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Amizade masculina: como a misoginia interfere nos laços afetivos

12 de março de 202612min
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Rossandro Klinjey reflete sobre a amizade entre homens, a intolerância a posturas discriminatórias e a dificuldade que alguns homens têm para lidar com o machismo. A discussão é motivada a partir da fala de Rodrigo Hilbert, que teria poucos amigos homens por não concordar com ideias machistas. Ouça.
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Assuntos11
  • Misoginia e Machismo NaturalizadoTransmissão geracional do machismo · Normalização de abuso doméstico · Piadas misóginas como ritual social · Educação patriarcal nas famílias · Quebra de padrões herdados
  • Crise da MasculinidadeCritérios para amizade entre homens · Respeito e dignidade como base · Rejeição de comportamentos tóxicos · Seletividade por valores · Rompimento com amigos infiéis · Rompimento com amigos machistas
  • Pessoas Tóxicas e DiscriminatóriasIdentificação de padrões tóxicos · Fofoca e infidelidade como marcadores · Prazer em discriminar · Comportamento predatório
  • Preconceito: Consciência vs. ManifestaçãoNaturalização do preconceito · Falta de constrangimento em expressar · Normalização do inaceitável · Diferença entre ter e manifestar preconceito
  • Resgate vs. Abandono de PessoasPessoas em meio caminho com potencial de mudança · Consciência como pré-requisito para mudança · Quando não vale a pena investir · Pessoas que gozam de ser tóxicas · Diagnóstico como base para tratamento
  • Maturidade EmocionalAmadurecimento emocional · Rejeição de comportamentos infantilizados · Evolução de amizades baseadas em interesse · Respeito como critério de maturidade
  • Masculinidade Tóxica vs. SaudávelCaracterísticas de homens decentes · Questionamento da sexualidade como método de opressão · Afirmação de masculinidade saudável · Rejeição de masculinidade hegemônica
  • Saúde MentalFrame geral de saúde integral · Impacto de amizades na saúde mental · Necessidade de pessoas saudáveis · Relacionamentos como fatores de saúde
  • Gestão Inteligente de EnergiaEscolha de onde investir relacionalmente · Risco de esgotar energia com casos sem esperança · Priorização de pessoas intermédias · Analogia com drenagem de recursos em escolas · Aceitação de que alguns não mudam
  • Abuso e Controle EmocionalDinâmica vampiro emocional · Responsabilização culpabilizadora da vítima · Destruição de autonomia · Fragilidade como motor do controle · Proteção de Vítimas Vulneráveis
  • Influência de Modelos FamiliaresPadrões de comportamento herdados · Gerações de normalização · Chance de interrupção do ciclo · Papel de pais e avós
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Saúde integral com Rossandro Klinger. Oi, Rossandro. Boa tarde, tudo bem? Oi, Tati. Boa tarde, boa tarde, Nando. Boa tarde, tudo bem? Tudo bem. Eu ia falar a sério uma piadinha que eu sempre faço quando o João Marcelo está no ar aqui com a gente, conversando com o Fernando, que é, vocês querem que eu saia? Não, a gente aceita a sua participação, até porque acho que é importante. Tá bom. O Rossandro quer falar hoje sobre a amizade entre homens e a não tolerância.

a posturas discriminatórias. Eu vi um... Será que a gente viu a mesma coisa? Eu vi um corte de uma entrevista que o Lázaro Ramos deu para a Maria Fortuna do Globo, falando que ele viu o Rodrigo Hilbert dizendo que quase não tem mais amigos homens porque não consegue lidar com o machismo dos caras. E ele fala um pouco sobre a amizade entre homens e no que é baseada a relação masculina, né?

provar isso, a gente é meio que treinado para ser misógino porque assim, como se fosse assim na época das avós era quase um móvel da casa muitos viram a mãe ser espancada e ficar e era normal, era uma coisa que em briga de marido e mulher ninguém se venta a colher, aí você vai brincar e tem as piadas e todo mundo ri porque você na adolescência não quer se sentir não pertencente só que quando você vai amadurecendo

aqui não é ficar com mais idade, porque a gente vai morrer podre de preconceito, de mentalidade estreita, e não tem muito o que fazer, infelizmente, nesses casos. Mas quando você vai amadurecendo, vai começar ficando seletivo, a partir de valores, pra quem tem, né? Porque quem não tem, não tem essa seletividade. Muita gente tem amigos por zona de interesse, às vezes econômica, tal, tal, tal. Quando você realmente vai amadurecendo emocionalmente, você é uma pessoa que se trabalha como alguém que quer ser uma pessoa

melhor. De uma forma mais simples aqui, pra quem tá nos ouvindo. Naturalmente, você começa a estranhar as pessoas que querem permanecer num lugar de piada, de destrato, de ridicularização. Então, naturalmente, infelizmente, e dizer isso é, eu falo aqui muito mais como terapeuta, porque eu atendi muito tempo, né? Tipo assim, às vezes, quando você diz pra uma mulher que ela tem um dedo podre, porque acha muito o homem ruim, às vezes é injusto, porque a amostra é muito podre. E parece que a culpa é só dela.

