em crise que vai para uma casa de veraneio em Cabo Frio. Ele foi acusado de alienado na época do golpe, mas é dele alguns dos principais textos no jornalismo brasileiro que combatem aquele momento do golpe militar em 64.
ali no comecinho de abril, ele está no Correio da Manhã, escreveu no Correio da Manhã, e são textos muito contundentes contra o que está acontecendo no país, e que depois ele juntaria numa coletânea, num livro bem pequeno, mas muito interessante para quem quer um bom depoimento do que foi o golpe em 64, visto de dentro, que é A Revolução dos Caranguejos, que é um livro pequeno, que foi lançado em 2004,
pelos 40 anos do golpe militar. Ele para de escrever, depois do Pilatos, que é um livro também meio inclassificável, é o livro favorito dele. É um livro estranhíssimo, ao mesmo tempo divertido, cruel, triste e cômico, que conta essa história de um cara que no acidente de trânsito tem o pênis decepado
sigo pelo centro do Rio de Janeiro, é um livro fortíssimo dele, e depois desse livro ele para de escrever, fica mais de duas décadas sem escrever, e quando retorna, retorna com quase memória, que é um acontecimento na literatura brasileira, no final do século passado, é um livro que vira um best-seller, ganha os prêmios mais importantes, um livro que conta a história do pai dele, uma mistura de ficção e memória, que faz um sucesso tremendo, e a partir daquele momento ele acaba sendo muito resgatado,
edições retomam, né, as editoras ficam hiper interessadas na obra anterior dele, os livros voltam a aparecer, ele se torna um dos principais autores do Brasil, né, em termos de popularidade, de sucesso crítico, ele vira ali uma espécie de intelectual engajado, né, trabalhando com colônia no jornal, trabalhando aqui na CBN, né, onde ele ficou um bom tempo fazendo... Com o Chechel. Com a expressão, com o Chechel. Ah, demais. Comecei naquela época aqui. Pois é, né, Cuni,
Fazia parte no nosso dia a dia, na nossa manhã aqui na rádio. Era muito divertido os dois conversando. E acho que isso conta um pouco dessa trajetória. Acho que o escritor que foi do Contra seria um bom resumo dessa trajetória. E acho que até hoje é um escritor ainda incontornável para quem quer entender o que foi a literatura brasileira nessas últimas décadas. Legal demais. Ótima lembrança. Zé, por onde começa?
portas de entrada, acho assim, acho que tem uma curiosidade para gerações mais jovens de ler o Quase Memória, que é um livro que já faz 30 anos que foi lançado. Acho que foi o primeiro que eu li também, é legal demais. É, eu acho que é um livro legal. Eu acho, por exemplo, Antes do Verão é um livro muito bonito, um livro mais lírico, mais para quem quer uma temática mais afetiva, amorosa, um casal em crise, um livro muito bonito, visualmente, fala de um cabo frio, paradisíaca, uma cidade
minúscula, com aquelas areias brancas, é um livro muito bonito. Para quem quer uma coisa mais política, tem o Peça, a Travessia, que é o livro mais político dele, que tematiza um cara que seria mais ou menos como ele, alienado, que entra na luta armada, e o que acontece com esse cara, que é um livro que acaba criando muita polêmica, a esquerda, o Partido Comunista força que o livro seja retirado, porque ele faz um retrato muito pouco lisonjeiro sobre a luta armada naquele momento.
portas de entrada. Eu acho o Pilatos um livro genial, assim. É um livro que não é simples, não é... Ele é simples na leitura, mas ele é muito estranho em alguns momentos, mas eu acho genial, assim. É um livro muito raro no Brasil, assim. Não tem nada parecido. Acho que tem muitas portas de entrada pra obra dele, Tati. Acho que ele foi um escritor, assim, muito, muito rico, assim, na diversidade da produção dele, né? Legal, legal demais. Legal demais. Não sei se tem resumo hoje, Zé. Tem? Olha, ele está com muitas
edições nas últimas décadas por diferentes editoras. Então, é bem fácil achar todos esses títulos que eu falei aqui ou na sua livraria favorita ou no seu sebo favorito. Com certeza você vai encontrar muito conia disponível. Professor José Godói está conosco toda sexta-feira no nosso Clube do Livro. Valeu, Zé. Um beijo para você e até a semana que vem. Valeu, Zé.
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