Qual a transitividade do verbo "atender"?
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- Natureza da LinguagemVerbo precisar com preposição de · Uso regional no Brasil · Preciso de fazer vs preciso fazer · Relatividade do rigor gramatical
- Atender como verbo intransitivoUso no contexto telefônico · Ausência de complemento · Exemplo: a moça atendeu
A nossa língua de todo dia. Com o professor Pasquale. Não é professor? Boa tarde. É claro que é. Boa tarde Tati, boa tarde Fernando, boa tarde ouvintes. Posso contar uma fofoca para os ouvintes sobre essa história? Se eu disser que não, os ouvintes vão protestar. Como é que se nega uma fofoca, uma oferta de fofoca assim, vai? Então a fofoca é assim. Eu convidei a Tati para um evento. Vai me delatar. É, vou, vou te entregar.
disse, puxa, que ótimo, seria bom ir, não sei o quê, mas eu não posso. Eu estou concentrada no Oscar. Eu falei, está estudando tudo? Tudo e mais um pouco. Isso é que é profissional, está vendo? Então, vocês podem ter certeza de que a Tati está comprometida e vai fazer um belo trabalho. Muito obrigada. Muito obrigada pela deferência tão honrosa e gentil. Vamos lá. Hoje, professor, dúvida de Edilson Ferreira Gomes. Gostaria de saber sobre a regência do verbo
atender. Qual a transitividade do verbo atender? Está correto dizer, por exemplo, o jogador de futebol atendeu o jornalista na saída do vestiário? Ou será o jogador atendeu ao jornalista na saída do vestiário? A pergunta do Edilson é excelente e mexe com uma coisa que é, assim, eu sempre digo aqui que o dicionário é o cartório da língua, mas às vezes os dicionários estão distraídos
Durante muito tempo, se a gente pegar dicionários mais antigos, a gente vai ver um esforço danado para dizer que o verbo atender, quando tem complemento coisa, é direto, atendeu o pedido, quando tem complemento gente, é indireto, atendeu ao jornalista e pá pá pá pá pá pá.
Vou abrir.
Por aí vai. Você já conseguiu abrir, Fernando? Sim, atender. O que o senhor quer que eu faça? Então, eu quero que você faça o seguinte. Vá para o número 3. Está lá século XVIII, né? E aí ele põe duas reduções, duas siglas. Leia para mim essas duas reduções. Que é Regência ou Complemento Transitivo. Regência ou Complemento. Um é TD, que é Regência ou Complemento Transitivo Direto.
regência ou complemento indireto, transitivo indireto. Pois é, e por aí vai, depois aparece o número 4 com a mesma coisa, número 5, tá vendo? Número 4, 1, depois número 5, depois número 6, e vai assim até o fim com os vários sentidos de atender, vários que na verdade se misturam muito, né? E com as duas construções, né? Então nós vamos ver exemplos
Primeiro com uma canção que se chama O Pedido, que foi composta por Júnior Barreto e Jan da Silva. Esqueci de silenciar o celular. Quem vai cantar para a gente é Roberta Sá, a querida Roberta Sá. Essa canção está num disco dela cujo nome é lindo. Que belo estranho dia para se ter alegria. Disco de 2007.
Vamos lá.
E, enfim, nessa canção que a Roberta canta, atendi teu pedido. Poderia ser atendi a teu pedido? Atendi ao teu pedido? Atendi o teu pedido? Poderia ser. Isso tem uso mais do que consagrado e documentado, registrado, de modo que é perfeitamente possível, no caso da frase do ouvinte, o jogador de futebol atendeu o jornalista, atendeu ao jornalista.
na saída do vestiário. Agora, há um outro uso de atender, que é interessante, está ligado a telefone, por aí vai. A gente vai ouvir um clássico da música brasileira da década de 60, uma canção que se chama justamente Telefone. Quem fez a melodia foi Roberto Menescal, e quem escreveu a letra foi o pai do João. O nosso Ronaldo Bôscoli,
Quem canta pra gente? Os Cariocas, gravação de 63. Vamos lá. José Ronaldo Bôscoli na veia, né? Deixa a gente curioso. A moça atendeu? Alô, e aí? O que aconteceu? Sabe Deus, o João talvez saiba. Então, a moça atendeu. Nós temos esse uso do verbo atender, que aparece como intransigente,
ou seja, sem complemento, a moça atendeu. Eu telefonei, mas ela não atendeu. Isso é outro uso possível. Essa coisa, Tati e Fernando, de verbos que têm mais de uma regência, o nome disso é regência porque o verbo rege. Esse rege do verbo reger tem a ver com o mesmo reger do maestro, que rege a orquestra.
Então, o verbo rege o termo que aparece como seu complemento. Então, o médico atendeu o doente, o verbo atender rege o objeto direto, complemento direto sem preposição, o médico atendeu aos enfermos, ele rege a preposição A. Esse assunto de regência, de verbo que tem mais de uma regência, é muito comum. E antigamente era muito comum que se tentasse impor uma regência
Só esta vale, a outra não vale, esta é formal, aquela não é. E o uso correndo solto, mostrando que não dá para agir com esse radicalismo, com essa coisa. É o mesmo caso, já até falei disso aqui, atendendo a algum ouvinte ou alguma ouvinte, do verbo precisar, que muita gente no Brasil, dependendo da região do Brasil, usa com a preposição de, em qualquer caso, preciso de fazer.
preciso de comprar, preciso de ir. E muita gente estranha isso, gente que diz, eu preciso de dinheiro. Ora, bola, se eu preciso de dinheiro, por que estranhar eu preciso de... Por que estranhar eu preciso de fazer? As duas construções têm registro, elas variam um pouco de região para região, eu preciso fazer, preciso de fazer, e por aí vai.
Então, não é preciso ter esse suposto rigor no caso do verbo atender, que como o próprio Fernando viu aí nos dicionários, está, no dicionário Wise, no caso, está documentadíssimo com todos os usos e tal. Antigamente, era mais comum essa distinção, a gente pega textos clássicos e vê mais o atender ao paciente,
cliente e tal, mas também vê muitos registros de atender o cliente, atender o paciente, e por aí vai. Então é isso, é bom lembrar que o verbo atender da família dele faz parte, o substantivo atendimento, e aí, claro, como todo substantivo, vai haver preposição, atendimento aos clientes, aí é outra conversa, não se mistura a regência do verbo
Perfeito. Professor, obrigado mais uma vez e até amanhã. Pois não. Só ia dizer mais uma coisa, mas deixa quieto. Fala, professor. Um beijo para você. Não, não, não. Desliga você, professor. Ah, não. Desliga você. Desliga você. Essa é boa, né? Não, eu só ia dizer a palavra atenção.
que é da mesma família e que se escreve com um C com cedilha. Muitas vezes a gente não liga a atender a atenção ou atenção a atender, mas é bom lembrar isso aí também. Ok? Legal. Beijo. Obrigada. Beijo para vocês. Beijo. Até amanhã. Até amanhã.