Não que não haja casos em que você tenha aí um transtorno de busca do padrão parental do pai, mas muitas vezes é o seguinte, se eu tenho aqui uma cesta com 100 frutas e 90 está podre, se eu aponto de novo para uma podre, não é que eu sou estúpida, é que está difícil, né? E eu concordo com eles, assim, eu realmente hoje tenho amigos, pessoas incríveis, mas essas pessoas, elas são amigas justamente porque o critério de estarmos juntos é respeito, é dignidade, é fidelidade,

sabe? E assim, eu lembro quando a gente casou eu e Janine logo no começo, tinha um casal de amigos que a gente saia muito com eles, e ele começou a trair a esposa. E aí eu falei com o Janine, Janine, não tem, né? Ela disse, não, não tem sentido nenhum a gente continuar saindo com eles, porque ela continua no casamento com ele, né? Só que na medida que a gente continua amigos de um casal que vive traindo a esposa, é como se eu estivesse concordando e validando esse comportamento.

E ao mesmo tempo validando esse arranjo que eu não vou julgar, porque cada um que sabe

seus arranjos matrimoniais, né? Mas eu não vou ficar validando isso. Ou seja, estar junto de pessoas assim. Pessoas que fazem piadas, pessoas que gostam e sentem prazer em fazer isso. E aí, é claro, naturalmente a pessoa acha que você vai ser condenado a viver um mundo fora do universo masculino. Não. Existe o masculino saudável. Ele ainda não é majoritário, ou pelo menos com um número maior do que a gente gostaria. Não é. E é por isso que a gente está aqui hoje para falar disso. Para a gente lembrar para as pessoas que não é uma condenação.

que mesmo você tendo tido na sua própria família modelos de homens que, no que pese às virtudes que os nossos pais e avós tinham, eles vinham de gerações em que isso era dito como normal, nós podemos e devemos fazer um movimento de mudar esse comportamento para que a gente se cerque de pessoas que são respeitosas. Até porque, assim, se tem uma coisa que eu aprendi com essas pessoas, é que elas não fazem piada só de mulher, sabe? Elas são, em vários sentidos,

pessoas tóxicas. Elas são pessoas que vão falar de você assim que você der as costas. Elas são pessoas discriminatórias. Ou seja, no fundo, não vale a pena conviver com gente assim. Tem um monte de preconceito. E o pior, preconceito eu acho que todos nós, em alguma medida, temos. Mas pior do que ter preconceito é não ter nenhum constrangimento em falar sobre eles como se fosse algo um, natural, dois, aceitável, três, engraçado. E não é. Pois é. Exato. E vem num combo mesmo. Vem num combo de

falta de... E o primeiro combo é assim, a falta de consciência. O misógino, ele não sabe o que é. Ele naturalizou, porque viu a avó, o avô, o pai, a mãe, então naturalizou. E nós temos que dizer que isso não é natural. O fato de que acontecia, não deve continuar acontecendo. Porque se fosse assim, a gente estava até hoje com escravos, gente, escravizados. A gente até estava escravizando pessoas. Não é porque fizeram algumas gerações que isso é normal.

Tem muita dor no meio. Sabe? Várias camadas de dor que as pessoas enfrentam. E a gente precisa,

fazer um movimento realmente de estar conectado às pessoas boas, até porque a gente não é tão bom assim, e é como a gente diz muito aqui no Nordeste, é junto dos bons que a gente fica melhor. Ah, adoro. Ah, isso é bom. Boa frase. Cortella fala muito isso. É, que é uma coisa muito mineira, mas a gente também usa muito isso aqui no Nordeste. Ou seja, a gente precisa, é assim, eu penso assim, eu não sou um ser iluminado,

estar junto de pessoas que reforçam em mim as minhas melhores virtudes que eu estou batalhando para conquistar e não meus piores defeitos que eu estou também batalhando para acabar. Porque se eu estiver junto das pessoas que vão reforçar os meus piores defeitos, entende? Nós vamos afundar juntos. Então, sim, muitas vezes, para sair desse lugar, eu tenho que fazer desconexão com algumas pessoas, vou viver um certo deserto, mas vou encontrar do outro lado um monte de gente me esperando

pro respeito, pra dignidade, pra decência. Porque tem. Tem demais. Olha só, eu tenho uma questão que é o seguinte. A figura que carrega esse combo discriminatório dialoga muito bem com outra que carrega esse combo discriminatório. Eu já ampliei a minha seletividade, eu não tenho mais paciência, eu não dialogo, eu não escuto, eu simplesmente ignoro. Só que como é que eu posso, de alguma forma, eu não vou mais dialogar com o cara que carrega esse combo. Eu me distanciei.

