Na esteira do escândalo do Master, cresce apoio a impeachment de ministros do STF
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- Supremo Tribunal FederalReputação abalada do Supremo · Pesquisa Instituto Ideia · 35% associam STF ao escândalo · 70% dizem credibilidade afetada · Impacto na instituição
- Banco MasterFraudes do Banco Master · Daniel Vorcaro · Fabiano Z · Impacto na credibilidade institucional · Dificuldade de abafamento do caso
- Economia do Governo LulaLula como refém do caso Master · Repique de impopularidade · Flávio Bolsonaro encostando em cenários · Áreas do governo mal aprovadas · Análise de Alberto Omeida
- Crise InstitucionalPesquisa sobre impeachment · 44% votariam em candidato que defendesse impeachment · Novo critério eleitoral · Insatisfação com a Corte
- Atuação de Lucia na políticaCúpula do Congresso resistindo a nova CPI · Maia e Lira bloqueando investigação · Coincidência com eleição · Abafamento político
- Resposta governamental a crisesPresidente do STF tentando desatar o nó · Abordagem tímida e insuficiente · Falta de confronto direto · Dificuldade em resolver a crise · Comparação com Barroso
- Política e GovernoFabiano Z como maior doador de Bolsonaro · Envolvimento da direita no escândalo · Impossibilidade de ataque político · Acuações recíprocas
- Riscos Políticos e InstitucionaisCrescimento do voto contra o sistema · Eleitor desiludido · Precedentes históricos · Candidato fora do sistema
- Pesquisa QuaestDivulgação de novos dados · Aprovação do governo · Cenários eleitorais
E aí, Vera? Oi, Sardenberg. Boa tarde para você e para a Cássia. Boa tarde para os nossos ouvintes, também para quem assiste o CBN Brasil. Boa tarde, Vera. Vera tem uma coluna do seu blog no Globo de hoje. O título é Os Muitos Reféns de Vorcaro. E faz referência, Cássia, ouvintes, a uma pesquisa do Instituto Meio Ideia,
que tem um resultado muito, muito, muito importante. Quando se pergunta às pessoas qual a instituição mais associada ao escândalo do Banco Master, 35% citam o Supremo Tribunal Federal. A situação complicou, hein, Vera? Complicou e bastante, Sardenberg. Além disso, num sinal de que a crise atinge muito fortemente o STF,
dos que conhecem o caso dizem que a credibilidade do Supremo sai abalada do episódio, contra só 17% que dizem que ela está totalmente preservada. E também cresce, na esteira desse caso, o apoio àquela ideia de impeachment de ministros do Supremo, por meio de uma pergunta. Perguntam se um candidato defender a possibilidade de impeachment
O impeachment do ministro do Supremo aumenta a sua chance de votar nele? 44% dizem que sim, que defender o impeachment de um ministro do Supremo passa a ser uma razão de voto para o Senado. A pergunta é específica para o caso do Senado. Então, é um sinal de que a credibilidade do Supremo, a sua reputação, estão muito abaladas por esse caso que permanece como um cadáver
em sepulto ali. E entre os que são reféns hoje desse caso, eu cito o ministro Edson Fachin, presidente da corte, porque ele está tentando desatar esse nó, mas de uma maneira muito fraca, muito tímida e que parece insuficiente diante de um estrago assim, agora quantificado, assim tão grande. Hoje também vai ter pesquisa da Quest e isso deverá constar na pesquisa que vai
se tornar pública daqui a pouquinho, a partir das duas da tarde, e que deve trazer novos dados para a gente entender essa situação. Eu falo na coluna também sobre a situação do presidente Lula, a quem eu também considero um refém desse caso, mesmo que ele não tenha nenhum envolvimento direto com o Daniel Vorcaro, com o banco, que não tenha tomado nenhuma medida para proteger o Vorcaro, etc.
acho interessante a gente analisar sobre o prisma da impressão da população. E o repique de impopularidade do presidente, o fato do Flávio Bolsonaro encostar nele em quase todos os cenários ali, encostar nele no segundo turno numa situação de empate técnico e de a pesquisa do IDEA, divulgada pelo MEI, mostrar que quase todas as áreas do governo
mal aprovadas, mostra que ele foi atingido sim de roldão por essa crise. Alguns dias o Tiago Prado, editor de política do Globo, publicou na newsletter semanal que ele faz, que chama Jogo Político, recomendo aqui aos nossos ouvintes irem atrás, ela está disponível no site do Globo, uma entrevista com o cientista político Alberto Almeida, que é alguém que tem uma ótima interlocução com a esquerda.
