Estudo indica que mamografia pode ajudar a identificar risco de doenças cardiovasculares em mulheres
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- Mamografia e risco cardiovascularCalcificação arterial mamária como marcador · Aumento de risco por nível de calcificação · Comparação com score de cálcio coronário · Análise com inteligência artificial · Encaminhamento para prevenção · Aplicação em mulheres jovens
- Mulheres e doenças cardiovascularesPercepção de que é doença de homem · Falta de conscientização · Doenças cardiovasculares como principal causa de morte · Infarto e AVC matam mais que câncer de mama · Necessidade de prevenção em mulheres jovens
- Importância da mamografia para câncerIncidência de câncer de mama no Brasil · Mortalidade anual · Rastreamento precoce · Exames realizados pelo SUS
- Deficiências do sistema de saúdeFalta de privilégio à prevenção · Encaminhamento inadequado entre especialidades · Ginecologista não orienta para avaliação cardiovascular · Problema em sistema público e privado
Saúde em Foco. Com Luiz Fernando Correia. Oferecimento. Você luta pela sua saúde. A gente também. Alice. Plano de saúde como deve ser. Muito bom dia, doutor Luiz Fernando Correia. Bom dia, Milton. Bom dia, Cássia. Bom dia, ouvintes. Bom dia, doutor. Vamos tratar hoje de um estudo em torno da mamografia que traz aí algumas vantagens, benefícios deste exame. É, Milton. Esse efeito que eu vou relatar já tinha sido detectado
plantado em outras pesquisas, mas foi publicado anteontem no European Heart Journal, uma das principais revistas de cardiologia do mundo, um estudo que analisou 123 mil mulheres que realizaram mamografia de rotina. A observação não era pesquisar câncer de mama. O objetivo é tentar evidenciar nesses exames um detalhe, que é a calcificação arterial mamária. Em termos simples para explicar, são pequenos depósitos de cálcio que aparecem nas artérias da mama,
que são visíveis na imagem da homografia. Essas calcificações não têm nada a ver com câncer. Mas os pesquisadores queriam entender se isso poderia ser uma indicação de problemas cardiovasculares. Por quê? A gente faz essa pesquisa quando faz, por exemplo, a angiotomografia da coronária, quando você procura a placa dentro das artérias coronarianas do coração. Quando você faz o score de cálcio, que é um exame que é uma tomografia que mede a quantidade de cálcio depositada na parede das artérias do coração.
Então, foi exatamente isso que esse estudo buscou evidenciar, só que em vez de ser na artéria do coração, na artéria mamária. Então, durante um tempo de sete anos, essas mulheres que tinham esse tipo de calcificação, foi comprovado que elas tiveram um maior risco de eventos cardiovasculares. Estão falando de infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e até mesmo morte por doença cardiovascular. As mulheres com a calcificação leve tiveram 30% a mais de risco de evento cardiovascular.
calcificação era moderada, o risco subia para perto de 75%. E naquelas mulheres com calcificações mais intensas, o risco podia chegar a ser duas a três vezes maior. Isso não quer dizer que a gente vai usar mamografia para diagnosticar doença do coração. O estudo mostra uma associação, a gente sempre fala associação, quando você descobre no estudo, é algo que vai se encaminhar para fazer um outro estudo, um estudo maior que valide essa correlação.
na imagem pode funcionar assim como um sinal de alerta, indicando que essa mulher talvez tenha maior probabilidade de desenvolver doença cardiovascular no futuro. Isso pode ser, assim, um caminho para você encaminhar essa paciente para fazer avaliação preventiva de doença cardiovascular. A gente tem que lembrar duas coisas. Por que é importante mamografia? A gente sempre tem que falar, né? O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as mulheres, excluindo o câncer de pele e não melanoma.
São 70 mil novos casos, segundo o Inca, por ano no país. Mais de 20 mil mortes por câncer de mama a cada ano. Daí a importância de fazer o rastreamento. A mamografia é a principal ferramenta para o diagnóstico precoce do câncer de mama. E no Brasil, no Sistema Único, o registro aponta para cerca de 4,4 milhões desses exames por ano. Ou seja, é um exame que já está incorporado à prática médica. E, por outro lado, as doenças cardiovasculares estão se tornando a principal causa de morte entre as mulheres.
também. Infarto e AVC, juntos, já matam muito mais mulheres do que câncer de mama. Então, nós estamos falando de, eventualmente, uma evidência. Lógico que isso depende, como eu falei, depende de software para avaliar esse exame, depende da qualidade do exame, um monte de coisa. Mas, aponta, Milton, para uma possibilidade de que a gente consiga, por exemplo, encaminhar uma paciente, uma mulher mais jovem, abaixo de 50 anos, para fazer uma avaliação cardiovascular. Coisa que, muitas vezes, ela não faz, porque,
nós ainda temos essa dificuldade, ou seja, as mulheres ainda têm num consciente coletivo que doença cardiovascular é coisa de homem. Então, não é, a gente está mostrando, tem falado sobre isso. Então, esse é um trabalho interessante porque levanta uma possibilidade de um outro caminho para encaminhar essas pacientes para a prevenção. E muitas vezes, né, doutor, nem apenas as mulheres têm essa ideia na cabeça,
acompanhamento, o que não chama a atenção das mulheres para a necessidade de fazer esse acompanhamento cardiovascular, o que infelizmente é uma realidade também. Infelizmente, o jeito dos nossos sistemas de saúde estão montados, seja o dito sistema privado, seja o sistema público, Cássia, não privilegia a prevenção. E também tem essa coisa, o médico que a mulher vai é o ginecologista.
esse colega tem que estar ligado na necessidade de orientar os pacientes para fazerem a sua avaliação cardiovascular por conta desses números que eu falei, da piora desses números que eu falei. Então, é um dado interessante, é um estudo que chamou atenção para uma realidade. Isso já tinha sido observado. Inclusive, tem um trabalho, acho que tem uns 4 ou 5 anos atrás, um trabalho que tentava ver a própria artéria coronária. Porque quando você faz o exame de mama, você fotografa ali, ou radiografa pedaços do coração.
também, né? Porque está ali atrás. Então, algumas vezes, usando algumas técnicas, principalmente de inteligência artificial, conseguiu-se observar artérias coronárias na própria mamografia. Mas é muito mais complexo. Essa ideia de olhar a artéria mamária, e daí você vê se a artéria mamária está com problema, possivelmente a artéria coronariana também pode estar, né? Então, eu acho que é bem interessante isso, Cássia. Muito obrigado, doutor Luiz Fernando, e um bom dia. Bom dia pra você, Milton, Cássia e todos os ouvintes. Até amanhã, doutor.
Até mais!
Alice
Plano de saúde