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Estudo vai investigar maneiras para que músculo atue como regulador de açúcar no sangue

13 de março de 20267min
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Luis Fernando Correia traz novidades do Congresso de Avanços e Tecnologias em Diabetes realizado em Barcelona, na Espanha. No evento, foi apresentada a proposta de um estudo que vai investigar uma terapia gênica para transformar o músculo do próprio paciente no regulador do açúcar, diminuindo, assim, a dependência das aplicações contínuas de insulina para pacientes com diabetes tipo 1. Ouça.
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Assuntos7
  • Tratamento Diabetes Tipo 1Vetor viral para transformação muscular · Produção de insulina no músculo · Enzima glucocinase como sensor de glicose · Injeção intramuscular única · Aplicação por ultrassom · Imunomodulação prévia · Estudos pré-clínicos em cães diabéticos · Duração de 1.500 dias (4 anos) em modelos animais
  • Desafios do controle glicêmico em diabetes tipo 170% dos pacientes não atingem controle ideal · Hemoglobina glicada acima de 7% · Oscilações de glicemia · Dificuldades com sensores contínuos · Limitações de bombas de insulina · Controle diário complexo
  • Complicações cardiovasculares e metabólicas do diabetes tipo 1Risco cardiovascular 2-4x maior · Cetoacidose diabética · Hipoglicemia · Internações hospitalares · Emergências metabólicas
  • Ensaios clínicos fase 1 e 2 para terapia gênicaAvaliação de segurança · Impacto na glicemia · Determinação de dose ideal · Seleção de pacientes com hemoglobina glicada acima de 7%
  • Congresso de Avanços e Tecnologias em DiabetesLocalização em Barcelona, Espanha · Apresentação de nova terapia gênica · Oportunidade de inovação internacional
  • DiabetesControle contínuo vs pontual · Ausência de resposta fisiológica no tipo 1 · Reposição contínua de insulina · Complexidade do gerenciamento diário
  • Epidemiologia e prevalência do diabetes tipo 1 no Brasil600 mil pessoas com diabetes tipo 1 · Dados da Sociedade Brasileira de Diabetes · Pacientes do SUS com dificuldades de acesso · Sobre 60% com dificuldades de controle
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Saúde em Foco, com Luiz Fernando Correia. Muito bom dia, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor. Qual a novidade que o senhor traz do Congresso Internacional de Diabetes? Então, Milton, está acontecendo em Barcelona, na Espanha, o Congresso de Avanços e Tecnologias em Diabetes, onde são apresentadas essas novidades. E ontem foi apresentada a proposta de um estudo que vai começar agora esse ano, investigando uma terapia gênica,

para transformar o músculo do próprio paciente num regulador do açúcar, da glicose, diminuindo, assim, para os pacientes que têm diabetes tipo 1, a dependência das aplicações contínuas de insulina. Porque desde que se descobriu a insulina, lá em 1922, o diabetes tipo 1 ainda é um desafio importante. Passou a ter uma solução medicamentosa com a insulina, é verdade, mas mesmo com as tecnologias mais modernas, aqueles sensores contínuos,

da quantidade de açúcar no sangue, bombas automatizadas de insulina, 70% dos pacientes com diabetes tipo 1 não conseguem atingir o controle glicêmico ideal, ou seja, manter a hemoglobina glicada abaixo de 7%. Pacientes com tipo 1 de diabetes têm um risco cardiovascular duas a quatro vezes maior. Um em cada 20 desses pacientes é hospitalizado por cetoacidose diabética, quando o açúcar sobe demais e gera um grande transtorno metabólico no nosso corpo,

um quadro muito grave de emergência, e muitos também são internados por hipoglicemia, porque tentam controlar e o açúcar fica baixo demais e passa muito mal por isso. Tem até complicações. Então, a ideia dessa terapia gênica é utilizar um vetor viral, ou seja, um vírus, que já é utilizado em terapias aprovadas para outras doenças genéticas. Em vez de tentar regenerar o pâncreas, que é uma das tentativas que a gente tem visto, até com células-tronco, transplante de célula de pâncreas,

usam o músculo, transformando o músculo do paciente num novo órgão regulador. Ele vai produzir insulina para permitir a sinalização semelhante, a que acontece fisiologicamente no nosso corpo, e uma enzima chamada glucocinase, que vai funcionar como se fosse um sensor de glicose. Quando a glicose estiver normal ou baixa, essa enzima fica inativa e reduz o risco do açúcar muito baixo, que é a hipoglicemia. Quando a glicose subir, por exemplo, após uma refeição,

