Conteúdos misóginos e violentos na internet: como funciona a disseminação?
Learn more about your ad choices. Visit megaphone.fm/adchoices
- Conteúdos misóginos e violentos na internetVídeos simulando agressão física contra mulheres · Viralização em TikTok e redes sociais · Remoção de perfis e ação da Polícia Federal · Naturalização de violência online · Diferença entre violência digital e real
- Violencia contra mulheres BrasilRecorde de feminicídios (6 mulheres por dia) · 8 em cada 10 cometidos por parceiros ou ex-parceiros · Gatilho frequente: recusa/negativa da mulher · 48% cometidos com arma branca · 22% das vítimas já tinham denunciado
- Padrão de radicalização em estágiosEntrada pela auto-ajuda motivacional (Jordan Peterson) · Mudança na linguagem · Mudança na percepção (guerra homens vs mulheres) · Mudança no comportamento · Normalização progressiva de pensamentos extremos
- Perfil psicológico do agressorNão se reconhecem como agressores · Aparência de normalidade social · Sem histórico criminal prévio · Sensibilidade a fatores estressores · Incapacidade de lidar com perda de controle
- Relacionamentos FamiliaresRejeição como ferida narcísica · Sensibilidade à rejeição em nível cerebral · Resposta agressiva a negativas · Pesquisas de Geraldine Downey sobre rejeição · Ativação neural ligada a agressão física
- Infraestrutura ideológica da misoginia online (Machosfera)Origem nos Estados Unidos · Comunidades online: Pickup Artists, Men Going Their Own Way, Incels · Evolução histórica desde 2000-2010 · Ideologia de homens sendo lesados · Fóruns online como espaços de radicalização
- Normalização da violênciaViolência não percebida como tal pelos agressores · Naturalização do tratamento violento · Soberania da mulher desafiada · Dificuldade de criar barreiras legais · Desfecho em crimes passionais
- Influenciadores DigitaisReforço de preferências e vieses · Fragmentação da realidade compartilhada · Diferentes realidades para usuários diferentes · Naturalização de visões distorcidas · Engagement como métrica de valor
- Legislação e mecanismos de controle de conteúdoLegislação existente vs incentivos para aplicação · Remoção de conteúdo pelas plataformas · Custos operacionais de moderação · Riscos de remoção injusta e processos · Eficácia de denúncias no sistema legal
- Influência da música popular e consumo de mídiaLetras de sertanejo com conteúdo misógino · Música de consumo rápido e formação de mentalidade · Comparação com influência de videogames · Contribuição ao clima cultural tenso
Visões do Futuro, com Álvaro Machado Dias. Oi, Álvaro, boa tarde. Muito boa tarde. Quer chamar o nosso ouvinte para o assunto de hoje? Vou te deixar à vontade antes da gente começar a conversar. Legal. É o seguinte, eu queria saber se você já viu circulando nas redes sociais, ou então em grupos de WhatsApp e assim por diante, esses conteúdos misóginos e violentos dessas ameaças contra mulheres.
foi exposto ou exposta. Qual foi aquele primeiro insight que lhe ocorreu? Manda aqui que a gente discute. A gente viu essa trend viralizar no TikTok, homens simulando gestos de agressão física a mulheres que eventualmente negassem os pedidos de namoro, de casamento, qualquer coisa assim. A Polícia Federal abriu inquérito, os perfis foram derrubados, mas não se trata de um fenômeno isolado. Brasil bateu recorde de feminicídios no ano passado,
mulheres mortas por dia, homens matam seis mulheres por dia e esse é o tema do Álvaro hoje. Esses vídeos não são endereçados a essa ou aquela mulher, são vídeos genéricos. Quem é o destinatário real, Álvaro? Que função esses vídeos cumprem para quem grava e para quem eventualmente se depara com esse nível de violência na tela?