Já escreveu livros sobre as vitórias anteriores do Lula. É alguém que é considerado um bom leitor da classe C, que deu vitória ao Lula várias vezes. Enfim, é um interlocutor frequente da esquerda. E ele diz, na conversa com o Tiago, que o Lula é aquele que mais vai sofrer no campo político as consequências do caso Master. Por essa ideia de que quando todo mundo está mais ou menos envolvido num escândalo, se culpa o sistema.
O candidato do sistema hoje em dia é o incumbente, é o que está no poder, é o que é candidato à reeleição. Então, o Lula sofre mais fortemente também com esse caso. Bom, Vera, e você também mostra aqui no seu texto que, além do impacto para o Executivo, além do impacto para o Supremo, tem um impacto também no Congresso Nacional e de forma bastante generalizada, né? Bastante generalizada, nesse aspecto é democrático.
Hugo Mota e Davi Alcolumbre, está resistindo ao máximo a ideia de uma nova CPI, uma CPI que seja exclusivamente para investigar o caso Master, porque isso faria com que houvesse um prazo coincidente com o da eleição para investigar um caso que, como você disse, atinge de forma generalizada todo mundo. E veja, mesmo a oposição bolsonarista não está podendo surfar muito nesse escândalo. Por quê?
do Vorcaro e um dos seus braços operacionais, vem a ser o maior doador individual, tanto do Jair Bolsonaro quanto do Tarcísio de Freitas em 2022. Então, não é uma situação que permite à direita também nadar de braçada, falando de caso Master. Por isso que o número de reféns é alto, e eu falo disso no texto, e o caso é difícil de debelar. Quando você tem uma crise que está ali atingindo todo mundo, a primeira coisa que vai se buscar
uma aliança geral para um abafo. Eu acho que isso já não é mais possível. A gente já passou desse ponto. Falei disso numa coluna da semana passada do que eu chamei de ponto de não retorno. A partir do momento que não é possível você abafar totalmente, a chance de o eleitor, na eleição, votar contra tudo que está aí, portanto, votar num candidato antissistema, aumenta bastante. E aí é um risco que a gente já viu lá atrás no que que dá, né?
Contando ao caso do ministro Fachin, ele está tentando, a reação dele está tentando chegar a um código de conduta. Está difícil, tem muita gente contra, a maioria é contra e tal, não sei o quê. Mas você acha que, primeiro, qual a chance disso acontecer? E, segundo, se ele conseguir elaborar um código de conduta, você acha que isso muda a percepção em relação ao Supremo? Dependeria do código ser aplicado, né, Sardenberg?
você é difícil já chegarem a um consenso sobre esse texto e aquecerem quanto à sua necessidade. A partir do momento que o Código fosse adotado e você pusesse, sob a perspectiva do novo Código, a conduta real de muitos ministros, o Código pararia em pé ou já nasceria morto, já nasceria totalmente letra morta? Eu acho que é isso que acontece. Muitas das práticas hoje em dia em vigor no judiciário,
também no Supremo, não condizem com o estabelecimento de um código de conduta. Então, eu acho que há uma iniciativa que já nasce, primeiro, combatida internamente e, segundo, ainda que, diante da necessidade de dar alguma satisfação, eles aprovem o código, se ninguém cumprir o código, aí é mais desmoralização ainda. Então, não é um nó fácil de desatar esse, principalmente com alguém com a personalidade que o ministro Fachin tem,
ele não é de ir para o confronto direto, ele também não é muito midiático. Eu imagino que se ainda fosse presidente, por exemplo, o Barroso, para ele seria muito mais penoso estar à frente de uma instituição com todas essas arestas. Então, eu acho que ele daria mais entrevistas, ele procuraria se dissociar desse estado de coisas. Não é o caso do Fachin e até por isso eu acho que ele tem mais dificuldade de fazer cada um ali arcar
com a sua parte na responsabilidade para acabar com esse momento tão grave de crise institucional. Vera Magalhães. Obrigado, Vera. Até amanhã.