enzima é ativada, o músculo passa a captar e metabolizar a glicose, ajudando assim a equilibrar os níveis de açúcar no sangue. É um tratamento, teoricamente, potencialmente simples, uma injeção intramuscular única, e seria implantada essa terapia gênica por ultrassom no músculo, feita num consultório, num ambulatório, e antes disso, para que esse novo gene que foi transformado em laboratório e vai ser transformado dentro do corpo com esse vetor,

os pacientes vão receber um período de imunomodulação. Medicamento para poder permitir que essa adaptação aconteça. Os estudos pré-clínicos foram bons, chamaram a atenção. Modelos animais mostraram que funciona. Em cães diabéticos, o controle glicêmico ficou estável por mais de 1.500 dias, ou seja, 4 anos, após uma única aplicação. Esse estudo vai ser um estudo clínico de fase 1 e 2, é o primeiro teste.

tipo 1, com hemoglobina glicada acima de 7%. Eles vão avaliar a segurança, é o estudo de fase 1, como eu falei, e o impacto na glicemia e na hemoglobina glicada também, para tentar ver, já como fase 2, ver qual é a dose ideal para isso. Vamos continuar acompanhando isso, Milton, e a gente vai trazendo aqui as novidades, porque no Brasil a gente tem que lembrar sempre que são pelo menos 600 mil pessoas com diabetes tipo 1, vivendo com diabetes tipo 1, são dados da Sociedade Brasileira do

diabetes, e mesmo com esse, como eu falei, com sensor de glicose, bomba de insulina, muitos pacientes têm dificuldades e sofrem com essas oscilações. Doutor, no começo da nossa conversa, o senhor trouxe um dado que me chamou a atenção de que 70% das pessoas com diabetes tipo 1 não conseguem fazer o controle ideal da glicemia. Esse dado vale para o Brasil também? Vale, vale, Cássia. Pode não ser 70, 60, enfim, uma faixa muito importante, acima de 60%,

para os pacientes têm dificuldades. Porque você imagina que é um controle diário. Não é controle diário uma vez por dia. O diabetes tipo 2, que é o mais comum, a gente vai lá, faz a medida do açúcar naquela fitinha, ajusta a dose, ajusta a dieta e mais ou menos o nosso corpo consegue ainda se entender com a quantidade de açúcar que entra. Quem sofre com diabetes tipo 1 não tem essa opção fisiológica. Então tem que repor a insulina o tempo todo. Tem que estar controlando o nível da insulina

que ele está ingerindo de açúcar, é muito difícil, e com muitos pacientes isso é muito mais complicado, porque, eu estou falando, se é difícil com quem tem sensor contínuo, bomba de insulina, insulina de alta qualidade, insulina mais modernas, imagine o nosso paciente padrão do Brasil, que é o paciente do SUS. Muito obrigado, doutor Luiz Fernando Corrêa, pela conversa de hoje, um bom fim de semana, até segunda-feira, a gente está junto novamente. Até segunda, Milton, Cássia, todos os ouvintes, aproveitem o final

Olha, só um alerta final, desculpe. Está no ar hoje o segundo episódio do nosso podcast Além do Peso. E hoje, quem que é o convidado, doutor? O convidado hoje é o doutor Mancini, o especialista que responde uma pergunta para todo mundo. Será que eu sou obeso? Será? Vamos ouvir. Além do Peso. Vai botar isso na minha cabeça agora? É, é para provocar galera. É, na sexta-feira. Vai comer o pãozinho do café pensando nisso, bonitão. Tá bom, mas vamos lá.

O podcast está à sua disposição lá no site da CBN, no aplicativo. Você bota na lista de podcasts Além do Peso. Primeiro episódio semana passada com o Dr. Drauzio. Agora tem episódio novo e assim será durante toda a semana. Um bom tema para você ouvir aí. Botar no seu fone de ouvido, levantar aí o som e aproveitar a sua viagem ouvindo este podcast também, que vai trazer informações importantes para a sua saúde, como a gente faz, aliás, diariamente aqui no Jornal da CBN e nessas conversas com o Dr. Luiz Fernando Correia.

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