curiosa. E esse é o ponto de partida, é o que mais revela. São vídeos de caras jogando pra sua própria plateia. A violência simulada nesses vídeos, ela é uma espécie de moeda de pertencimento. Quer dizer, o sujeito grava alguma coisa pra dizer, olha como eu reajo quando perdem o respeito por mim. E o que ele tá chamando de respeito é, na verdade, a submissão por mim, ou no máximo, a aceitação. Ou seja, são vídeos performáticos. E, claro, né,
Por que essa performance está acontecendo? Uma questão fundamental é que o não de uma mulher é experimentado por algumas pessoas, na verdade por uma grande taxa das pessoas, como uma espécie de ferida narcísica. Não como um exercício legítimo de autonomia da outra pessoa, mas como um ataque pessoal, porque mexe com o ego, mexe com aquela visão de si mesmo, aquela experiência de ser uma pessoa bacanuda, por assim dizer.
psicóloga muito interessante, chamada Geraldine Downey, da Universidade de Colômbia. E ela pesquisou essa sensibilidade à rejeição. E o que ela mostrou? Ela mostrou que pessoas que têm uma sensibilidade muito alta tendem a reagir como se aquilo fosse uma agressão física. E aí tem todo um mapeamento cerebral que mostra ativação de áreas ligadas à dor física, planejamento comportamental do tipo físico,
e assim por diante. Quer dizer, a rejeição se torna um elemento preparatório de um comportamento que joga para a plateia, mas que no final das contas é inspirando os outros espectadores e assim normalizando e aí gerando um ciclo de violência. Está aí o ponto sutil. Não dá para dizer que os vídeos são diretamente direcionados a mulheres específicas em todas as ocasiões, a casos e casos,
é que eles contribuem para a normalização e aí sim para a violência efetiva através dessa mediação mental. E Álvaro, a gente sabe que existe uma infraestrutura ideológica por trás disso, por trás dessa trend, são os red pills, os incels, a chamada machosfera. De onde é que surgiu isso? Como é que chegou aqui no Brasil? Pois é, é importante sempre ter em mente que não é uma coisa aleatória, tem todo um histórico ideológico, quer dizer,
formas de pensar o mundo, crenças específicas. E isso surgiu nos Estados Unidos, onde, aliás, eu estou, entre o comecinho desse século, até mais ou menos 2010. Foi ali no começo que a coisa ganhou força, em fóruns online, numa época que redes sociais nem eram muito fortes. Então, tinham vários deles. Tinha um chamado Pick Up Artist, outro que era o Men Going Their Own Way, quer dizer, homens indo pelo seu próprio caminho. E aí foram surgindo,
em Pio, em Céus e assim por diante. Eles tinham, assim, na origem, perfis distintos, mas todos organizados em cima de uma mesma premissa. E está aí a ideologia, está aí o lance de forma de pensar o mundo, que é que o homem está sendo lesado. E olha que interessante, quando a gente mapeia o histórico desses fóruns, aliás, eu mapeiei bastante isso porque eu escrevi um artigo para a minha coluna no jornal sobre o tema, a gente vê que a porta de entrada, ela quase nunca, ou talvez até nunca,
é violenta. A porta de entrada é, pelo contrário, é moralizante. É um papo tipo do Jordan Peterson para o sujeito arrumar o próprio quarto. Quer dizer, ele sair da bagunça dele, da inação, ele parar de reclamar, ele se tornar competitivo. Então, esse tipo de visão que tem um que motivacional captura a mente do jovem no momento de fragilidade e aí esse negócio vai alimentando uma próxima parada, uma próxima etapa, que é
ideia de ilegal, então eu preciso reagir porque eu estou sob ameaça, eu estou sofrendo ataques de um sistema que depois deixa de ser um sistema abstrato e passa a ser as mulheres, as mulheres que se apresentam na visão desse sujeito como recurso escasso e depois como detentoras de um poder, um poder que é exercido nessa visão distorcida de mundo de forma injusta, quer dizer, há todo um caminho lógico, o sujeito vai como se ele estivesse enlouquecendo
etapa a etapa. Isso que é poderoso, porque isso explica que pessoas que não tem nenhuma disfunção cerebral, não tem uma doença psiquiátrica diagnosticada, nada disso, podem daqui a pouco estar pensando de uma maneira que alguém que nunca viu aquilo acha que é coisa de louco. Esse é o negócio. Para fechar essa resposta aqui, eu gosto muito da Diane Jing, que é uma pesquisadora que mapeou isso daí, essa macho-esfera, esses fóruns. Ela é uma das pessoas que mais publicou,
nisso, né? E ela mostrou que existe uma relação umbilical com a autoajuda masculina, que é um tipo específico de autoajuda que passou a ser consumido justamente nessa época e que o grande negócio é que como as redes sociais elas reforçam aquilo que você quer ver, né? Aquilo que você está buscando, daqui a pouco a pessoa só está vendo isso e aí ela naturaliza essa percepção, ela acha que o mundo é assim mesmo e ela pode falar o que ela quiser e fazer o que ela quiser.