Como é que eu vou mudar essa figura? Se acabou a paciência e ele está dialogando com figuras que dialogam igual a ele. Eu vou largar a mão desse cara e vou viver na minha bolha, que não pensa assim, mas eu vou deixar aquele cara semeando essa discriminação. O que eu faço? É uma excelente questão, Fernando. Eu acho que tem pessoas que estão no meio caminho. Elas não estão totalmente com um combo de deficiências morais que têm prazer. Elas têm algum nível de consciência.

quando você conversa com elas sozinha, longe do grupo, que está todo mundo fazendo piada, ela diz, não, realmente foi ridículo, aquilo a gente não devia fazer. Essas pessoas você pode resgatar. Agora, essa pessoa que está no combo completo, você vai perder energia porque elas têm prazer em ser assim e acham que isso é lindo. Entendeu? Porque se tem uma coisa que precede a mudança, é a consciência de que aquilo não significa uma coisa boa. Seja, por exemplo, eu não consigo sair de um padrão de dor.

doenças sem um diagnóstico e reconhecimento que eu tô doente. Eu não vou conseguir. Por exemplo, o cara que é o alcoólatra e ele diz que não é um alcoólatra, que é um bebê do social, ele não procura grupo de apoio, ele não vai escutar amigo. Ele não vai tratar um problema se ele não acha que aquilo é um problema. Não reconhece. Então, o que é que faz? Esse cara, ele vai gastar tanta minha energia pra tentar mudar ele que não tem desejo, nem acha que precisa.

Ele me vê como um completo otário, porque é assim que eles veem um homem minimamente decente. Fazem piada de você, questionam até sua sexualidade, que isso é o clássico.

desse combo, né? Esse cara não tem como perder tempo. Agora, no meio dessas turmas, sempre tem aquele elemento que tá sendo levado, sabe? Esse sim, esse sim, eu sempre tô perto, eu sempre tô junto, eu sou sempre tentando resgatar, levar ao nível de consciência. Mas eu não posso perder energia. Eu digo isso muito pras escolas, vou fazer essa analogia com escolas. Às vezes tem uma família que ela é tão adoecida, tão intoxicada, tão completamente perdida, que ela toma da direção da escola a energia pra atender 20 famílias, entende?

Então, assim, se tem uma pessoa assim, perder energia com ela é deixar de gastar com as pessoas que estão no intermédio, que estão muito mais no... Maria vai com as outras. Essas você tem como chegar junto, manter um relacionamento e ir ali ajudando no crescimento. Mas essas outras, infelizmente... E aqui não é nenhuma coisa tipo assim, ah, aqui se ferre, não é isso. Não é assim que eu vejo o mundo, nem que eu pense. Mas é porque tem gente que, talvez com muita dor acorde, talvez quando... Porque aí eu atendi em consultório, né?

Esses homens altamente tóxicos, quando viram a filha casar ou namorar com um cara exatamente como ele, foi porque acordaram. Quando viram a pessoa que amava profundamente começar a ser diminuída e perder o brilho no olhar e o sorriso, e aí foram entender que eles eram assim. Mas tem gente que ainda assim não vai acordar. E tem homem, a gente tem visto nos casos de violência e tal, que é exatamente, esse é o objetivo.

É apagar o outro. De desejo, de quereres, de autonomia, de tudo. Porque são fracos. Pessoas fracas, elas precisam baixar a régua do outro para se sentir grandes. Elas estão sempre baixando o sarrafo, desculpa a força. Para a vida do outro, cabe na mediocridade de lama que essas pessoas têm no psiquismo dela, doente. Então, quem estiver perto, elas vão destruir. Feito vampiro, tá? Inclusive, eu atendi a pacientes, para terminar,

sempre manejava a terapia, dizia assim, eu preciso que você não demonstre agora que você está acordando, porque você não tem força para reagir ao segundo ataque do vampiro. Então, mantenha essa cara de boba, vamos aqui fortalecendo o seu ego, vamos criando alternativas de saída, porque quando você comunicar, quando ficar claro, você já está fortalecido o suficiente. Se não, essas pessoas sabotam até suas melhores vontades de salvar a sua própria existência. Muito bom, Rosandro, muito bom te ouvir. Vamos tratar mais disso aqui. Vamos.

Estamos aqui pra isso, né? Acho que não, Dani. A gente, no fim das contas, conseguiu tirar o Lázaro, mas, enfim, eu recomendo que vocês vejam, ouçam a entrevista que ele deu pra Maria Fortuna no Globo, porque é bem boa. Obrigada por hoje. Um beijão pra você e até a semana que vem. Tchau, Rosandro. Até a semana que vem. É por isso que esse quadro chama Saúde Integral, porque isso também é uma questão de saúde, de saúde psíquica, de saúde mental.

Rosandro Klinger está conosco toda quarta-feira, essa semana, excepcionalmente, na quinta.

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