também. Aliás, os algoritmos, eu estava tendo uma conversa recentemente com a minha editora, Amina Bem-Estar, falando se eu juntar eu e o Fernando, ele rolar a tela dele e eu rolar a minha, teremos duas realidades absolutamente diferentes. Se a gente tomar a tela como sinônimo da vida real, a gente vai viver cada um num mundo, porque os algoritmos entregam cada vez mais coisas muito direcionadas e o que o Fernando vê eu não vejo, o que eu vejo o Fernando não vê.
Enfim, um argumento que aparece muito entre homens ali na machosfera é que são só vídeos inofensivos, ninguém está cometendo agressões de verdade. Bom, primeiro desconsiderando que são vídeos absolutamente violentos, então sim, eles estão produzindo violência. E também ignorando o que dizem dados internacionais sobre a relação entre violência digital e violência real, né Álvaro? Sim, exatamente. Esse é o ponto.
Como há uma naturalização, as pessoas daqui a pouco estão... Esses sujeitos envolvidos no que é, do ponto de vista legal, crime, crime digital, estão tratando como se não fossem e genuinamente não acham. O que é curioso é que as pesquisas da Diane Jing mostram que os sujeitos acham que não, que aquilo é perfeitamente legal. Liberdade de expressão. A gente vive nesses pequenos silos,
essas bolhas algorítmicas. Como a pessoa vê aquilo para todos os lados, ela acha que, enfim, ela está dentro da normalidade, o que, obviamente, não é verdade. Agora, ponto interessante, né? É claro que existe uma correlação indireta entre construção e consumo de vídeos violentos e a ação. Só que ela não é simples, né? O ponto é que a normalização, ela reduz o limiar de passagem para o ato.
que o sujeito vê um vídeo daqueles e fala assim, então com certeza eu vou bater naquela minha ex-namorada que me abandonou. Não é assim que funciona. As coisas não são tão simples. Inclusive porque você será preso, eu espero. Exato. O que acontece é que vai se gerando uma bolha de radicalização e aí as coisas vão acontecendo eu falei já em etapas, mas especificamente da seguinte maneira. Primeiro a linguagem muda. Falar coisas que antes seriam tabu, deixa de ser. Depois a percepção muda.
A ideia de que a gente convive num espaço comum, ela passa a dar lugar à ideia de que a gente está deflagrado, numa espécie de guerra, homens contra mulheres e assim por diante. E depois sim que entra a mudança no comportamento. É como todas essas outras formas de radicalização, a linguagem, a percepção e só depois o comportamento. E aí que o negócio evidentemente estoura e quando você vai ver, você tem uma pessoa que do ponto de vista
da sua inserção social, você poderia dizer que ela é normal, agindo de uma forma absolutamente horrível e patológica. Álvaro, alguns ouvintes. Vou trazer primeiro a Sônia, que diz que sim, ela viu o vídeo, ficou, fica e ficarei sempre indignada. Discutiram esse assunto na faculdade, por conta do Dia Internacional da Mulher. E ela se pergunta por que não existe uma legislação que possa coibir esse tipo de conteúdo. Acabamos de discutir aqui, por exemplo, a criminalização da misoginia. Tem mais.
acha que música influencia esse comportamento. Ele fala que a maioria do sertanejo tem essa pegada. As letras dizem que se ele não vai ficar com ela, não vai voltar pra ele, tem uma desgraça que pode acontecer, tem uma letra que termina com a fala do cara dizendo só o fim de tudo, que nada... Alguma coisa que ele está dizendo com os exemplos aqui. São as músicas dessa juventude... Bem observado, hein? De péssimo gosto, segundo ele, que acaba influenciando isso. E o Theo fala assim,
Gente, nunca recebi. Se receber, não daria audiência. Isso é bom. Legal. Posso comentar? Claro. Então, eu acho que, assim, começando pelo primeiro, né? Eu acho que o caso da Sônia é muito interessante, porque esse tipo de coisa tem que ser mesmo discutida em ambientes acadêmicos, não só como na relação professor-alunos, professor-alunos, mas também como uma forma de compartilhar os problemas do mundo atual, assim, horizontalmente. Então, eu acho que é muito legal que ela está fazendo isso,
Sobre a questão da legislação, qual que é o grande ponto? É a questão da remoção de conteúdos das redes sociais. Então, veja bem, a gente tem já legislação suficiente, mas a grande questão é quais são os incentivos para que as plataformas atuem ativamente removendo esses conteúdos. Hoje em dia, o incentivo ainda não é alto. Por quê? Porque os custos de não fazê-lo não são tão altos.
E esses são sujeitos, são usuários altamente engajados. Então esse ponto está aí. Eu não acho que a grande questão é que as plataformas querem ganhar dinheiro em cima dessas pessoas. Eu acho que esse tipo de visão maquiavélica em geral não leva a nada. Ela tem conflito com os fatos. Simplesmente que custa caro manter um sistema desses de remoção. É uma dor de cabeça. Aí tem a remoção injusta. Isso gera processo também de pessoas altamente motivadas. Então acho que esse é um ponto. No caso do Celso,
Eu entendo e eu acho que, de fato, a música de consumo rápido, essa música mais popular que coloca e objetifica a mulher, ela realmente contribui a uma formação de mentalidade. Isso aí está completamente certo. Mas é importante a gente lembrar que tem muitos estudos com videogame e uma lógica de videogames, de mortes, de tiros, contribui para uma ideologia de sociedade violenta.
não mostram que pessoas que jogam videogames mais violentos saem matando os outros por aí em taxas maiores do que pessoas aleatoriamente escolhidas. Ou seja, ao acaso. Portanto, a gente tem que também botar um grande salmo em cima dessa ideia, porque ainda que o clima fique um pouco mais tenso, é claro, você está falando ali de conflitos emocionais, rola uma tensão de fundo. Não é verdade que essa tensão vai se reverter em casos reais.
Segundo, o Theo, que não interage, nunca recebeu, mas não interage, ele está numa postura que, do ponto de vista pragmático, é a mais certa de todas. Porque mesmo a interação negativa faz com que um conteúdo se torne mais relevante. Afinal de contas, as redes não estão analisando qualitativamente a interação, mas simplesmente contando o número de engajamentos. É só clique e comentário. O Álvaro, eu vou para os finalmentes aqui da nossa conversa, aproveitar que você já passou por isso da violência, o quanto um ambiente violento pode...
são com práticas violentas. Oito em cada dez feminicídios são cometidos por parceiros ou por ex-parceiros e não raramente porque ouviram um não. Eu estou me lembrando de quantas e quantas campanhas de mulheres tinham como mote não é não. Ouviu um não é pra parar. Ainda que tenha ouvido um sim antes. Ouviu um não, parou. E esse não é um dos gatilhos mais frequentes
cometimento de violência e até de mortes, de assassinatos de mulheres por parte de homens. Também me lembro que ouvimos aqui, ou eu ouvi em algum lugar, ou a gente ouviu o Sérgio Barbosa aqui dizer que homens agressores têm dificuldade para entender que cometeram uma agressão. E você falou disso aqui na nossa conversa também. A violência que é assistida não é percebida por muitos deles como violência.
passa na cabeça, é o famoso o que é que passa na cabeça de um agressor que um dia disse eu te amo para uma mulher, que possivelmente um dia talvez tenha ouvido isso de volta e um belo dia ouviu um não. Boa. Eu vou começar concordando com a premissa da pergunta e é isso mesmo, o perfil dominante é o do sujeito que não se reconhece como agressor, então o que não passa na sua mente é que ele é um agressor e psicopata, qualquer coisa do gênero, isso não
passa. E isso é consistente na literatura internacional, na ciência, nos mais variados países. Aliás, oito em cada dez feminicídios, agora sobre a outra parte que eu concordo também, são cometidos por parceiros ou ex-parceiros. Ou seja, a esmagadora maioria não tem histórico criminal prévio e de fato um dia disse eu te amo. São pessoas que trabalham, são homens que têm uma vida social, frequentam os churrascos. Homens normais, comuns, quero dizer. Comuns, exatamente.
sujeito comum, que sempre foi a lógica da Barbari, né? O grande mistério da compreensão do nazismo no final dos anos 40 e na década de 50 foi a conversão do sujeito normal em soldado nazista, em agente da SS e assim por diante. Então, é esse o absurdo, né? Que a Hannah Arendt tentou entender e outros vários pesquisadores importantes. Então, tem um negócio interessante que é o seguinte. Tem uma autora chamada Landy Becroft, que
estudou o padrão desse agressor. E o que ela concluiu é que o padrão não tem também a ver com incapacidade de contenção da raiva. Ou seja, todo mundo falece ao sujeito que é tipo um cachorro louco, né? Não é tanto isso. O que ela mostrou é que são pessoas que, em geral, têm uma forte sensibilidade a fatores estressores. Então, por exemplo, você encontra uma associação forte
perda do emprego, com uma crise sistemicamente que vem de várias partes, esse é sempre o relato que é feito. Ou seja, o sujeito ele tem uma incapacidade, a perda de controle em si, ela é tipo multilateral e ela termina tendo como alvo a parceira ou ex-parceira porque simplesmente é o caminho mais fácil, portanto há uma covardia nisso. E aí é o seguinte, quando essa pessoa
essa mulher rompe o contrato que existe, implícito ou explícito, o sujeito se sente traído, injustiçado, e aí ele age de uma forma como se ele estivesse restaurando uma ordem. Um ponto para fechar aqui, os dados brasileiros mostram que 48% dos feminicídios do ano passado foram cometidos com arma branca, ou seja, facas e tal. Ou seja, isso indica alta proximidade e a estrutura passional do crime.
mas já tinham denunciado antes. Quer dizer, olha só, tem um outro ponto, é que esses crimes evoluem dentro de uma estrutura que não é que a mulher não avisou, é que essa denúncia também hoje em dia, ela dificilmente se torna eficaz como medida restritiva e tudo mais. Acho que está aí a grande questão, então a mentalidade, no final das contas, traz três coisas. Explosão de estresse através de múltiplas fontes, normalização do tratamento violência, intimidade e incapacidade,
da mulher de criar essa barreira, porque até do ponto de vista legal é muito difícil. No final das contas, é a soberania dessa mulher que acaba desafiada e ultrapassada, atropelada e ela às vezes termina morrendo. Eu queria fechar aqui, se vocês me permitem, com uma música que capta isso com uma ironia devastadora. Mulheres de Atenas, do Chico. A letra parece elogiar, uma espécie de submissão, mas está aí o negócio.
quando uma cultura inteira naturaliza a ideia de que a mulher existe em função do homem. Esse é o ponto. A gente ainda vive num mundo em que pessoas parece que deveriam existir em função de outras. Mulheres, mas outros grupos também, os chamados grupos minorizados. Está aí o negócio. E eu acho que essa música já traz logo nos primeiros acordes essa sensação de que, enfim, quando a gente entra nessa lógica da submissão, a gente como sociedade afunda. Então, se a gente puder tocar, agradeço.
e até semana que vem. Até, Álvaro. Valeu, Álvaro.